Terça-feira, Maio 26, 2009

reign over it!


Parte I

Seu reino, qual formato tem?
É vertical? Sem gravidade?
Maior que um planeta? Preso em uma garrafa?
Como andam seus habitantes?
São eles só você? São povos sem fim?
Seu reino... Ele tem quantos nomes? Nenhum?

Como é seu reino?

Alguns chamam seus tijolos de versos. outros de dias vividos. outros de matemática pura.
Suas casas podem ser só de invenção, ou sem forma.. Ou são concretas, vivas na Terra.
As vezes, suas ruas são de gente, são de foguetes, de cometas, de fantasmas, de balas de canhão, de dias seguintes, íngremes.....

Mas eles reinam. Todos têm reino. Todos.
Quer queiram, quer não.

Como são as relações internacionais de seu reino?

...
Parte II

Meu reino possui um tempo rebelde sem-causa.

Meu reino possui 4 minutos de idade. E mais de 400 reinados e regências corridos.

Você vê aquele casal, se segurando passionais e contra a ventania, enquanto amanhã nunca se conheceram. Ontem eram avó e neto? ou seriam marido e mulher? ou irmão e irmã?

Os velhos na praça comentando entre si sobre a pelada, as jogadas, os montinhos que fizeram qd muito crianças, completamente esquecidos do que conta os jornais do dia.

Sinais dos fins dos tempos aparecem de uma hora pra outra, repentinos, assustadores nos céus, cada um apontando diferentes acontecimentos, cada um levando a diferentes conclusões.

As antenas televisões, rádios e internets recebem informações do passado, presente e futuro. Estão em estática. Principalmente aos domingos. Os mais atentos são os que têm memória mais fraca.

Meu reino não tem mar. No entanto, todo ser vivo, desde os vírus e células até os sábios e os estrangeiros de outros reinos, sonham com o mar. E todos acordam desejando, ardentemente, estarem em um cais, em um navio, pronto pra partir.

Meu reino tem o tamanho do mundo.
E suas ruas estão mapeadas nas digitais da palma da minha mão.

...
Parte III

Como termina o tempo alinear? Basta desinventá-lo.

Assim como nos sonhos: contos, obras de arte, histórias, crenças, crimes, amores, talentos, ciências, maravilhas... Tantos, todos os dias são criados, e todos os dias se esfarelam e são jogados ao vento durante o despertar.
E terminamos não nos incomodando muito com isso para não enlouquecermos.

Tudo é desinventado.

Em meu reino, os velórios são em maternidades. Pois, como dito, o tempo é feito ondas à beira-mar, que podem ou não trazer-nos de volta o que se perdeu.

A morte é filha do tempo, e fruto da desinvenção.

Enquanto me for permitido, quando meu reino estiver ruído, comido pelas traças, enterrado na areia, fossilizado e esquecido, renascerá de volta o casal que primeiro viveu nestas terras, sem lembrar de nada, e levantarão o primero tijolo. Tudo terá outra forma, outra física, outra gente.

Mas de alguma maneira tudo está sendo guardado em um imenso pretérito, fazendo tudo, até minha diplomacia, fazer sentido.

...

music of the day: Milton Nascimento & Lô Borges - Clube da Esquina n. 2


"Time is just something that we assign. You know, past, present, it's just all arbitrary. Most Native Americans, they don't think of time as linear; in time, out of time, I never have enough time, circular time, the Stevens wheel. All moments are happening all the time."
Robin Green and Mitchell Burgess

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Domingo, Dezembro 28, 2008

search for it!

Na poesia, o mundo se deita. Se espreguiça, se descontorce e se estica, como se quisesse alcançar tudo dela, de um ponto a outro.

Se alcança? Sei lá! Ela q vem a todos, recebe qualquer coisa e nada rejeita. No meu caso é meio complicado. Ela bateu na minha porta, entrou sem esperar olá, deitou-se em minha cama e abriu as pernas. E eu fui e me sentei na frente da televisão.

Aí ela se magoou pq eu me magoei com sua perversão e até agora só tenho uma foto dela. Sozinha. Eu que bati, sempre digo. Só.

Com a poesia o mundo se deita. Fazem sexo e fazem amor, sem repetir necessariamente esta ordem. Se descobrem cúmplices ante a não-magnitude do universo que os envolvem, a arrogância da ciência que sempre quer explicar tudo e a gloriosa sensual e democrática burrice. Se alguém os descobrem juntos, vem a polícia do carma e os prender separadamente em suítes de luxo ou em sonhos quimicamente sintetizados.

Pela poesia, o mundo se deita. Dorme. Se deixa adoecer e espera a morte chegar. Antes disso, seu corpo reage. Destrói suas hemácias e vírus, sem saber quem é quem. O mundo está inflexível e não mexe. Sabe que seu corpo precisa se defender por si só.

E a poesia, de alguma maneira, vai sendo salva. Se ele reagisse, aqui seria só um deserto ateu feito de bruta realidade.

Para a poesia que o mundo se levanta, só.

De poesia, o mundo se veste. De poesia, o tambor do mundo é feito. Ou um pandeiro. Pele, couro, roupa, baqueta, cavaquinho.

Samba no tamanco sozinho e azul em um raio de luz, este planeta. Samba precisando urgente de um par. Porque quando pára de sambar,

Sobre a poesia, o mundo se deita e dorme.

Algum planeta alien se candidata?

music of the day: Tom Zé - Sabor de Burrice

"
That's here. That's home. That's us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every "superstar", every "supreme leader", every saint and sinner in the history of our species lived there - on a mote of dust suspended in a sunbeam."
Carl Sagan

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Quarta-feira, Novembro 05, 2008

feed it!



Corre corre corre e sente o vento lutar contra seu rosto. Luta luta luta onde vc sequer sabe quem deu o soco no seu rosto, nem mesmo se foi vc. Ouça olhe sinta. Quem não segura sua coluna? Postura!

Poste seu nome em algum lugar que te eternize. Não uma lápide, mas uma placa, um copyright, a memória de quem nem goste muito de vc. Feche-se em seu casco e dirija seu íntimo para o que deve. Abra-se e fale com coerência. Aja como se vc fosse qualquer um, não vc mesmo. Faça roteiro de suas falas enquanto estiver no celular. Ensaie. Apaixone-se e diga em voz alta o que quer. Mesmo que isso lhe soe terrivelmente ridículo. Goste, mas goste vc mesmo, vc n sabe q n precisa fazer os outros entenderem pq aquela frase sonora te diz tanto? Vc sabe como dizer isso? Então nem tente. Ó a tentação!

Religião é o ópio do mundo! Deus é um delírio! Vc não vê as evidências? Ponha teus argumentos em dia! Leia o jornal e informe-se das opiniões dos jornalistas sobre as opiniões do povo. Cadê o lápis? Cadê a folha branca? Roa todas as peles e unhas dos dedos até que caia alguma gota de palavra....

"eu"


"eu"


"eu"


"eu"


"eu"


e faça oceano e obrigue o pobre leitor a navegar de jangada, com ironia salgando terrivelmente seu corpo, e quase afundando nas marés de auto-piedade.

E constrói seus castelos de areia, com torres, relógios, escadas em espirais, calabouços, portões levadições, salões, quartos, fossos em que aríetes nenhuns possibilitem uma invasão.

Sorria. Espume e se vingue. Gaste milhões para ganhar milhões. Caçe. Tenha fome, muita fome. Não seja depressivo! Não seja triste ou melancólico! Trouxa! Nâo faça paradoxos! Sempre tenha razão!

Tenha a lembrança atormentadora em sua cabeça pra se lembrar do erro. Até onde não precisa. Converse com vultos. Organize cuidadosamente planos noturnos de como dominar o mundo. Esqueça todas as manhãs. Esqueça todas as manhãs dos sonhos que você tem, do que vc quer, do que vc é, do que vc merece ser, do quão cego vc, como homem ou mulher que é, está sendo.

Não explique, nem sequer pra você mesmo, o que vc escreveu. Apenas jogue teus imperativos no liquidificador, bata bem, e os dê de alimento para os peixes.




...

music of the day:
Heartless Bastards - Valley of Debris

(Desculpem-me a qualidade do vídeo)


"
Ensinamento


Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo. "
Adélia Prado

Terça-feira, Setembro 09, 2008

color it!

Devia ter vergonha, eu, não haver posts DESDE FEVEREIRO! Era muito mais honesto ter fundado outro blog!

(fundar.
do Lat. fundare

v. tr.,
estabelecer os fundamentos, pôr as primeiras pedras, os primeiros materiais para qualquer construção;
edificar, erigir, construir;

fig.,
instituir, inaugurar;
firmar, apoiar, basear;
sondar, aprofundar;

pop.,
pôr tampos (em tonéis, pipas, etc. );

v. refl.,
fig.,
apoiar-se, basear-se, estribar-se.
)


Pensando bem, honestidade não é minha praia. Não que queira dizer que eu seja desonesto. Para o bem da verdade, este blog merecia este post. Ele nasceu de lá, cedo de manhã, me viu no alto e lá embaixo e sempre esteve aqui com 1 ou dois comentários por post e 1 ou 2 posts por mês. Ele sou eu ontem, anteontem, provavelmente amanhã, e tudo o mais, e tenho certeza, certezacertezacerteza que eu sou eu mesmo de qualquer outra hora. Sem dúvida diferente. Mas o mesmo.

Então o que eu tenho que dizer a meu querido diário? Primeiro, desculpe, embora isso não adiante em absolutamente nada, e segundo que eu terminei a faculdade, e é isso.

Aqueles ventos de posts atrás sopraram na minha janela.

E agora?

Tudo entrará em technicolor? Ou tudo voltará ao black & white? Voltei pra minha casa? Terei de procurar o mágico de Oz?

Isso tudo não merecia versos?

Mereciam. Toda minha petulância agora se encheu em minhas veias e tomou todo o lugar da poesia.

E agora veio o vento bagunçar tudo e me fazer mudar, que nem Dorothy ou qualquer outro personagem de qualquer história.

Este post é só isso. Eu tenho vinte e seis anos, hoje. Toda culpa que sinto acerca da imaturidade é planta que semeei, e Deus sabe se é tudo. De minha cabeça só existem interrogações. De meu coração só vazio. De minha pele gordura, cravos e caspa. De meus olhos sono. Como fazer versos?

Fazendo. É necessário fazer arte, senhoras e senhores. Eu estava num restaurante com ana e ela falou de uma capa de CD que a ofendeu pq se parecia com uma parte do corpo que por algum motivo é chamado pelos arcaicos de "vergonha" . Não disse assim, mas deu a entender que a ofendeu. Eu falei a ela que aquilo era Arte e por isso as vezes choca. Ela olhou pra mim e disse que desse a ela uma dança de patinação no gelo e ela mostraria o que era arte, e eu dei de ombros e disse que aquilo também é arte, mas aí ela já não prestava atenção.

Arte tem a mesma qualidade de definição que quente e frio. Arte não é algo por si, mas algo que move aquilo que é algo por si. Arte está na poesia, na música, na dança, na cinematografia, na fotografia, no texto, na cozinha, na corrida, no jogo de cartas, de tabuleiro, na matemática, na física, na ciência, na marcenaria, na mecânica de automóveis, na medicina, na engenharia de construção de um prédio, na construção de um prédio, num prédio, na programação, no crime, na......... Quando se diz estado da arte significa dizer o estado em que se encontra a "ciência" daquilo (aspas para as palavras convenientes, não sendo necessariamente verdadeiras, sim?). "Este novo televisor em OLED reflete o estado da arte em tecnologia de projeção".

Arte. Não é dadaísmo, mas sim, gasolina (da aditivada até a alterada). Faça arte, no trabalho (literalmente) ou em casa (não-literalmente), a fim de voltar à sua infância e tentar, só tentar, resgatar sua criatividade. Existem poemas que não são arte, existem programadores que são (ou pelo menos se sentem como) artistas em C++. Uma capa ilusória e provocativa é arte, uma capa de cd de aline barros, não. Alpha Centauri é próxima do sol. De onde você está olhando a Alpha Centauri? Daqui é longe demais. De lá do cruzeiro do sul são vizinhos. O que é arte?

Artecombustaparameuparadeiroofoguete quepulaeco rre corre c o r r r e
p



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rrrrrrrrrrrrrrr





a




a

q
u
ele
sorriso
sonso e desligado (ou não estaria de perfil) da lua.

Quero sorrir, e ando em dúvidas, diário, mais do que nunca estive, e meu coração pede, implora, pranteia-se, rasga-se por fome. Minha consciência, de Deus. E minha tranquilidade, de salário.

Preciso da Arte para o sentido inverso, meu querido, pois eu já li quadrinhos por demais.

(mas acho que antes, acho que preciso de fazer umas viagens.)

music of the day: Victor Wooten - I Saw God

"Predição é muito difícil, especialmente sobre o futuro."
Niels Bohr

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

see it throught the silver mirror!

Hiatos tocam trombetas, pimentas malaguetas, e eu fico a achar que posts vêm sozinhos. A língua vêm sozinha. Idéias voam ao redor de sua cabeça e ela só escapou do seu tapa por que você não foi rápido o bastante.

Não voam. Não vêm. A palavra é um espelho de prata, refletindo a lua nova na madrugada e você se esforça para se enxergar antes de desistir ou não, dependendo do quanto você está acostumado a enxergar na escuridão.

Não pense, leitor, que enxergar na escuridão requere apenas olhos atentos e pacientes! Não pense que é só uma estrofe bonita quando Chico canta:

"Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim"


Já não sei onde está o banditismo na fala que me fazia ao menos versar. Já tenho batido muito minha cabeça nas paredes deste lugar. Não posto por não ter o que dizer, e isso é justo.

Não há nenhum desejo de matar este blog, honestamente. Tenho esperado palavras e elas não vieram, pelo menos na hora certa, pois elas não vêm. Eu que tenho que ir a elas, sendo humano o bastante, mais do que eu sou, todo fraco ante tentações. Sou eu que, homem feito, não pode deixar de deixar a coluna, que se curva sem se notar, reta.

A tristeza e a solidão não me bastam como post mais. Isso é para quem não quer chegar às verdadeiras palavras, ou enxergar a escuridão. Hoje não vi, por exemplo, o quanto enrolei para chegar até aqui.

Para se enxergar na escuridão, é preciso todos os 6 sentidos. Para te enxergar na escuridão, preciso de 6 sentidos. Para vos enxergar na escuridão...

Eu desejei para 2008, Paixão, Perseverança e Paz de Espírito.

Por isso o post abaixo que terminei não finalizando antes, e, infelizmente, ainda é verdade.



Hiatos comprovam o quanto eu tenho deixado de escrever. Onde estão os curtos papéis sujos de anotações estranhas, lunares e carregadas de significados? Onde estão os versos que surgem durante as passagens de ônibus? Cadê o devaneio perfeito?

Eu me digo onde está! Está exatamente nas suas costas, preso. Você não encontra porque qd se vira, ele acompanha. Suas mãos não alcançam pois não é de sua anatomia conhecer o que há atrás de você. Mas não quer dizer que você não possa alcançar...


Mas, convenhamos, este período até que não foi ruim. Sempre te dizem que quando você se esforça, consegue se virar... Mas qual o sentido disso tudo? Aonde quer chegar?

A preguiça ainda vive, com charutos acesos e pantufas sobre carpete carmesim. Ele lança sua sombra sobre mim, como a um homem sobre o palco olhado sobre um filtro negativo. E você é o único culpado por deixá-lo assim folgado.


Tudo o que vejo é um homem que não sabe que cresceu, ou não quer saber, ou não consegue mesmo.


Crítica. É preciso treinar sua auto-afirmação e sua postura e disciplina com críticas.

Sê forte!




music of the day: Spoon - The Underdog



Tatsuya Ishida - www.sinfest.net

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

find it's path!

O mundo...

Situações delicadas compõem um labirinto torto e efêmero que se transforma no que chamamos... eu chamo... chama-se de mundo. Situações delicadas precisam de um número. Um certo x, sendo que f(x) possa tender para a realização ideal causado por esta situação delicada que gera essa função. Ou que estivesse à mercê desta função... não importa. O mundo precisa de número para representá-lo, a cada segundo. Ninguém consegue calculá-lo de uma vez. Ninguém sabe como calculá-los. Mas ele existe (bem como a matemática existe, ou filosofia). Fatalmente.

O mundo gira gira gira e situações delicadas giram com ele. Gira em torno de si, gira em torno de um ponto alumiador e mil vezes maior que ele, gira em torno de um ponto tão longínquo e tão negro como uma situação absurda, gira em torno de um ponto imaginário que não sabe nem onde está mas que se sabe que é o centro de um universo... O mundo gira tonto e direto e a arte gira com ele.

Arte... Essa entidade cheia de auto-piedade e fogo, que não sabe onde quer chegar mas é entupida de tanta inteligência, precisa, quer e só sabe criticar. Criticar o mundo, seu giro, sua reta, seu início meio e fim. Critica até não poder mais, onde aí começa a criticar-se a si, e criticar seus artistas, que começam a criticar, e quando críticas já não fazem mais efeito, desinspiram.

Desinspiram o autor.

Que ele só faz escutar e escutar e escutar e escutar e escutar e escutar e escutar e ouvir que é bom, não ouve. Ou ouve, mas não segue em frente. Desinspiração.

Desinspiração essa ao autor, também, que não tem crítica.

Situações delicadas compõem labirintos aos filhos do mundo percorrerem. Eles acham que não, mas também fazem parte do mundo. Têm força e arte, mas precisam de críticas. A arte do mundo também faz parte do mundo.

...

Preguiça. Tudo sai pela tangente, ou é esmagado pela gravidade, se a ciência comprova (porque ela existe tanto quanto a religião) que o atrito é exercido sobre todos os corpos, inclusive o espiritual. Crítica ao autor que se desinspira pela arte ou pela ciência, sendo as deles dominadas pela preguiça e pela doença do mundo de se precisar criticar. Mundo este que o autor vai deixando de ser parte, perde completamente a noção da variável 'x' e se diverge ao infinito pelo eixo 'Tempo', em ordem exponencial, e jazerá no brilho eterno de uma mente sem lembrança... de alguma estrela lá no céu... do fim.

..

music of the day: Yoko Kanno - Amore Amaro

Quino

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Quinta-feira, Setembro 20, 2007

fotograph it!

ou Antiflog...

2 fotografias que não bati (Sem contar com o Abaporu):

1. Um rapaz com cabeça raspada vestido de preto com roupas de frio meio esfarrapadas, com diversos piercings sobre o rosto e o corpo completamente tatuado com formas estranhas e padrões e detalhes que é preciso certa dedicação para saber o que eram, e ouvindo muito atentamente com outro rapaz vestindo um chapéu de pano com cores vivas e cheias de broches, além de roupas de frio também de cores muito vivas e, se não me engano, com uma elipse vermelha em cada bochecha como palhaços em serviços de última hora. Este falava baixinho ao homem de escuro no meio da como se contasse segredos de seu mundo ao outro e planejassem fazer coisas ilícitas entre suas tribos, como fazer amizade e bagunçar com as diferenças do mundo inteiro.

2. Uma senhora com uns relativos 40 anos, provavelmente alta, vestida muito bem, com cabelos muito claros (acho q oxigenados) e com franja e cortados retos na altura de baixo dos ombros, dirigindo um taxi na noite do centro de Buenos Aires com 3 senhores vestidos normalmente de maneira que poderiam muito bem ser eles os taxistas e ela sendo a passageira, e me fazendo me perguntar quando tinha visto uma mulher taxista pela última vez.

...

music of the day: The Bellrays - Time is Gone

"Eu odeio a indústria do cinema porque se eu faço uma péssima história em quadrinhos, ele não vai custar cem milhões de dólares que é mais que um orçamento de um pequeno país do terceiro mundo. E isso é dinheiro que poderia ser usado para aliviar um pouco do imenso sofrimento neste mundo, mas que ao invés disso, é gasto dando a entediados, apáticos, preguiçosos e indiferentes adolecentes ocidentais outra maneira de matar 90 minutos de suas intermináveis e pelo jeito inúteis vidas."
Alan Moore

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Quarta-feira, Agosto 22, 2007

hasta la vista, B.A.by!



Feira de San Telmo:


Shopping mais caro da cidade (depois edito pra botar o nome q esqueci):
Galeria Pacífico:


Perto do hotel:


Avenida de la Liberdad (não, não é uma praça, é uma avenida mesmo):


Café Tortoni, com Jorge Luís Borges e Carlos Gardel fazendo sala nas minhas costas:


Gotham City de dia... parece né?


Porto Madero:


El Grand Ateneo:


La Catedral:


Florida (acho que apareçemos no reflexo.... acho...):
Rosa Floralis:


O Abaporu ^^:
Foto que não pude tirar =/

Bairro de La Boca:


Acho que é Palermo... Depois eu edito corrigindo:
Palermo Vejo:


Rio da Prata, que um dia hei de cruzar:


Um jantar muito curioso (e farto):


Delta do Rio Tigre:


Feira de San Telmo, novamente:


Uma Araucária ^^:


Faltou muita coisa... deixa pra próxima? =]~

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Terça-feira, Julho 31, 2007

look outside it!


Você olha para os ventos e coloca as mãos nas nuvens
Deitada sobre a grama, pensando em como é estar no chão da lua
Não olhe tão firme para o céu, garota
Ponha as mãos no chão, você pode cair pra cima!...

E agora? Eras tão segura no chão...

Azuis são o mar e o céu,
Qual é a diferença?
Debaixo do oceano, somos peixes
E sobre as nuvens, somos satélites
Assim nos movemos, qual a diferença?

Ponha tuas mãos no chão.
Teu futuro jaz
Em uma viagem espacial
Rumo aos corais mais bonitos.

...

(Falando em viagem:
Debaixo deste universo
Muito muito longe
Há outro universo
E mais outros universos?
Ou este é um universo,
assim como a Terra é plana
E para qualquer direção
Que um imortal tomar
E seguir em linha reta
Ele voltará algum dia
Para o ponto de onde partiu?

Se o universo é um planeta de 4 dimensões
Como saltar de sua incrível tangência?)


Foto de Júpiter tirada pela Voyager I

music of the day: Habib koité & Bamada - Batoumambé


"There is a theory which states that if ever anybody discovers exactly what the Universe is for and why it is here, it will instantly disappear and be replaced by something even more bizarre and inexplicable. There is another theory which states that this has already happened."
Douglas Adams

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Sábado, Junho 30, 2007

go and get it!



Escrever.

É necessário escrever.

Mas não só palavras.

...

Olha a que me reduzi!

alguém apressado para fazer um post mensal qualquer...

Onde está a força?

Guardada talvez em outra força de produção...

Aquela...

... A que move o mundo e minha vida ao mesmo tempo.

...

Um dia eu volto à velocidade constante.


music of the day: Thom Yorke - Harrowdown Hill

(eu sei que já pus essa música antes, mas é por causa do vídeo tb... e pq é muito boa)

"Em nosso mundo as pessoas não sabem o que querem, mas estão dispostas a ir até o inferno para consegui-lo."
Don Marquis

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Quarta-feira, Maio 30, 2007

love it madly!

Amor é uma tapa
Quente e barulhenta.
Vira a face e receba, idiota.
Que vai ser você agora?
Decida se a mão apedrejada
Aparece vermelha te afagando
Ou se repulsiva te afasta.

O amor é um estranho
Que chegou aqui em casa!
Veio pra mim e disse:
"Estou aqui ao seu lado"
Eu desprezo dúvidas
Me corrôo em súplicas
E ele não sai do meu lado!

O amor é um deserto
De dunas de fogo e sombras glaciais
Caravanas passam muito, muito longe
Miragens são sonhos por aí a vagar
Onde fostes me atirar? Como parei aqui??
Ventos são vozes da solidão me aperreando
Tu és o dromedário que me escapuliu.

music of the day: Cake - Love You Madly

"O Caminho que pode ser verbalizado não é o Caminho eterno.
O nome que pode ser falado não é o nome eterno.
O Indizível é a origem do Céu e da Terra.
O Nomeado não é senão a mãe de dez mil coisas.
Em verdade, somente aquele que livra-se para sempre do desejo pode ver as Essências Secretas;
Aquele que nunca livrou-se do desejo somente pode ver as Consequências.
Essas duas coisas provêm da mesma Fonte; todavia são diferentes na forma.
Essa Fonte só pode ser chamada de Mistério,
A Porta entreaberta de onde emergem todas as essências secretas."
Lao Tsé, Tao-te Ching

Quinta-feira, Abril 19, 2007

go down it's river!



Não sou de fazer homenagens. Na verdade, nem sei fazer homenagens. Não sei se é porque eu acho uma coisa dificílima elogiar, ou se é pq acho que isso não é pra ser feito assim, de qualquer jeito, da mesma maneira que não se deve dizer "eu te amo". Amar é, dependendo da pessoa, foda! A pessoa se dar assim se perde fácil. É preciso maturidade para amar.

Na foto há meu pai (quando eu bato foto quando também pretendo aparecer, ele muitas vezes aparece assim, se esforçando pra aparecer. A gente acha engraçadíssimo. Ironia ou não, quem teve aulas de fotografia foi ele. Mas isso foi a muito tempo. Hoje a gente tem aula de bom humor e ciência e Deus com ele. E gentileza tb).

Há também mãe (Ela aparecendo rindo e rindo deliciosamente sempre faz da foto uma foto muito melhor. Ela não faz a menor idéia de como é difícil ser como ela. Talvez por isso que é melhor que ela não faça mesmo. Ela também talvez ache que é melhor que ninguém seja como ela, mas eu não acho. As pessoas que mais admiro, e as pessoas que mais são admiradas que eu admiro ou goste muito tem um ou mais traços dela. O único problema é que a área se encaixa muito com o cotidiano, então ela fala muitos termos próprios que me confundem bastante. Mas sei que não é Complexo de Édipo eu dizer isso, devo sublinhar).

E há também minha irmã (Ela tem objetivos bem definidos. Um deles é tentar ser pai e mãe e ela mesma ao mesmo tempo. Ela tem conseguido cada vez mais. Ás vezes, talvez por isso, tem um hábito terrível de ordenar. Foi dela que peguei esta foto. É dela que tento pegar um pouco também essa coisa de dividir e compartilhar. O termo irmão, sabe? esse mesmo).

E há eu, tentando viver por mim mesmo. Eu escolhi assim desde que nasceu meu eu mais egoísta. Só que quanto mais desvinculado eu vou, mais ligado eu fico a eles. É comum talvez reparar essas coisas. Só que eu não sei por que quanto mais perto ficamos, mais as coisas desimportantes ficam em evidência, e por outro lado as coisas mais importantes ficam mais evidência quando estamos longe... Bom, o porquê não sei, mas imagino que seja melhor assim.

...

Se reparar bem, a foto foi tirada em um barco correndo em um rio. O rio é um objeto de inspiração bastante comum e muito frutífero. Pra mim, sempre me soou como Tempo:

Nunca é o mesmo rio quando você olha mais que uma vez. Rio só pára quando seca ou quando é um lago de água. Nasce em uma nascente, singelo e puro, cresce como uma corrente, se desenvolve se juntando com outros rios e se tornando Uno, e morre se desaguando e se salgando. Rio sempre vai de um lugar alto e desce, ininterruptamente, até chegar no mar (quando é interrompido, forma lagos que podem, ocasionalmente formar outros rios ou pode ser ele mesmo um mar improvisado). Por sua vez, Mar é onde se diz ser a origem da vida. Em Ainunlidale, de Tolkien, a música criadora do universo ecoa um pouco nas ondas da Beira-Mar, e onde os monstros ganharam pernas, e de onde vieram os habitantes do mundo. Estranho o rio morrer onde tudo começa, não?

Rio é o que dá água potável, é o que faz as bacias, e é o q alimenta os interiores com a vida (água me soa como Essência). No rio, há peixes cujo sentido da vida deles é ir contra correntes irredimíveis e subir penhascos que descem, somente para chegarem nas nascentes e nascerem seus filhos, que, ingênuos e puros, descerão os rios, rindo do esforço que seus pais tiveram até perceberem que terão que fazer o mesmo. Se você polui sua nascente, você polui ele por inteiro. Rio dá direção e sentido. Rio tem começo e fim, mas nunca termina de ser rio.

Minha irmã nos abraça e eu perpetuo o instante batendo a foto e meus pais pagam. E nossos rostos estão assim. É por momentos assim que sempre espero. Estamos num rio e sabemos que um dia o rio desagua no mar. Mas o rio não deixa de ser rio. Por isso não tenho medo, pois eu sei que amor é isso mesmo:

É navegar o rio abraçado, não poluí-lo e perpetuá-lo.

...

(Eita, mas lá não era um braço de mar ao invés de um rio? An... Bom, deixa pra lá, o post tá feito.)

music of the day: Peter Gabriel - Mercy Street

"Pela profecia o mundo ia se acabar
Pelo vagabundo deixa mundo como está
Pelo ser humano pelo cano o mundo vai ou não
Pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar

Ciranda por ti, Ciranda por mim
Roda na ciranda que é pro não virar pro sim
Ciranda que vai, Ciranda que vem
Roda na ciranda que é pro mal virar pro bem"
Eduardo Krieger - Ciranda do Mundo

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Quarta-feira, Março 28, 2007

word it!

Pensamento é uma coisa perigosa. Palavra faz do pensamento uma coisa mortal. Ação faz da palavra movimento, e todo movimento produz uma permutação de energias levando a algum caos. Um movimento de uma asa de borboleta na china pode criar um tufão na Inglaterra. Mas e se ela estivesse na africa? A tormenta que faria na groelândia seria menor ou pior? E como saber que tais perturbações foram produzidas por causa dessa borboleta safada?

A ação de palavrear seus pensamentos (seja lingüisticamente ou não) provocam uma reação chamada crítica. Por mais agitados que sejam os movimentos de tal ação, ás vezes ela não consegue causar a reação que deseja. E no outro extremo, tudo o que vc é, é um galho de árvore preso a um gatilho de um revolver apontado para um coração.

Por medo do que esses pensamentos possam se tornar, eles se transformam em segredos. Segredos são coisas mais perigosas ainda: os pensamentos ficam armazenados numa dispensa e ocasionalmente, a gt espera, ficam no fundo do sótão e nunca mais são encontrados. Mas as outras elas se tornam inquietas pelo calor, cozidas, beliscam o juízo em momentos tranqüilos e te deixam confusos nos momentos críticos. O não-palavreamento provoca ação da mesma maneira e vc não pode se espantar se ocorrer uma tormenta na frente da tua casa.

E tem os segredos que a gente mesmo produz e não contamos e então, sem motivo algum elas te machucam e machucam os outros.

Pessoas que produzem muitos segredos pra si são pessoas que não produzem ação.

Pensamento é uma coisa perigosa, mas as pessoas que não se deixam se guardar são mais felizes, pois suas ações não são como batidas de borboleta, e sim como secas no nordeste ou correntes marítimas. Machucam mais intensamente, mas por um breve período, e os outros sabem que causam as tormentas e sabem e sabem que as coisas boas acontecem por causa deles. São maiores eles, e eles não têm medo do que fazem, e eu os admiro muito.

...

E tem tb o silêncio, aquele que onde o não-palavreamento não se transforma em segredo, mas em ação......

depois!

music of the day: ( Amy Winehouse - You know I'm no good )

"Lutar pela paz é como roubar pela honestidade"
Millôr Fernandes - A Bíblia do Caos

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Terça-feira, Março 13, 2007

relax about it!

De passagem, a encruzilhada decide ficar no ponto tal do meu caminho.
Espera, de tocaia, sem que eu saiba, com três cartas escondidas na manga e uma pergunta que eu não conheça - supõe - a resposta.
Tal serelepe escolhe caminhos para se interligar. Uma encruzilhada dificilmente coloca becos-sem-saída. Perde a graça do seu joguinho.
Com astúcia, faz-me a perguntar questões que só um caminho saiba responder.



Tais encruzilhadas não são, como pensam, uma organização organizada, com o intuito de derrubar o governo do ministério essensciocrático vigente em meu coração.
É uma praga de cupim...
apenas.
Uma cultura. bactérias fervilhando meu corpo em febre de desespero e divisão e anarquia e caos.
Faz-me prostrar à medicina de qualquer espécie e ao rito de qualquer objetivo, em busca do barulho do mar que ouvi antes de nascer...
... e também muito antes mesmo de o mundo se criar e ser criado, quando o Criador o assobiava
lançando a Dúvida Suprema
para que, no fim, ele - o tal Criador - encontrasse, em resposta, para Si e para mim
Paz de espírito.

music of the day: Yoko Kanno & The Seatbelts - See You Space Cowboy

autor desconhecido

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Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

explain it!

Hoje comprei um vasinho com violetas. Violetas é o q diz o plástico q vem em volta, a cor é bem bonita, mas as violetas que conheço tem formato diferente. E não, não é de plástico, e pode morrer se não cuidar. E até desconfio mesmo cuidando pois não sei adubar num vaso tão pequeno, num quarto nada arejado, exceto por ventiladores, como o meu.

E aqui está ele em cima da mesa, ameaçado por minha posse. Aguar 2 vezes por semana, adubar uma vez por mês. Raios, qt de água é bom colocar?

Bom, desisti de comprar pizza e sardinha e comprei batatas e beterraba para o almoço para este fds.

Gostaria de ter falado com samir neste feriado. Queria saber o q dizer para Manoela. Poder dar tchau pra Camila que se vai. Queria ter combinado as coisas com Silvio e com Erick. Queria fazer (e saber qd fazer) o lual lá em casa em natal. Queria ter dito as pessoas da excursão que achei massa ficar com eles, sem exceção e queria ter sido menos estranho que o usual. Saber conversar. Cozinhar. Queria me formar - e me trancar e concentrar pra isso. Queria saber namorar.

Queria conseguir versos, descrever pq o carnaval foi melhor melhor que o anterior, saber programar rapidamente, escrever meu livro sobre Nara, zerar algum final fantasy...

Durante o carnaval, meu cabelo não coçava mais de caspa, não sentia mais nervosismo algum, me sentia livre, e livre tentei ser sem ligar para o desequilíbrio de meu poleiro. Não consegui, mas também não deixei de dar uma avoada. Nem quando meu novo celular velho de minha mãe foi roubado.

Agora eu voltei pra cá, e mesmo não tendo feito grande coisa, a caspa voltou forte. A cidade me dá abuso e tenho medo de estar estressado e ficar brigando besteira com Isaac ou Júlio.

Preciso terminar logo com os períodos. Não me sinto a vontade de comemorar nada, não sinto merecimento algum com uma formatura. Eu sei que ninguém há de repreender por nada desse mundo, mas ainda assim, eu sinto é vergonha, simples e quase pura, pois ainda se mistura com culpa.

Já houveram muitos posts dignos desde o último. Precisava me expor aqui, antes de o blogger achar que meu blog morreu. Preciso. É preciso reclusão de minha parte para achar alguma porção de felicidade que deve andar por aí. Achar esse passarinho feio que nem pardal. Feio e pequeno, e por isso, livre. Explicar pq meu relapso com amizades e relacionamentos. Não basta.

Quero terminar isso daqui tudo. Muito. Essa é a verdade.

Queria que a violeta não morresse.

music of the day: Habib Koité & Bamada - Kumbin

"Cada hora fere. A última mata."
Ditado antigo

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

want it!

Do que é feito o Nada? de absolutamente nada, claro! Se ele fosse feito de algo então ele não seria nada, seria algo. Então se o Nada é feito de nada, nem de supercordas ou subpartículas ou alma ou cheiro ou consciência, espírito, em suma, não é feito de algo que exista, então ele não existe. Ora, se o Nada não existe, então o algo - seu outro lado - não existe também, pois está claro que se uma coisa existe - vida, bem, liberdade, realidade, espírito, terra, paraíso, criador, etc... - seu oposto também deve existir - morte, mal, prisão, sonho, carne, ar, inferno, descriador, ponto.

Posto desta maneira e com esta contradição, o nada então existe, mas não é dado a ninguém o poder de saber o que o nada é ou do que é feito, pois entrará em eterna contradição, quem o procurar seguindo a lógica explicitada (acredito piamente que não é apenas esta lógica que exista como regra universal, ou pelo menos esteja severamente incompleta. Mas sou humano, e humildemente assim o serei neste con-texto.)

Quando uma pessoa diz que não sabe de nada, na verdade ele sabe sim, mas não sabe o que é, e repete para si mesmo que não sabe o que sabe realmente. Ou quando uma pessoa não diz nada, ela disse sim, mas nós repetimos para nós mesmos que ela não disse e, mais ainda, não sabemos o que ela disse.

O nada é um anti-algo, que não se pode dizer o que é, porque ele não é o que se diz, Seja lá o que for dito.

O nada, como significado, é perigoso. Não sabemos o que é. O nada é uma palavra sem tradução que usamos e abusamos, querendo dizer outra coisa. Geralmente duas: que é incerto, ou que é mentira.

Já é fim do décimo primeiro dia de 2007. 2007 é número do atual ano, um número postergado por uma das culturas da humanidade para dizer que o seu planeta deu a 2006a volta (não exata) ao redor de seu astro-mãe depois de um evento que na verdade não ocorreu neste ano, mas que, enfim, por si só, representa um fim de um ciclo. A essência é essa: terminou um ciclo, e portanto, já começou outro.

A humanidade aproveita este momento para querer finalizar o eles chamam de ciclo, dormir por uns minutos, abraçar seu amigo por outros, aliviar o desespero, dar um profundo suspiro e renovar a esperança, e, no fim, cometer os mesmos erros do ano anterior - ou não - de maneira diferente - ou não. É algo que se repete continuamente, um lugar-comum, hoje em dia o termo é "cliché", um termo francês que hoje em dia significa algo que, de tão repetido, perde o sentido original ou, pelo menos, sua força. Uma ironia interessante, sutilmente engraçada e sarcasticamente triste. Será que no futuro, este "cliché" perca toda força, bem como todos os "clichés" que hj existem? Será que a alma das pessoas, no futuro, até a novidade, a mistura, a criatividade, a intenção estará cansada de clichês?

(Alguns não pensam assim, pensam que o significado também é como originalmente era de fato, uma palavra onomatopaica que significa "estereótipo" ou "cópia". O que não deixa de ser verdade, mas eu sempre penso que uma coisa sempre e sempre copiada não será nunca o mesmo que o seu original, por mais perfeito que consiga ser. Mas eu estou com eles, apesar do meu pensamento, e gosto de estar nessa contradição. Vivam sempre os clichês! Sempre! Mesmo que sejam outros!)

Não importa. Hoje, com um ciclo inteiro pela frente e um clichê nas mãos, me sinto vazio, sem vontade nenhuma, querendo nada, selvagem feito um gato doméstico, sem memórias nem pensamentos, sem braço, sem perna, sem olhos e ouvidos e sem voz. Essa é a minha verdade agora.

Mas, como apontado, "nada" não é bem isso que as pessoas acham isso quer dizer. Eu só não sei o que é. Por isso, estabeleci que o que eu quero é que um cometa caia sobre mim, e que eu viva com a mudança que me acontecer.

E que, enquanto não acontecer, estarei pouco acordado, pouco ciente, pouco disponível e bem descontente neste 2007, pois eu tenho um objetivo. E se, nem esse objetivo me fizer levantar e crescer, que a mudança que este cometa traga seja a morte.

E tenho dito.

music of the day: Ambulance Ltd - Stay Where You Are

"Essa não é a musica que os arcebispos ouvem quando estão fornicando
Esta não é a música que as enfermeiras ouvem quando estão matando

Qual será esta música?
Quem ouve esta música?
Pra que serve esta música?

Esta não é a música que os jornalistas ouvem quando estão mentindo
Esta não é a música que os suicidas ouvem quando estão caindo

(Laing, Chessman... farão música pop
Warhol, Kubrick ... farão vídeo clips
Sandino, Marcos... milhões de heróis se acotovelam em nossas telas
e nós os velamos em nossas salas chupando balas)"
Mundo Livre S/A - A música que os loucos ouvem

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

aim it!

Veja só, eu não conheço profundamente a ciência do sonho, mas como um bom cobaia que sou (cobaia é masculino, feminino ou de 2 gêneros? Todos estão estudando português, e me vejo um atrasado plenamente agora) posso dizer que existem ao menos 3 estados do cérebro: "pensando","meditando" e "sonhando".
  • ao meditar, não há pensamento, ou pelo menos não é isso que ele está priorizado pra fazer.

  • ao pensar, o pensamento trabalha, mas não é ele que está tomando conta de você.

  • ao sonhar, ele toma conta de você e trabalha tanto por ter que controlar você que quando acorda, seus pensamentos ficam confusos, tentando lembrar até onde você está.

É incrível que haja uma pessoa por trás do seu cérebro que é você mesmo. É incrível e assustador que a gente fique em outros lugares, inclusive onde nunca vimos, vendo pessoas que nunca vimos e sentir e fazer coisas que nunca sentiríamos ou faríamos, a cada noite que passa. E porque é tão difícil de lembrar de todas essas coisas? Isso é muito metafísico para mim. Meio inacreditável se não fosse meramente cotidiano.

Mas existem outros sub-estados, alguns que fazem uma mistura entre esses estados, outros que envolvem uma outra parte que poderia ser tanto cerebral como mística que é o coração.

Se coração fosse um cargo público, seria a maior ingratidão do mundo, assim como é o papel de um programador. Por que programador? Porque essa é uma disciplina em construção: Tenta-se fazer programas assim como engenheiros fazem suas engenharias, mas não se consegue. Você pode fazer programa de qualquer coisa, mas o que ele faz mesmo pode ser tanto ruim como bom, e para fazer um programa bom é um imenso desafio e... bom... em poucas palavras, é um trabalho que se faz pensando no futuro que, pensando bem, nunca acontece, e o futuro que você não pensou, esse sim acontece. O que eu quero dizer é que o coração faz coisas indesejáveis ao cérebro e ao eu. É muita ingratidão, esse cargo, e depende muito de talento e sorte. Depende em excesso.

Seu talento que eu digo é sua facilidade em algo que pode ser nato ou pode surgir depois de uma hora ou de uma frase ou outra coisa. Não sei outra palavra além dessa.

Eu... inda tenho coisas demais pra aprender e que já deveria ter aprendido. Coisas que não aprendi ainda por falta de talento. E me percebi que fico irritado e impaciente quando algo desse analfabetismo age. Frases vivem passando perto de mim... "Vc é do tamanho do seu sonho!", por exemplo. Qual é meu sonho? Você não sabe qual o seu sonho? Quem é você, então?

Quer dizer que é tão simples crescer nesse sentido? Você arma a porcaria do seu cérebros com algumas formulas, alguns versinhos e versículos, uns fatos históricos aqui, um país alí, um inseto acolá, e pronto! Que você quer fazer da vida? Ele tem esses 3 estados, em qual deles ele trabalha melhor? Bora, rapaz, que a fila tem que andar! É tão simples assim?
















...


Se é, porquê o nome da minha barcaça não se chama paciência, mas preguiça?

Aí você forma o idiota do seu coração com romantismo, ironia, umas piadas, alguma gentileza... E tudo que vejo é o espaço, as estrelas, o quarto cheio de poltronas que considero aconchegantes e uma porta aberta com uma vassoura de cabeça pra baixo. Você vai se compondo de cultura mas tudo o que você ouve é música, história, esquecimento e vontades curtas.

...

A era espacial não era a infância, mané! A era espacial ainda vai ser.
Quem disse que é fácil nadar no rio junto com a correnteza? É muito grave isso de ver o nome de sua barcaça escrito preguiça é grave, grave mesmo! Tão grave que você fica com 24 anos, escreve quinquilharias sobre você mesmo, não é quase nada que não uma lembrança de alguém e tem preguiça de mudar de embarcação.

Setas verdes que eu atiro em folhas no ar e a esmo... Serão elas ainda verdes, se atiradas em maçãs sobre a cabeça de meu precioso amigo?

Movo-me feito satélite... Meu futuro jaz em uma viagem espacial?

A pessoa é, realmente, do tamanho dos seus sonhos? Será que isso é verdade mesmo? Ou será que ela é só para o que nasce?

music of the day: Chico Buarque - Xote da Navegação

"Sempre ouvi dizer que recordamos toda a nossa vida no segundo anterior à morte.

Primeiro, esse segundo não é segundo nenhum... continua para sempre, como um oceano de tempo. Para mim foi como estar deitado no acampamento dos escoteiros, olhando as estrelas cadentes. Como as flores amarelas dos áceres da nossa rua.

Ou as mãos da minha Avó, a pele dela cheirando a pergaminho...
Ou a primeira vez que vi o novo Firebird do meu primo Tony.
E a Janie. E a Carolyn...

Talvez eu devesse estar fulo pelo que me fizeram. Mas é difícil ter raiva havendo tanta beleza no mundo. Às vezes parece-me vê-la toda ao mesmo tempo, e é demais! E o meu coração incha como um balão prestes a rebentar...

Até que resolvo descontrair-me, e parar de tentar agarrá-la.
E aí ela passa através de mim como chuva e não consigo sentir nada a não ser gratidão por cada um dos momentos da minha miserável e estúpida vidinha.

É claro que vocês não fazem a menor idéia do que estou falando. Não se preocupem. Um dia saberão."

American Beauty

Terça-feira, Novembro 28, 2006

hush it again!

Desolação

Ah, o silêncio, sereno, tranqüilo, perverso
Este ar parado, esta luz intermitente
Ah, como minha cabeça é barulhenta
Tudo o que penso é estática, zoada
Zumbidos das moscas entrevoando o juízo
Ah, o silêncio. Mortal.
Mortal como a vida é mortal.
A cada dia nascem sementes
A cada dia elas brotam semeadores
Ah, silêncio, separador dos joios e trigos,
Como somos ratos! vejam o silêncio!
Que alienígena poderia sucumbir a sua raça
Ante a face aterradora deste espelho?
Quem semeou este mundo? Quem mudou a Terra?
Ah, silêncio fecundo, guarda tuas raízes
Arranca tuas ervas daninhas, guarda a esperança
Onde houverem cupins a procura do amor
Não os alimentemos com o ódio! Não vos perpetueis!
Oh silêncio do Deus mais forte
Entrega teu ramo e tua espada
Não terás diamantes nem velas
Tua casa se encheu de ódio
Mas as casas em que moram o silêncio musical
Derrubarão torres de aço com os sopros dos bem-te-vis
Ah, silêncio, onde tu moras?
Quero te mostrar quanta sede a alma humana tem
Entre seus dentes carnívoros de orgulho
Eles se rasgam, música do tempo,
E tragados se afogam na corrente do próprio mar
RCL, 2002


music of the day: Tool - Vicarious



André Dahmer, o segundo mais miserável quadrinista brasileiro em atividade (o primeiro é Allan Sieber)

Terça-feira, Outubro 31, 2006

beg a pray for it!



Senhor, nosso Deus, nosso Pai,

Perdoe, Senhor, minha indignidade.

Não é aquele pedido de desculpa pela voz rouca antes de discursar, Senhor. É só urgência mesmo. Nem isso, é mais como uma reza católica invertida. E atrevida ante a minha infidelidade com tua Palavra.

É que eu te peço perdão, pois lá no fundo há um vácuo, outrora cheio de água do mar, logo após seguido de sangue quente, escuro, forte e arterial. A culpa é minha, Senhor, mas eu me pergunto se também não devo culpar pelo meu Eu que vivia nos meus 10 anos de idade, se eu devo culpar alguém mais pela minha cerne arredia. Sinto-me evacuado e, porém, mais pesado que o chão.

Por isso, Senhor, peço licença, já que o atrevimento concerne a um pouco mais do mesmo: Peço Senhor que ore para o vento. Vento este, Senhor, não o que criaste, mas o que te motivou a criar, a seduzir, a esculpir e a fazer planos... a este... a isto que não tem palavra, Senhor, que até o Senhor mesmo deve estar sujeito a ele. Entende? A este vento que leva as naus para os continentes novos, e aos piratas para novos saques, e às casas sujeitas aos teus ciclones, que ofereçem a seus donos um novo começar... Você entendeu. Então...

Peço uma oração, Senhor. E um perdão.
Chama o vento, e jogue-me no mar. O vácuo não vai me fazer afundar, né?

Meus agradecimentos vão além, tão além quanto um filho precisa agradecer à mãe. Minhas orações também, bem como meus sonhos e meus medos. Eu não posso me extender, meu Pai. Meus pés estão sujos feito piche e chiclete.

Faz soar minha rádio, meu silêncio Senhor, deixa Tua canção sobre minha respiração.
Saúde o Vento, por mim e diga que eu desejo-o, do fundo do meu coração.

Abro os olhos e sonharei, Senhor. Em ti adormeço
Em nome de Jesus,
Amém.

.

music of the day: Mozart - Requiem - III. Sequentia: Lacrimosa

Desconheço o autor

Terça-feira, Outubro 24, 2006

let them wait for it!

Donde o homem fez-se do barro e do osso fez-se a mulher, as mãos foram de um braço que foram de um corpo que foram de uma alma que se iluminou. Humanos espantam e se espantam, velhas palavras dão vida nova, a morte traz vida, a história reina soberano, mas quem governa, Rainha, é Freud.

Pois os sonhos calçam chinelos surrados, sobem à Serra Pelada, escrevem cartas suicidas aos pais antes de voarem (Lembre-se que um dia um homem teceu sua asa quebrada e despencou dos céus para poder voar), e quem nada pôde fazer, pode dançar... A ironia, a dormência e o filho: são eles que constroem o século.

Digo isso, pois sou teu pai. Você nunca me conheceu, nem produzi tua metade, mas saiba, filho, que novamente o mundo gira, as crateras da lua se espalham e você só tem a certeza de que estará cá comigo um dia, mesmo que não saiba.

Onde estão os tijolos que ergui para contruir seu berço?
Nâo permita que os monte para fundar sua cripta!

Nós que aqui estamos, embaixo da Terra, acima dos Céus, não mais olhamos as letras de nossa história que vocês continuam... Olhamos estrelas, fitando, estudando, mergulhando, invadindo, penetrando o espaço deste universo, como se não mais existíssemos.

Por vós esperamos, meus filhos. Para os mortos, nada mais nos resta, a não ser a espera.

music of the day: Glenn Miller - Moonlight Serenade

"Nunca dominaremos completamente a natureza, e o nosso organismo corporal, ele mesmo parte desta natureza, permanescerá sempre como uma estrutura passageira, com limitada capacidade de realização e adaptação"
Freud

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

reveal yourself to it!

Ianne (que possui um dos meus web logs favoritos) lançou desavergonhadamente uma maldição para 6 pessoas. Veja você que eu fui um deles! Agora eu passei a semana me defendendo de um coelho gigante que tem um tiro no meio da cara pra eu poder tomar banho... Só porque eu não coloquei meus podres no meu blog. Ora essa! Ele é CHEIO de podres! =P

Mas enfim...

Para que eu me livre dele, eu, desavergonhadamente, lanço a mesma maldição para... mmm...
Vcs escrevam 6 podres seus que ninguém saiba! E mandem para 6 pessoas! Este coelho foi embora e agora está correndo atrás de vcs! Se cuidem!

(Eu soube q esse coelho apareceu em Donnie Darko... é verdade? Ainda preciso ver este filme...)

Agora eis os meus (que acho que quase ninguém sabe, mas duvido):
  • Eu tenho um segredo impossível de se contar. Impossível, pois mesmo se eu pudesse impossivelmente explicá-lo e alguém improvavelmente entendê-lo, muito dificilmente alguém poderia acreditar, e mesmo se acreditasse não faria a menor diferença para o mundo. Mas o segredo não é nada disso que vcs estejam pensando. Nem isso, nã!

  • Eu tenho um terrível hábito de colar provas, mas já parei com isso a 2 anos atrás. Tem um jeito muito eficaz: As vezes a prova tem uma folha com as questões e várias em branco para responder. Pois bem, é só colocar a cola entre essas folhas em branco e sempre que escrever, nunca abrir totalmente, mas fingir que está escrevendo por baixo delas.

  • Um dia eu e minha irmã jogamos nosso cachorro do alto da varanda de casa (que era baixinho, mas nem tanto, tipo 1,2 metros) e ele quebrou a pata. Fizemos outras maldades com ele. Acho que nós não merecemos o céu por conta disso. E depois dele, nunca achei que eu realmenhte merecesse ter um bichim de estimação.

  • Eu gostaria de ter presenciado a cena em que a PIBN rachou.

  • Já roubei cds do hiper. Uma delas foi totalmente sem querer, eu juro! Eu só fui perceber que eu tava com o cd na mão qd sentei no carro.

  • Sempre tive imensa curiosidade de saber como é estar desmaiado ou em coma ou morto. Mas por questões éticas e sociais e de vergonha de tal morbidez, eu tenho paciência em só ficar curioso.
pronto. me sinto mais nu agora.

.

music of the day: Metropolis Pt. 2- Scenes From A Memory - Act I , Scene Four - Beyond This Life

Anônimo, mas achei a foto nesse fotolog escrito na própria.

see its hush!

(Aviso que, em virtude de a maldição não combinar muito bem com este post, irei adiá-lo para a próxima postagem. E se caso o coelho me atacar neste meio tempo... pelo menos eu terei morrido travando o bom combate com uma cenoura na mão ou pelo menos como um gentleman, oferecendo-o uma xícara de chá de camomila ou um Oreo)

Estrada amarela
Luzes solitariamente em pares em 2 vias: brancas vindo, vermelhas indo...
Um som contínuo de cidade, mas como se de praia fosse.
Tudo é quieto, tudo silencia.
O viaduto é uma árvore, a cidade é um chão de estrelas caídas... cansadas? perdidas?

!

As estrelas caídas chegam pela auto-estrada em direção à cidade, vermelhas de exaustão, e ao atravesarem a árvore, descansam, se amarelam, se embraquessem, e tomam a auto-estrada e vaporizam-se, prontas para iluminar a noite dos homens, ora reunidas no brilho de uma lua solitária, ora esparsas, como furos de um teto escuro sob o céu iluminador...

Auto-estrada... Aeroporto...

Nada, exceto o Tempo, encerra este momento
Sublime.

music of the night: Thea Gilmore - Saying Nothing

"A Alegria
É toda feita
De melancolias."
Millôr Fernandes - Hai-Kais

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

hug it!

Olá, mundo! Quantas saudades! Como vai? :)

Ando bem, grande. Ando bem. Ás vezes penso que tudo na mesma, outras onde acho que estou muitíssimo diferente do dia passado. Você sabe como são as coisas, não é? Claro que sabe!

Como vai vc? Me mande notícias! Ando recebendo-as as vezes, mas eu as acho vazias, com timbres iguais e iguais e cada uma delas com tom de que é muito diferente do dia passado... Que nem comigo. Há! Somos iguais, mundo? Haha! Essa pergunta me causa uma risada seca e um sonho pendente.

Poisé, mas por causa disso, eu tenho vontade de não me importar com o que os jornais dizem, sabe? Tenho tido esse pessimismo com os jornalistas, com diretores de cinema, com revoluções e rebeldes e todas essas coisas que um dia já fizeram muito sentido. Eu fico com essa impressão de vazio e de que há em você um talento fora do normal e que ainda não explodiu. Talvez tenha explodido... eu vou ficar com o não. Desculpe se minto mas é que eu falo "talvez" demais.

Os espíritos pairaram sobre meu quarto ontem, mundo, vc sabia? Que nem bruxas circulando em vassouras de palha voadoras, rindo sem alegria e se divertindo com minhas pequenas tentações. Mas eu ouvi as risadas deles. Percebi como riam, mundo! Eu sei que você me avisou, me desculpe! Tomarei mais cuidado...

Gostaria de avisar isso, mundo. Tem muitas coisas que eu gostaria de te falar, mas eu ainda tenho que aprender a ler e escrever. Não fique ansioso, a vida é curta, mas não é finita. Tenho pessoal certeza. :)

Agora eu vou dormir. Esteja bem, mundo. Sério mesmo! Claro que isso não é lá muito esperançoso, mas o espírito é esse. Onde vc for eu vou atrás, de qualquer maneira.

Um abraço, amigo, desses de abraçar a Terra.

teu,
R.

music of the day: Pitty - Memórias

Desconheço o autor. Se alguém se ofender com o fato de eu colocar fotos que, secretamente, não são permitidas, me avise antes de qualquer coisa!

Terça-feira, Agosto 22, 2006

post it in another way!

Toda vez que entro nesse blog eu olho pra tela e a tela olha pra mim, e ficamos guerreando com os olharesm e, como eu já não sou muito de suportar olhares, perco logo. Coloco frases para guerrar, mas não tem jeito. Não é falta de assunto. Nem falta de vontade. É... talvez... vergonha... e memória.

Escrevemos em cadernos porque ninguém vai ver. E se escreve nele. Com a mão! Pasmem, alunos de futuramente, a gente usava canetas e lápis e tudo era muito volúvel, evoluído, livre e sem grandes (nenhumas, aliás) expectativa de audiência nem (talvez) quase nenhuma ambição. Simplesmente o tracejo de uma palavra secreta. Simplesmente a palavra que sai de nossas cabeças quando estamos prestes a sonhar.

Então tudo o que eu queria não era uma câmera, mas um scanner. Isso é bem mais fácil de arranjar. =]

Mas mesmo assim, queria eu saber desenhar e ter uma letra menos feia. =/

...

ok, então. er... 6 cerquilhas que me agradam:

# Músicas, de olhos fechados;
# Belezas, até dar uma tristeza;
# Amigos & Família, alegremente em torno da mesa;
# Ótima idéia de alguma coisa;
# Solidão como aliada;

...

music of the day: Totonho e Os Cabra - Jaspion do Pandeiro

"All writers know that on some golden mornings they are touched by the wand—are on intimate terms with poetry and cosmic truth. I have experienced those moments myself. Their lesson is simple: It's a total illusion. And the danger in the illusion is that you will wait for those moments. Such is the horror of having to face the typewriter that you will spend all your time waiting. I am persuaded that most writers, like most shoemakers, are about as good one day as the next (a point which Trollope made), hangovers apart. The difference is the result of euphoria, alcohol, or imagination. The meaning is that one had better go to his or her typewriter every morning and stay there regardless of the seeming result. It will be much the same."
John Kenneth Galbraith

Sonho Nº2

Veja onde está
Minha guarda,
Não seja tão tola:
Venha me dominar.
Vejo-te mais bonita
Como se com os olhos
Não visse, mas como se ter
a visão do sagrado prometido...

Se desperdiçe
Pra economizar,
Quando sujo espelho,
Outrora amaldiçoado,
Dizer apenas as verdades
De teu futuro já passado,
Não viveres de teu pretérito
No vil e vão arrependimento.

Note meu tom:
Imploro? sim!
Não fique longe:
A paixão me dói
Como saudade fosse...
Sonho-te em verdade,
Como dirás que me ignoras
Se eu te vi em meus sonhos?

RCL, 2003

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

find about it's happiness!

Faculdade Universal de Sistemas Humanos
Disciplina: Laboratório de Engenharia Pessoal

Miniteste MCMIII

1) Marque a(s) opção(ões) correta(s) acerca da definição da Felicidade e justifique-as (Caso deseja incluir outras definições, sinta-se encorajado com algum aumento de nota).

(a) Você é um deus de uma seita do interior dos Estados Unidos e TODOS os seus fiéis se suicidaram.

(b) Antigamente vc tinha lembrança vívida das coisas, mas grande parte delas eram coisas ruins e que te causavam (e causam) vergonha e embaraço, mesmo sem ninguém por perto. Por vc querer esquecê-las, se tornou alguém com memória curta e todas as lembranças que vc tem agora são memórias de memórias, tanto das coisas boas quanto das ruins.

(c) Você trabalha em áreas das quais nunca te agradou, mas você não se importa e não reclama e tenta fazer bem-feito. Consegue fazer somente o estritamente o necessário. Mesmo assim o salário é bom.

(d) Agora vc está sem dinheiro, com conta em atraso, sem emprego nem mesada, sua namorada te deu um pé na bunda, sem comida e não pára de sorrir, feliz da vida.

(e) Você doou seu castelo que foi passado de geração em geração a mais de 3 séculos para um asilo de velhinhos.

(f) Você está em paris e é um rato. Ás vezes você encontra queijo do reino e Tipo Camembert no lixo.

(g) nenhuma das anteriores. (Obrigatório citar um exemplo ambientado na lua ou em atlântida durante os conflitos que causaram seu desaparecimento)


2) "Ser feliz é ser você mesmo." Escreva 1 biografia de alguém próximo a vc que justifique esta afirmação, 1 biografia de alguém que não conheça você (principalmente um famoso, mas não é obrigatório) que contradiz a mesma e compare as dissertações com a sua própria vida. Citar sua infância como um momento de felicidade não alterará em nada a nota, portanto, recomenda-se em não insistir justificativas derivadas deste pormenor.

Boa Sorte!

...

music of the day: Dav Matthew's Band - Stay

Quino - Mafalda

Quinta-feira, Agosto 10, 2006

read about it!

A realização do homem de ser e continuar sendo é tão nobre quanto a de qualquer vida. Sua natureza que a grande maioria de seus indivíduos pertence a uma camada de consciência que cresceu de maneira exponencial durante os últimos séculos, O que acontecerá? Eu não faço idéia, porque agora essa consciência está chegando a um grau que começa a bater com os limites impostos por seus antepassados (que não são tão ante assim). A democracia não é mais suficiente, a ética tem sido desafiada várias vezes por polêmicas que a um instante sideral atrás não eram sequer possibilitadas por um debate, e a própria concepção das coisas mudou, como a maneira de enxergar o tempo e a luta entre o espaço e a tecnologia. O que vai acontecer? A resposta enche-me de excitação.

Obviamente tudo isso pode não levar a lugar nenhum. Pode ser que o século passado foi um grande salto e agora a humanidade passará a ficar na mesmisse de sua avançada tecnologia e sucumbirá ante sua própria arrogância como uma estrela que nasce brilhante e tornasse gigantesca até explodir-se e diminuir e transformar-se num objeto friamente clara e morrer de inanição. Como dinossauros que morrerão na plenitude de sua classe e darão lugar a uma espécie ainda mais sublime no domínio deste lugar. Como um pêndulo que se desacelera e chega a um momento que pára para voltar a se acelerar e dar movimento a um novo sentido.

Igualmente óbvio, também há a possibilidade de que assim chegue um momento em que as travas que seguravam a mente dos homens, outrora necessárias para sua sobrevivência, não sejam mais necessárias e sendo desatadas com acelerações imperceptivelmente medidas em meses até que de repente a criatividade do homem o libertasse da ignorância e alguns de seus filhos pudessem continuar a vida ainda mais sublimes que o homem, bem como os filhos de predecessores dos macacos ganharam contornos humanos. Esses filhos ou os filhos destes filhos teriam como banal o pensamento do que separa a mente do corpo, e assim livres estariam da limitação e hostilidade bio-quimico-física das 3 dimensões.

A resposta disso tudo, Graças a Deus, não está acessível, mas as canções da maravilha do desconhecido porvir é belamente poetizada em centenas senão milhares de ficções científicas que estão escritas por aí - cujos vesos são provavelmente meras substâncias de centenas senão milhares de sonhos para cada um.

...

Droga, eu já escrevi sobre isso. Parece que eu preciso pensar em novos discursos... Por isso que tenho tantos posts ridículos e não postados.

music of the day: Clara Nunes - Feira de Mangaio

Desconheço o autor

Sexta-feira, Julho 14, 2006

keep making questions about it!

A história é de uma menina cuja casa é invadida por lobisomens. Eles não têm nenhum efeito de computador, são tão lobos quanto os lobos, só que providos de alguma inteligência humana, fria e mortal. Um deles mata o "pai" dela. Depois disso, todos vão embora e ela cheia de desespero e medo foge, pra algum refúgio. Mas neste mundo estranho e vasto, não há refúgio, mas buscas sem fim...

O mundo em questão é estranho. Estranho para espectadores que olham para uma poesia como um ninja em pé sobre um caule de uma flor com descrença e desprezo. O mundo não é composto de mar, mas de ar... Continentes têm tantos tamanhos e são tantas as ilhas e são todos todos flutuando no ar sob uma corrente de ar como se zepelins fossem, passeando lentamente (Estariam lentos? Estariam parados? Estariam em velocidade tamanha? Não há como dizer, neste mundo onde algumas, e só algumas compreendiam a natureza e a física deste lugar) sob um céu cheias e cheias de nuvens e chãos fragmentados, e fundo desconhecido. Poucos lugares se comunicavam uns com os outros. Menos ainda mantinham-se comunicadas.

Na ilha desta menina, onde muitos campos e muitas montanhas existiam, existiam também muitas rochas que foram montanhas e com as pedras destas montanhas, ergueram a metrópole, cidade solitária e imensa, tão imensa que até as árvores mendigam, e os campos se desertificam e a mata outrora densa, tornam-se ralas... Há rios que são alimentados pelas chuvas e há lagos e há um lago e um rio na metrópole que recebe dejetos q no fim cai pelo vão infinito da foz deste rio.

E há em volta da metropole a cidade satélite, onde toda a violência e desigualdade tem um lar... Qualquer um que entra ou sai da metrópole passa por este distrito. Qualquer um que tenha atrevimento.

...

E tudo tudo tudo pode ser criado tudo por causa de uma pergunta simples:

E se houvesse um mundo feito de ilhas flutuantes?

E Deus então vai responder: "Haja luz!"

^^

music of the day: Yann Tiersen - La Noyee

""Justo é o sutiã, que oprime os grandes, levanta os caídos, e protege e disfarça os pequeninos!""desconheço (mas se alguém souber me avise!)

Segunda-feira, Julho 03, 2006

react it!

Com sorriso amarelo quase verde (ou verde quase amarelo, dependendo do ângulo) Jonny sorri para Lady Madona que sai do pizza hut sem sequer saber da existência dele. Insistente, Jonny sai do encosto de seu brilhoso laika azul conversível e tenta fingir que está atravessando a rua, só olhando para indiferente Lady, como quem finge que não quer nada. E Lady Madona, acompanhada de Cecí e Arlinda conversam alegremente fofocas que ninguém pode saber.

Elas entram no carro de Lady Madona (cadillac, 76, conversível também, vermelho crimson, Lady é a motorista de óculos escuros em forma de coração), e ela faz que dá a partida. Não dá. Pois repentinamente, Jonny está encostado na porta de Lady Madona, olhando por cima de seus óculos de caminhoneiro, emitindo olhares variando entre 32, 64 e 49 e falando com chiclete trident canela:

- Hello, mon chér... pronto pra dar um rolé?

Lady Madona, olha através de seus óculos escuros (Porra de óculos escuros!, pensa Jonny, com somente o cérebro tremendo). Não há qualquer revelação de seu rosto. Responde dando a partida no carro:

- Não sei, tenho aula de Tênis...

E partem. Suas amigas não dizem nada, como se assistissem um filme dos anos 70...

Jonny sabe que ela lhe conhece. Se conheceram melhor em uma noite melhor.

E Jonny preferiu que tivesse levado um fora.

music of the day: Pedro Luís e a Parede - Ciranda do Mundo

"Um porco que não voa é apenas outro porco qualquer"
Visto em Porco Rosso, filme de Hayao Miyazaki, mas acho q é ditado de algum domínio, o qual tenho preguiça de encontrar.

Domingo, Junho 18, 2006

call it!

(num papel dobrado, em um lado tinha um labirinto e no outro quadrinhos vazios e esparços disputando uma página minúscula e palavras exceto a última, pq nada original tem a última palavra.)

Você
Que vence a vida
Vence a morte
E torna a nascer
Aprende os nomes outra vez
E vê as estrelas novamente
Você que cuida e é cuidado
Você que sara e é curado
E que serve e é servido
Da alma limpa, da boca livre
Do juízo que te convém
Você que soltou de seus ombros o mundo

Vá até o reino do reino
O núcleo do núcleo
O santíssimo lugar
E diga ao que é o que é
Que pedimos para que lembre
E que nos busque, outra vez,
Assim como você foi
Lembrado.

music of the day: Saudade dos Santos - O Meu Amor Marinheiro

"Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta."
Manoel de Barros

Quarta-feira, Junho 07, 2006

grow it up!

That is the title's post, and that is what you (don't) have to say.

Grow your future up, little boy, didn't you already figured it up? You almost 24, Christ' sake!

That's what you take when you don't. That's the effect of something that hasn't anything about it does to you. Sensibility, HA! Look at your last post. It's chicken, you!

You saw the smoke on the water of lake of bodocongó. The most beautiful thing you ever see at this month (that just began). And you saw Spider-Man comics (which is fantastic). And you heard an underground disc that you didn't bought (well, wherelse would I find this? Whithout knowing it?!). And you had another nightcrawl.

And the result is this post! man...

what?!

Why are you doing this in english?

I...

Are you trying to cover up your soul from your cowardy?

I...

Have you been trying to be a better man this year?

I--

What do you have to post today?

I--

Have you ever noticed that the I-I-I thing you do in this blog bores more than anything else?

I did--

Have you even got the everlovin idea that "I" is the same fonetic thing than an "ai" scream???

...

What do you have to post today?

I can't help with not being me.

Coward!

I just--

Shut up, man! Shame yourself! You're not--

Don't--

I will not have a self-help conversation!

...

Look. If you have to cry, cry for the smoke. But don't... Can't you listen everybody yelling at you? Please... Don't give up!

Is that what you--?

Do. Not. Ever. Give up! Anymore!

I can't--

Don't you dare! Grow up, weirdo! Never ever give it up!

... ok.

Now close this and go to bed! And pray!

música do dia: Jorge Ben Jor & Gilberto Gil - Essa é pra tocar no rádio

"O povo tem o governo que merece."
Dito antigo, ao que me consta.

Segunda-feira, Junho 05, 2006

ask for its forgiveness!

Perdão, mundo, me sinto um estorvo para ti.

Perdão, amigos, perdão por minhas negligências, meus sumiços, meus silêncios.
Perdão as pessoas que eu desejo ter amizade e não consigo. Eu não posso oferecer tanto mais além de meu sorriso.
Perdão as pessoas que eu odeio sem razão, eu odeio odiar sem razão. Perdão, não queiram mal de mim.
Perdão vcs que sinto saudade e não digo. Perdão amigos que não são amigos. Perdão os bilhões que não conheço.

Sinto tanta saudade de tanta coisa com tanta gente. Nunca disse, e eu viro mais um neste mundo. Saudade mata a gente, nega.

Perdão por minha falta de franqueza.

Desculpem-me, mas eu não posso negar o que sou.
Eu vos amo em segredo. Em segredo, pois meu eu mais retardado não pode saber disso.
Perdão, mundo, pelos meus pecados, pelos plásticos jogados na terra, pelo xingamento à toa, pelo desperdício.

Perdão, pessoas boas do mundo ruim.
Eu vos admiro de corpo e alma. Em espírito e em verdade.

Perdão, donas do meu coração. Desculpem-me companheiros do riso matinal. Olha só, vida, o que foi que eu fiz.

Há tanto tanto pelo que fazer para remediar que não sei por onde nem como começar.

Este post é o mais sóbrio que alguém possa entender. E o mais incompleto que já fiz.

music of the day: música de rabequeiro.

"When two elephants fight in the grass...
...The grass suffers."
Old Liberian Saying

Sexta-feira, Junho 02, 2006

blame it (for nothing)!

Eu preciso tirar férias das coisas eletrônicas. Ficar só com um tocador de música e, talvez, um celular.

music of the day: The Flaming Lips - Fight Test

desconheço o autor...

Quinta-feira, Junho 01, 2006

period it!

Começe a escrever uma só palavra interminável palavra que está presa na garganta até que você captura na ponta da língua sem mais nem menos e puxa e puxa e puxa que nem um fio até que da boca do estômago TUM sai uma rolha presa na ponta e você inteiro ou inteira total e inexoravelmente vc é tragada pelo redemoinho e como se fosse você acordando de um sono profundo vc não desce mas sobe e acorda e tudo é mais ou menos o que parece e não há mais palavra pra vc falar nem nada e cobram vc para que vc fale mais e mais e mais e eles não entendem que ele não está no ar e vc não acha e vc fica com raiva deles e então se droga pra tentar sonhar com as palavras voando na frente dos seus olhos novamente e daí não sabe mais como parar de descer pro sonho pq descer é muito mais fácil que subir todo mundo sabe disso mas parece que os agentes não mas pitomba els são tudo o q vc tem pra se chamar vida normal e não há vida normal só sensações e palavras intermináveis e trens andando em pé sobre pranchas de surf em forma de celulares Siemens A52 espelhado onde tem aparecendo que uma mensagem está te esperando e você abre esperando que é um espetáculo mas um punhado de letras e vc responde involutariamente pedindo mais e vc acorda numa banheira pelado com duas mulheres se beijando no lado e então vc diz pra si mesmo que essa não é a vida que vc quis cheias de palavras intermináveis que chovem no seu peito feito balas AR-15 e de paintball verdes atingindo o visor do seu capacete e vc e vc e vc e vc e vc não pára de aparecer nas suas palavras intermináveis e ninguém quase ninguém mais aparece e todos chamam sua atenção mas é tarde demais pq só existe vc e vc e vc e vc e seu quarto está fechado e a palavra interminável está escrita a unha em todos os cantos do seu quarto pq a madeira do seu lápis grafite já acabou e o plástico do tubo da caneta não sai nada e todos os anos todos os anos em que vc escreve palavras intermináveis vc não percebe que não é mais eles pedindo pra vc suas palavras intermináveis nem ninguém pedindo pra entrar entre os vcs de seus vcs nem porra nenhuma mas pra vc acordar pelo amor de deus pq há fogo na sua vida e ela que é única nunca pediu por palavras intermináveis pq vc precisa respirar enquanto fala e não usar tubos enquanto vc está em coma sem dizer palavras nenhumas e então aí está o médico que te falam que vai te ajudar a não mais sonhar e ficar dizendo toooooodas essas palavras intermináveis e ele diz que é tudo muito simples disse e disse com essas palavras termináveis disse que vc tinha que achar vc mesmo pq psicólogos não são guias e vc fica fica fica ignorando as palavras intermináveis zumbindo na sua cabeça e vc está corajosamente ignorando e o médico do seu lado e seu corpo já vazio de vida dando cabimento para seu último suspiro que nunca acontece pq os diabos das palavras intermináveis nunca terminam mas vc pergunta e o médico do seu lado segura sua mão e vc olha entre os traços finos dos seu olhos as pessoas que amam vc e que amam por suas palavras intermináveis foram as drogas choravam as merdas das drogas doutor e pedindo o que sua vida lhe pediu sempre e vc percebe que a única coisa de que precisou pra acabar com todas as suas infinitas palavras era de um ponto.

music of the day: Chico Buarque - Pequeña Serenata Diurna

"Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão..."
Gilberto Gil - Drão

Terça-feira, Maio 30, 2006

make it insane!

Eu mandei isso pra júlio botar no jornal do DCE, então vou colocar ele. Eu gosto dele, apesar de ser meio assim, sem nexo. Tem nexo, mas não tem.

Versos do Vento

Não são estes homens
Fantasmas do dia?
Crianças nos sonhos
Das faces antigas
Nos dão em rabecas
as arqui-cantigas...
Não são estes os lares
Das tardes bem-vindas?
Demônios e anjos
Trocam figurinhas
Com cada uma revelando
Algum retrato da vida.

"Estranho o paraíso...
Sinto na amídala!
Não é este o dia
Em que verei teu riso?"
"Humano deste espírito,
Onde está tua alegria?
Estou além da ventania
Quando estarás percebido?"

"Como estarei percebido?
Pois tenha paciência!
Existe assim tanto além
Pra que a vida seja limbo?
O céu que a gente vê
É um passado esquisito...
Não me venha só com tudo isto.
O vento carrega a ciência."

...

music of the day: Madonna - Hung Up

"Coringa:

E quem é este
Puro
Tolo?
Eis que,
Nas sagas dos velhos tempos
Lendas de escaldo
De bardo, de druida,
Não vinha ele trajando
Verde como a
Primavera?
O
tu, água, que é ar,
Em todo complexo
Se resolve!

Oh! Sim!
Encha as igrejas com pensamentos imundos!
Apresente a honestidade para a casa branca
Escreva cartas em líguas mortas
Para pessoas que nunca conheceu!
Pinte palavras sujas na frente de crianças!
Queime seus cartões de crédito
E use salto alto!
Portas do hospício escancaradas!
Encham os subúrbios com estupro e morte!
Divina insanidade!
Que haja êxtase, êxtase nas ruas!
Ria, e o mundo rirá com você!"
Asilo Arkhan (Grant Morrison / Dave McKean)

Quinta-feira, Maio 25, 2006

quest it!

Donde se sai o que se diz? Donde se esdtabeleçe o primeiro pensamento? Falar e escrever são diferentes, então significa que são duas consciências diferentes, que te guiam? Não, falar é imediato, escrever é cauteloso. Psicólogos riem ou olham com soberba minhas perguntas, mas o q desejo procurar não é a raíz do cabelo, mas o cocuruto.

E este é o problema de falarem essas respostas. Elas nunca respondem. Não como deveriam. E se respondessem, não daria pra entender.

Eu desejo um olho
Em que entrasse no corpo
Encontrasse o ponto
O lugar onde se existem as microinstruções
Onde separa o físico do lógico
(Para os que não são de computação: do lógico para o ilógico)
Não porque quero achar o defeito
Não por autoconhecimento
Mais por...

... por mais.
Preocupações.
Sabedoria.
^_^

music of the day: Louis Armstrong - Hello Dolly

Desconheço

Quarta-feira, Maio 24, 2006

sing it!

Me cante uma cantiga sombria, Amadeus,
Que eu estou feliz, não sei por quê...
Não sei o que vai ser de minha vida
Não há futuro que seja previsto
Para que me mostre...

A rima.

A correta, vc sabe.

Quando o poema longo onde a gente empilha os versos a cada segundo da vida tiver que acabar... Será uma rica rima ou uma miserabilidade?

Me cante uma cantiga sombria, Amadeus.
Me cante uma que me faça relaxar.
Uma em que as letras fluem livre e belas
E as melodias não nos façam suar.
Conversar com quem se goste
Sem mais nada a me preocupar
Me cante uma cantiga de amigo, Amadeus,
E me conte uma história fantástica.
Duas...
Três...
O bastante para minha infinita tristeza. ok?

.
.

Cante-me uma cantoria, amadeus, e encante a janela
Faz dela cantar um som de chuva escura profunda oriunda dos bojos secretos do paraíso de água mineral lípida, águas da Vida Eterna, enfim...
Faz aquela canção... aquela!
A primeira que ouvi quando nasci!

Hoje, o sorriso forçado me estressa. Não se pode se livrar do que já digeriu, hein, Amadeus? Ainda o silêncio protege, mas n cura. Estou cansado, e estou inseguro com o que eu desejo. Este é o pior momento do coração.

Cante-me uma cantiga de amigo, Amadeus, que eu te canto uma de escárnio!
Cante-me uma condolência, Amadeus, que eu te canto um sarcasmo!
Diz para eu ficar acordado nas madrugadas, Amadeus,
E deixe-me sonhar à luz do Sol.

Eu estou feliz, Amadeus, e minha tristeza é grande. Não ouço os conselhos do corpo. Derrubo meu próprio castelo de cartas. Eu estou feliz, Amadeus. Amargamente feliz.

Me conte uma história. Uma de imagens.

.
.

E dê aquela ampulheta de tua estante, Amadeus. A minha só tem 24 horas...

---

music of the day: Grupo Rumo - Ladeira da Memória

"As melhores mulheres pertecem aos homens mais atrevidos ... Mulheres são como maçãs em árvore. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles tem medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maças podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados ... Elas tem que esperar um pouco para o homem certo chegar ... aquele que é valente o bastante pra escalar até o topo da árvore."
Machado de Assis

Sábado, Maio 20, 2006

crash it!

Merda nas ruas não podem conter a sabedoria que regra o seu carro. Palavras doidas possuem a verdade. Recompensa: um café quente, frio, luvas e saúde.
Uma hiustória simples, um dito poupular (clichê), quem melhor que os ratos para dizer-nos o que fazer? Flecha precisa de sentido se ela quer acertar o olho de boi.

mamamamamamamamamamam

amamamentaaaaarrrrrrrrrrrrrrr

Foi o que disse o robô, recém nascido.

Eu quero leite.

(Stanley Kubrick, ou isso ou o monolito... Não vê que tenho que nascer tudo de novo?)

...

Bandeja de prata, me mostra quem é mais covarde: meu eu, ou o eu dos outros eus euclidianos, eucarísticos, eu ropeus.
Quem é?

Ah, é um pássaro branco que estava no telefone. Mas era engano. Eu não preciso de drogas para errar o alvo. alvo. alvo. alvo. alvo. (qual é o certo?)

música de hoje, silêncio. "bla bla bla" todo mundo...

sabe pq eu não seguro?

.

.

.

.

.

.

.

.

Se eu soubesse eu seria! Um dia eu vi em uma tela televisiva um teatro onde dragões lutavam contra formigas, e as formigas se escondiam dentro dentro do nariz dos dragões, e as montanhas onde os dragões moravam eram formigueiros e um dragão era a rainha, e quem fazia o fogo eram os cadáveres das formigas. Eu vejo todo dia, toda hora. Eu vejo tudo, e tudo passa. Árvores andam, peixes nadam no fogo, mulheres comem seus maridos pensando em fazer incesto secretamente e é tudo pó, no início e no fim. è muito amargo, mas eu faço ovos e cascasa e posso ser feliz dentro delas, e pensar em doces e salgados. Mosquitos me picam e telefones tocam.

E não há tempo para palavras e picadas certas. só as quebradas. pequeniniiiiiiiiiinhno o boi, n come nem a pétala da margarida que caiu no bem-me-quer.

Rosas azuis.

É disto que preciso no vaso.

De simplesmente flechas sem arco.

Como este post.

Ninguém mais dá carona neste lugar perigoso.

musica do dia: reafirmo a do anterior.

"-É a sensação do toque.
-O quê?
-Em uma cidade de verdade, você caminha... sabe? Encosta e esbarra nas pessoas.
Em Los Angeles, ninguém te toca.
Estamos sempre atrás do metal e do vidro.
Acho que sentimos tanta falta desse toque que batemos uns nos outros só para sentir alguma coisa."
Começo do filme "Crash"

Sexta-feira, Maio 19, 2006

don't kill it!

Então o que me aconteceu hj foi o seguinte:
Cheguei na justiça... Sentia um negócio na perna... Eu usava calça... Pensei que era carrapicho... Quando levantei a barra, era um maribondo!... !!!!!!!!!... (Gleydson mais tarde ficou rindo dizendo que ainda bem que ele só se reduziu à ficar na perna.)... Eu sentia as agulhadas que ela deu em minha perna... E ela realmente parecia inchada... E os lugares doíam... Tentava espantá-la, mas n havia papel nem nada, e sabia que ela me ferroaria no dedo... A raiva me tomou e tentei matar a intrusa... Matei-a-lha, com sede!... Depois, mais calmo, fui ver os ferrões... Não eram ferrões, eram apenas pequenas picadas... as picadas não doíam tanto e progressivamente doíam menos e menos... Então na verdade ela n picou, e ela estava dentro da minha calça... Me arrependi de tê-la matado.

Eu me lembro de muitas e muitas coisas:

# Ano passado levei uma picada no dedo de maribondo no alto do cabugi, tentando espantá-lo com o boné.

# Me lembro da história que alguns (acho q ana, inclusive) me contam que os animais só atacam qd TÊM fome, quando invadem o espaço deles ou por defesa. Não sei se devo ser explicitamente genérico, mas faz sentido pelo que vejo...

# Me lembro que todo mês aparece uma notícia sobre alguém ser ameaçado de extinção... Eu ficaria extremamente deprimido se eu fosse um dos últimos da minha espécie...

# Também que há alguma(s) religião(ões) que (faz de conta que é singular) diz que depois de morta, uma pessoa pode se encarnar em um bicho. Eu não acredito, mas não importa: e se isto fosse verdade? <=S Como eu poderia encarar um querido meu que tenta me visitar depois que o impossível (que pode ser que aconteça, nunca me esqueço disso) aconteça, e eu, por puro cagorê, PÁ!, mato ele. É deprimente.

# Claro que sempre me esqueço disso na hora, eu odeio mosquitos no meu quarto e eles são extremamente, extremamente mesmo atrantes pra dar uma palmada... Formigas, quando se enchem no meu birot ou sobem no meu monitor, eu não tenho piedade. Eu dou a desculpa q sou como um samurai, mas mesmo assim... enfim... é uma contradição de sentimentos!

# Um falcão ou um cão vem em sua direção. Eles não atacam árvores (e árvores se movem). Vc precisa fazer parte da árvore, do chão, da terra, para que o falcão pouse em seu braço ou o cão te cheire e mije em vc te marcando como território dele. É o que vejo ser dito.

# Um dia um cachorrão fugiu de uma casa onde ficava do lado de um terreno baldio onde nós jogávamos bola, e todos todos debandaram a correr. Eu estava muito perto dele, e cansado de correr. Então eu testei: fiquei onde estava e ele veio e só me cheirou...

# Acho que é bobagem dizer que os humanos não são animais. Mas isso dá discussões que me desagradam, então pronto, é isso que acho.

# Me lembro do pink e fico com ódio de mim mesmo. Gostaria q ele viesse em sonho e me perdoasse...

Eu me lembro de mais coisas, mas são muitíssimos os ímpetos que as múltiplas tentações do dia-a-dia joga pra nós. Me dá muita preguiça de ser um engajado. E eu não consigo ser disso.

Eu vou sendo o que vou sendo, pro bem ou pro mal.

music of the day: Finalmente...... FINALMENTE, ACHEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! -> Elliott Smith - Son Of Sam

"Família: doce ninho de espiões..."
Mário Quintana

Quarta-feira, Maio 17, 2006

don't care about them because of it!

É de se querer que os telhados estejam abertos a público
E é desejável que o público não se importe com essas coisas.
Para que eu, na madrugada fria consiga, bendita fuga,
Me comportar obedientemente ante à semi-esfera delicadamente pontilhada e majestosamente suja (ou limpa)
Que orienta os confusos, e por vezes ilumina a noite selvagem.
É preferível o silêncio, É desejável música adequada à meu papel de servo.

Meu prédio não é alto...
Não dá para o telhado...
Meu outro prédio é cobertura...
Perto de onde se deita no pátio, fica o porteiro...
O porteiro acha que sou desmiolado...
hahahahhahaha

...

music of the day: Foo Fighters - Stackted Actors

"Tá Ouvindo?"
X falando de celular para o de Y com este bem na frente dele

Segunda-feira, Maio 15, 2006

co-habitate it!

Há ordem no mundo e de repente ela entra nele com uma nave interestrelar ultrasônica e aterrisa tão macio como uma folha seca caindo no chão. E aí?

Ondas gigantes avançam sobre os continentes, e, se o baque foi imenso, dinossauros todos podem ser e são extintos. Ou uma era do gelo começa quando ela resolve ir embora... ou pior, descobre que ela nunca esteve no seu mundo, mas as ilusões são tão reais, que os habitantes se apavoram, se matam e a Terra fica seca e sem vida, quase morta. ou pior ainda! Ela invade o seu mundo, e extermina os mais fracos de seus habitantes - porque os fortes são excelentes escravos, e os fracos costumam se rebelar - e sua vida é sugada e ela está pronta pra gerar novas navces interestrelares para mundos invadir.

E, a pior de todas: ela co-habita com seu mundo. Suas ciências se interagem e 5000 anos reduzem-se a 10, e toda modernidade alcança sua glória e seu preço! Vcs se tornarão uma única raça, e seus filhos tentarão conhecer outras galáxias.

Ás vezes os bárbaros resistem, as vezes um mundo já enfraquecido não desperta atenção alguma e a solidão corta o seu pescoço, terminal. Mas o que quero dizer é:

Mulheres são seres superiores, eu sempre digo isso. E o por quê disso é a capacidade que elas tem de travar a glote de alguém e de cortar o QI de um homem pela metade. Aura? Cheiro? Voz ou olhar hipnótico? Traços em que a gente derrapa nas curvas mais inusitadas?

Eu venho de um mundo no infinito
Donde as estrelas esqueceram de notar
Que as águas já são feitas de vinho
E as plantas se esquecem de botar.

Não é um resumo sobre mulheres que faz este post. Longe disso. São elas próprias que o fazem, e eu sou um escravo fraco e arredio. Só.

music of the day: Mastruz Com Leite - Me Diga

"Não me importo em morrer, só não quero estar lá pra presenciar."
Woddy Allen, numa piada que talvez seja conhecida.

rain on it!

Rodoviárias, estações,
Aeroportos, museus-mansões
Avenida, Tráfego, Sinal
Eu em um mar de gente.
Quando o sinal abre, vou com a onda...
Não surfo, sou uma das gotas.
Mesmo as gotas acompanhadas não podem se acompanhar
Gotas em solidões unidas em uma intersecção única e incompreensivelmente barulhenta.
Feiras, centros, bairros
Shows, festas, carnavais
Cada gota pula como se uma chuva recebesse.
Cada gota pode cair no chão e as vezes, como água, une-se a outras para formar um lago.
Mas ainda é uma gota
E como uma gota irá se evaporar.
E como uma gota irá se chover.
E como uma gota precisará
De um mar para sobreviver.
Porque o sol e o ar, meu filho, o sol e o ar são cruéis.

music of the day: Radiohead - 15stepm.mp3 (qd souber de fato o nome da música eu conserto.)

"Sozinho, solitário, brinco de pisar nas sombras.
Corro atrás e vou pisando nas minhas mãos, na minha cabeça...
No portão do templo, Na sombra da floresta...
Sozinho, solitário, brinco de pisar nas sombras...
Mas tem uma sombra na qual não dá pra pisar...
A sombra da mamãe...
Eu procuro, procuro essa sombra... Mas não acho...
Onde ela está?...
Os pássaros cantam nas montanhas...
Sozinho, solitário, brinco de pisar nas sombras."

Lobo Solitário - Capítulo 67

Sábado, Maio 13, 2006

don't be stuck on it!

A célula perdeu o núcleo, a ferrari perdeu o motor
Embora ainda andem por força própria, perderam o rotor.
Meu Deus, do céu, quem sou?

...

sim, isso...

...

...

ok...

...

Pronto, pois sou, e um dia eu volto a viver. Meus dias pateticamente cinzas estão devidamente guardados em versos com rimas 10110, em títulos .zip e .rar.
Mas não estarão, pois eu escrevo para o passado que amanhã vai ser. Há loucura, há morte, há felicidade, no meu futuro?

Eu rio com a pergunta.

E me calo para ouvir música.

Não são mais vocês frases destrutivas que vão me deter. Eu estou aqui guardado em minha prisão, mas sempre as pessoas saem mais cedo por bom comportamento, não é isso?

Pois eis aqui minha concepção de liberdade: É não estar preso, mesmo quando preso.

Simples assim. Imensa desse jeito.

...

Eu não escrevo neste blog porque meu próximo post seria uma tristeza vergonhosa. Eu tenho vergonha desse lugar, me mostra o quão patético fico sendo. É preciso aparecer meu eu patético. Preciso saber onde extirpar.

Pois eis aqui minha concepção de solidão: uma árvore no meio do deserto. Ela não pode andar, tem água saido do lençol freático e pronto. Só.

Eu sou um bonsai num precipício.

Nada demais para este mundo.

Tomara que eu caia logo.

...

music of the day: Elomar, Xangai, Geraldo Azevedo, Vital Farias - Suíte Correnteza

"Quem não está louco é quem desconfia dos seus pensamentos. Sabe que a cabeça é enganosa(...). Nada garante que os pensamentos, aquilo que aparece projetado na tela da consciência, sejam verdade. A razão é desconfiada."
Rubem Alves

Sexta-feira, Abril 28, 2006

figure it out!




...

music of the day: Pink Floyd - The Embryo

"Assim como Deus, parabéns o mal!"
Zé Ramalho - A peleja do Diabo com o Dono do Céu

Quarta-feira, Abril 19, 2006

try not getting late to it!

Hoje senti cheiro de um velho fedido em mim. Hoje as coisas deram erradas seguidas vezes só para completar o que vem acontecendo durante a semana. E este momento é aquele momento em que, por exemplo, o balão é pressionado contra um prego e é pressionado e pressionado e vc já grita: "vai estourar", e vc ou espera ele estourar ou tira o balão de onde está e tenta pressioná-lo mais tarde contra outro prego ou com outro lugar do balão.

É este, pois é. Murphy ri de mim de maneira que já não tenho força pra ficar de cabeça levantada e correr atrás do ônibus. O ônibus agora está acelerando e indo mais rápido. Este é o momento de me decidir: eu me arrebento todinho pra pegar ele ou paro e espero o próximo e perco a hora.

Dói-me de tristeza e preguiça. Dói-me de ódio a preguiça!

Então é isso, querido travesseiro. Acho q vou parar e esperar novamente. Dói-me a preguiça, preguiça aguda, dominadora, arrasadora, desconsertante, desconcentradora, cruel, fuleira, morna, adjetiva, sem precedentes, inconseqüente, vc me faz me enojar-me a mim mesmo.

Devo mudar meu sonho para um mais abstrato ou deixo-me estourar?

Eu não dou sorte com minha felicidade.

...

Querido eu. Não pense mais em si mesmo, por favor.
Qd tiver tempo, faça posts sobre os outros.
Ele é negro feito um quarto escuro, sim, mas ouça isso, ok?


music of the day: Uma banda de forró aí, acho q é falamansa ou forronéla - Forró Horizontal

"Mulatas na pista,
Perco a vontade
De ser racista."
Millôr Fernandes - Hai-Kais

Sexta-feira, Abril 07, 2006

pass by it!

Sustenido

Um sustenido sustenta a música de forma sincopada e levemente lenta.
Não há incremento que enriqueça seu dom
De se transformar, durante um breve tempo e pequeno espaço
Um hino universal.

O sustenido se sustenta, quebra-a como uma falha geológica perfeita.
Inspira teu nome, impotente, grandiosamente.
Dança com ele em um ritmo lento, um bolero ou uma valsa ou um tango
Mas se sente, como em um carnaval.

.
.
.

inssssssssssspiro o cheiro de fumaça e não me lembro de nada
Um dia a mais começa e não importa em nada nada do que eu faça

Teu nome fugiu para as estrelas da noite
E o dia feito de som que me injuria
Só me faz querer dançar parado
E me transformar em um bemol.

.
.
.

Estou feito um pingo de gente
Num mar de gente
Andando afrente
E atrás dos demais

.
.
.

E se tenho só o pensamento inimigo
Companheiro abrigo no medo de ser caça
Amordaço minhas cordas de voz
E afino de vez por todas
Meu violão.

20/02/2006

music of the day: Preciso colocar minha cabeça num concentrado de oxigênio. É justo afirmar q o silêncio é preferível, hj...

... shh!

Sexta-feira, Março 17, 2006

take care of it!

A única coisa que vc possui é a sua vida, pois qd se perde ela, vc não possui nada mais.

Então vc tem uma encruzilhada: Ou vc acredita nisso ou não.

X acredita que depois de cair no sono profundo pela última vez não há mais nada a se olhar, pior, não há mais nada... o fim, que se diga logo, assim como não se existe algo antes do início. X não acredita, pra falar a verdade, em nada fora do alcançe do mundo molecular e científico. Acredita, sim, na pressa de ter o que tem. Compartilhar com seus queridos e com seus sentidos e permanecer na alegria de se desesperar pela fatalidade terminal do fim.

Alguém parecido com X (chamemos de W) não consegue manter esta alegria. Seu despero o leva à depressão e o que ele tem, depois de algum tempo, perdeu todo o sentido.

Temos Y que olha pra X com olhares de não-dou-pérola-a-porco. Y acredita em algo além da partícula e da onda, e, portanto, acha bobagem achar que a vida é a única coisa que possui. O contra-domínio da função f(y) é imensa! Y pode muito bem acreditar que o tempo, de alguma maneira, está registrado em uma fita que corre na velocidade da luz, que o que possui não é dele mas é alugado e será recompensado pela maneira como a utilizou, que ele sempre vai ter o que possui mesmo que tirem dele, que possui seu corpo e seus bens e seus amigos e todos eles serão seus em um lugar só seu depois de morrer, que nem sabe em que acredita mas acredita seja lá no que for, e eles são muitos.

Então tem Z, seu amigo de infância e estranho poeta, que acredita que X está tão certo quanto ele, Y, bem como W também não estar errado, e, pior, que o Sim e o Não, dependendo do humor de ambos, querem dizer a mesma coisa. Afinal, Z é escritor, precisa acreditar no que for preciso para trocar um pouco de sua vida pela estória.

Tem também Q, que não sabe e acha que está em excelente condição, ao não querer saber se existe ou não.

Existem também pessoas como A, B e C,cujas opiniões, já divergentes entre si, divergem de X, Y, W, Z, Q, D, E, etc...

E há também alguns deles - não querem se identificar, compreensivelmente - que tiram este único bem de alguns outros. Ousados que são, pertencem à uma história própria. Mas obviamente eles fazem parte. E há outros que não suportam carregar o que possui, e a perdem. Ousados também, pertencem à uma história própria também, mas que também fazem parte. Todo mundo é como todo mundo, pois todos são únicos.

Todos fazem parte! Eu faço parte!........... Eu sou como todo mundo. Um único qualquer.

Pessoalmente me traio com minha unicidade. Uma coisa que me faz a princípio acreditar que sou parecido com Y. Prefiro ser parecido com Z... ou com H, não sei, enfim... Sobre esta unicidade é preciso muita cultura pra explicá-la, se não qualquer coisa absoluta ou... Já estamos falando de infinito, novamente.

De qualquer maneira, 2 caminhos na encruzilhada não significam 2 caminhos diferentes. Porque muita gente entrou no mato tentando caminhos diferentes (do acreditar e do não) e alguns às vezes o seguem ou voltam atrás, e estes deixam pegadas que outros seguem e fazem uma trilha e, finalmente, um novo caminho é feito. Sempre sempre com vc carregando sua vida nas costas, levando para algum lugar pra saber o que fazer com ela quando chegar até onde a sua fé te levou. A vida é um bem precioso. Não vale um real, mas é preciosíssimo!

Pq a única coisa que vc possui é a sua vida, já que qd se perde ela, vc não possui mais nada.

Acreditar nisso ou não, pra mim, não é o importante(*) , mas sim, o quanto ela te vale.

:)


(*) = (na verdade é, mas é de uma importância muito diferente e inestimável e de outra ordem que não é central aqui)


music of the day: Sonia Dersion - Poésie

"Não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade"
Friedrich Nietzsche

Domingo, Março 05, 2006

rejoice it!

A 1a coisa que se vê são as cores. Depois é a música, timidamente longe. Depois o olhar mais desatento localiza os bonecos, os enfeites... São as Cores!!! Elas dançam mesmo paradas! São beleza e feiúra se juntando num mesmo lugar, contrariando a lei da física. E, finalmente, a música toma quando os tambores de maracatu bombeiam o sangue da população. Em grande força e grande disritimia. As pessoas então conhecem a letra e cantam, como em um show sem o artista principal, como em um louvor sem um deus pra se reverenciar... Um espetáculo de um circo voador.

...

Antônio Nóbrega resolve tomar um microfone e sapatilhas de dança e roupa branca de sambista e canaliza toda essa cultura de dança-música-poesia. Tanto tanto que deixa Ariano Suassuna e Caetano Veloso lhe completarem e tudo tudo mesmo ganha graça. Tudo! Até a besteira do mau-humor alheio tem graça e facilmente vencida. Até a presença perturbadora ensina e alegra. Claro!

Nada é passivo.

Agora começo a entender como o carnaval mescla a tristeza e alegria em algo... ainda preciso entender o que é.


music of the day: Cordel do Fogo Encantado - Na Veia ~ e as marchas de carnaval em que não memorizei.

"A tristeza é uma tentação"
Eu vi isso em JK, que dizia que numa das cartas de Paulo diz isso.

Domingo, Fevereiro 19, 2006

carry it on!

Não há de maneira alguma nenhuma palavra soprando em minha mente. Na verdade existe só a música das caixas de som e algumas vontades pequenas. Nada mais. Acho q se eu for surdo e tirar as vontades, entrarei no nirvana.

Se escrevo aqui é pq não há motivos definitivos...

Aliás, não há motivo nenhum.

Meros estímulos, somente.

É que 2 coisas me chamaram a atenção hj:

Um, eu acho que deveriam haver audioblogs. Há? =O não, este não funciona... não, nem este. Devia, viu? Há outras coisas possíveis a fazer além deste blog.

Dois, eu decidi que devo ir contra a corrente escatológica. Não me peçam para ser missionário, não me peçam para ser crente, não me peçam para mudar de casaca, nem dizer o que presta e o q não. Eu sei andar sozinho. Minha relação com Deus é íntima e pessoal, e o que peço a Ele , o q agradeço a Ele, concerne somente a o que este jornal reflete: uma via crucis.

A vida é simples, almas fortes e despreocupadas, mas aquele que diz "sou", não é. A vida é simples, o complicado é se dar conta.

Pensar é uma coisa perigosíssima. Lembrar é algo triste. Falar é insuportável. Ouvir é doloroso. Ver é vergonhoso. Escrever é dificílimo. Se calar é se afogar. Estar a salvo é fatal. Amar é odiar. Coisas boas são coisas ruins. Bondade é maldição. O tempo é doença. A morte é descanso. Tristeza é conforto. Riso é cura. Beleza é veludo. Covardia é o mais fácil e prático. Odiar é amar. Melancolia é este jornal. Liberdade é prostituição. Deuses são musos. O infinito é abismo. Saudade é anzol. Eu sou um peixinho. Este mundo é o mar.

Quando a via crucis terminar, estarei pronto.

music of the day: Over The Rhine - Hush Now (Stella's Tarantella)

"Se queres paz, te preparas para a guerra.
Se não queres nada, descansa em paz."
Engenheiros do Hawaii - Hora do Mergulho
(Mas eu acho q já li isso em outro lugar...)

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

Sobre As Coisas Passageiras - Decisão

Tão mau
E tão violento é
O reino lindo e repleto
Que enclausura o coração
De quem recusa a ser
De um estranho mundo
Um e completo.

E na quina
Da ilha da fé
O homem se vê descoberto,
E cada estrela, sob o abismo
Lhe olha fixamente pra ver
Como sente o destino
ao tornar-se aberto

É estranho:
Se desesperar
É como andar num deserto
E os olhos, fatigados,
Se recusam a olhar
Pra esta esquina e saber
Enfim o que é certo.

Se apagam
As luzes do céu
E deixa-se só um meigo resto
Um ponto, Um zênite na escuridão
Do tempo apressado que te espera.
O desejo produz assim seu momento:
Feito soco mui lesto.


Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006

free it!

Silêncio!

Não ouve? Em alto e bom som, ele está agora, neste lugar em que vc está, atrás de sua cabeça. Não adianta virar, e procurar, vc não o encontra assim.

Não não não, ele não é um mosquito levado, nem um alerquim serelepe. Ele é muito pesado. Na verdade, é imóvel, e para removê-lo são necessárias as forças de mil sóis... ou de uma palavra, ou um gesto. Mas também nem isso baste, talvez. O silêncio te despe e te cobre de uma nudez artística fotográfica, cujos efeitos de luz efetivam tanto que nem suas partes mais íntimas, seu sexo, sua vergonha e seu espírito por detrás do corpo serão tocados.

Ele não dorme. Pelo contrário: ele vigia, assobia uma canção esquecida, e te guarda dos lobos que estarão em sua porta. Vc só não o ouve avisar se não quiser.

Mas em compensação, vc está preso em sua liberdade...

Sim, é preciso abrir este tópico:

abre aspas.

Para que a idéia de liberdade exista
É preciso que haja prisão

É preciso grades
Para o pássaro encontrar o céu

Duas saídas!
Duas saídas, somente!

Você deseja não haver céu
E planeja não haver prisão

Ou você faz de onde está
A liberdade que precisa

Vc se despe das ilusões
E quer abrir as portas para uma prisão mais larga

Ou vc se deita e sonha
E se torna vc mesmo maior, maior que a gaiola

Vc se toma de esperança
vc tem nas mãos a chave da felicidade

Ou vc se toma de beleza
E tem em sua vida o poder de mudar a cor do céu.
reticências

fecha aspas.

Vc está preso em sua invulnerabilidade. O silêncio toma de vc o desejo de se tornar barulho e arrebatamento. Tem na palma da mão a linha da vida longe das outras, e toda surpresa que vc tiver, irá guardar para si, somente. Assim a gota d'água deixa de existir. Assim só o eco responde, e ele não insiste em responder por tanto tempo assim.

Sim, eu, sim, vc, quieto agora. Nas esquinas mais ermas da cidade vc não vai encontrá-lo. O silêncio vai tomar parte de vc, abandonará o ar, que se enche de letras, vozes moduladas e eletromagnetismo, e vai encontrar em vc, em sua solidão comunitária, o espaço que precisava.

E se vc não o deixar entrar, não se preocupe. Ele sempre te invade, nos momentos que vc não percebe, onde vc repousa sua cabeça. E se vc mesmo assim o rejeita, ele te achará no seu íntimo, no sonho, ou até mesmo no desejo inalcansável e na inevitabilidade do fim.

É assim que começou o mundo. É assim que tudo termina.

O silêncio é uma montanha inabalável. No seu pé, uma escola carente de estudantes e professores. Carente de ciência.


music of the day: Queens of The Stone Age - You Can't Quit Me Baby

"A Girafa, calada,
Lá de cima vê tudo
E não diz nada."
Millor Fernandes - Hai-Kais

Sábado, Janeiro 21, 2006

find its meaning!

...

music of the day: O filme "Ray"

"Eu não tinha pais, adotei o céu e a terra como meus pais.
Eu não tinha casa, adotei estar consciente como minha casa.
Eu não tinha vida nem morte, adotei respirar e aspirar como vida e morte.
Eu não tinha meios, adotei a compreensão como meio.

Eu não tinha habilidade especial, adotei a moral como minha habilidade especial.
Eu não tinha olhos, adotei ser rápido como a luz como olhos.
Eu não tinha ouvidos, adotei a sensibilidade como meus ouvidos.
Eu não tinha membros, adotei a agilidade como meus membros.

Eu não tinha estratégias, adotei a concentração e não desvanecer em pensamento como estratégia.
Eu não tinha projetos, adotei a previsão de oportunidades como projeto.
Eu não tinha princípio, adotei a adaptação às situações como princípio.
Eu não tinha amigos, adotei meu coração como amigo.

Eu não tinha talento, adotei a persistência como talento.
Eu não tinha inimigos, adotei a imprudência como inimiga.
Pra mim não haviam milagres, adotei em levar a vida corretamente como meu milagre.
Eu não tinha corpo, adotei a paciência como corpo.

Eu não tinha armadura, adotei a compaixão e a solidão como minhas armaduras.
Eu não era iluminado, adotei a determinação como iluminação.
Eu não tinha espada, adotei a ausência de ego minha espada."

Crença do Guerreiro, poema samurai de origem incerta, que encontrei em Chonchu #15 meio que adaptado pelo autor, Kim Sung Jae. Coreano. Outro post eu coloco a versão que encontrei em inglês e menos constextual, que é mais completa.

Pra me lembrar.

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

make it blue, for now!

Para deixar que meu espírito deixe de estar assim vidrado, eu te deixo, tristeza, entrar no coração. É vital para mim que eu reencontre a tranquilidade e a medida das coisas.

O amor é hostil e faz reféns, e no momento, deixar-me com a cabeça levantada está me fazendo dar tiros sem querer, e grande parte sai pela culatra. Eu invejo a gente que não precisa dessas coisas para sobreviver, e eu imagino que este seja o preço que eu devo pagar para minhas metas para 2006.

Desprender-se do mundo, não se importar mais consigo, atirar minhas gotas d'água ao oceano...

Neste navio petroleiro, eu acho que só quem embarcou fui eu.

Deixo em minha estante, na cabine do capitão, meus livros orientais, meus discos monumentais, e nada mais. Só me dói mesmo é jogar o que deixei no sótão ao mar. Dói, tristeza, e é por isso que preciso de vc para amenizar tudo.


music of the day: Qualquer uma melancólica e bonita.

"Na poça da rua
O Vira-lata
Lambe a Lua"
Millôr Fernandes - Hai-Kais

Sábado, Dezembro 31, 2005

hope for it!

Aí está, não há nada como férias. Nada mesmo! greve, feriadão, essas coisas que advém das férias, o q pode se parecer com isso?

O mundo vai completar mais uma volta no sol, e é sempre hora de repensar, mesmo que isso nunca faça a menor diferença.

Já me decidi, eu quero ser algo que me divirta: um jornalista turístico e/ou musical e/ou cultural, um contador de histórias, um músico, um faquir, um programador desses que se diverte à beça, um percussionista de orquestra, ou outra coisa que eu possa sonhar.

Eu quero ficar com o que consegui de bom e de ruim neste ano. Não conseguirei tudo, seria muita pretenção se eu me prendesse a 2005 somente. Mas em 2006 eu quero fazer um "2005 2 - a aventura continua...". E dessa aventura, colocar bolhas em minha mão e muque na coluna.

Pq? Pq sim!

É preciso inflar, pra cada sopro que os anos dão, né não?

2006 cheio pra vc, mundo! Sempre torço por vc!

...

E Jericoacoara é ótimo pra fazer luas-de-mel!
E canoa quebrada é uma pipa com menos árvore!
E Fortaleza eu inda preciso voltar pra ter certeza do que acho!

music of the day: Bob Marley - Everything Is Gonna Be All Right

"Antes mundo era pequeno porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará
Ê volta do mundo camará,ê mundo da volta camará

Antes longe era distante, perto só quando dava
Quando muito ali defronte e o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes den' de casa camará
Ê volta do mundo, camará, ê ê mundo da volta camará

(...)

Esse tempo nunca passa não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabaça, nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará
Ê volta do mundo, camará, ê ê mundo da volta camará

De jangada leva uma eternidade, de saveiro leva uma encarnação
De avião o tempo de uma saudade...
Gilberto Gil - Parabolicamará

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

do not wait a goodbye from it!

"Gostou dessa?" Pergunta o ano pra mim. Eu sorrio amarelíssimo! A vodka fez efeito nele.

"Ei! me leia algumas coisas que vc escreveu no caderno do guga!" Manda ele. Eu, tonto, me esforço para ler alguma coisa. Se ao menos minha letra fosse melhor....

...

Acho que eu daria um bom telepata....

~

A antônio Peticov

A média oligárquica das cores
Sob o ministério essenssiocrátio
Decide, nesta comemoração pela flor
Plebicitar as prefeituras da arte

~

Queres então que eu crie
Um universo à beira-mar?
Praias com areia de que ampulheta?
Águas construídas em que tear?

~

Dia encerra, dia começa
Ondas que sobem e descem
A queda de um é ascenção de outro
A graça de Deus te sustente e te pese,
mas seja tu amante de minhas trevas.
Amará ela amanhã
Hoje não que
vou dormir.....

~

Todo rio desemboca no mesmo oceano?
Todo vivo acaba na mesma morte?
Toda palavra se cala em lugar-comum?

~

Passeio Noturno
Devo fechar meus olhos mas vou me perguntando
Sou eu meus sentidos?

~

Triste sou que acompanho modo de "querer-saber" do mundo fadado já ao fracasso. Ou ao sucesso rápido e devastador. No pior Sentido.
Triste sou eu que quando os papéis me olham, devo desviar meu olhar e devo morrer e dormir.
Triste sou eu cuja hora vai ficar perdida pela vida inteira.

~

também visitei o lugar de meu 1o passeio de minha vida: O BH Mall. (...)
Visitar o Mall me deu um misto de estupefação e desinteresse, alternadamente.
(talvez por causa de uma foto, o mall é como eu imaginei... eles ainda tem neon azul no teto)

~

O mundo humano desaponta. Maravilha, mas sempre desaponta com uma tristeza que beira a revolta e confinamento. Mamam os peitos da tolerância nos estádios, obras, crises, choros, sofrimentos, prazeres momentâneos, poder & dinheiro e, por fim, natureza humana. desaponta!

~

NÃO QUERO MAIS RELIGIÕES DE PALAVRAS ONDE O SERMÃO É O ÚNICO TEMPLO!

~

As despedidas verdadeiras são feitas sem que haja olhares para trás.

~

Arrumar malas é como produzir uma tempestade às avessas.

~

Há!, Que interessante...
Vc não quer mudar, você não quer deixar o que é para trás.
Vc não quer parar de orar por mudança...
Bom... durma... Os dias nunca são tão parecidos assim uns dos outros.

~

Vamos celebrar! Observe o ritmo e acompanhe!
Feche os olhos, nãoligue para as luzes.
Balance!

Mais uma vez vamos celebrar a música.

Tenho um pensamento que é da cor do Sol.
Tenho uma palavra na mente que não sai.

Saudade bate na mesa com força
E consegue a atenção que desejava.

~

O Amor é hostil
E se alimenta de veneno dos homens.
Eu, doente, arrasto-me...

~

Moça de palavras dóceis!
Meu relógio pergunta por ti!

~

Querido eu,

Tenho certeza que nos achamos finalmente em uma casa
Cujos telhados são feitos de chocolate
Paredes feitas de biscoito...
Desculpe o delírio!
O espelho d'água tremeu
E seus anéis desfocaram
A lágrima que move a pena de meu poema.
Talvez algum dia, eu, estaremos
encobertos totalmente por aquela água.

Seu, RCL

...

Eu caio no sono, o efeito é devastador.

O ano não se embebedou. Olha pra mim com olhos escondidos na penumbra. Eu sei que sonharei com praias e céus de anil. O ano não sonha.

Eu não sei, pq estou dormindo, mas quase tenho certeza de que ele vai sair pela porta sem olhar para trás. É assim que são as reais despedidas.

music of the day: Dave Matthew's Band - Grey Street

"Porquanto
Como conhecer as coisas senão sendo-as?"
Jorge de Lima

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

blindly, keep on touching it!

A maior escuridão que já adentrei foi uma noite, no sítio de adauto em SP, onde não havia estrelas no céu, a lua não aparecera ou era nova, e tudo o que se via pela frente era BREU! Os olhos fechados eram mais claros! E eu tinha que achar o caminho apalpando com as mãos até chegar na casa (acreditem! Não podia ver a casa!) para conseguir a chave para abrir o portão e deixar o carro entrar. Olhando pra trás via o farol do carro luminoso, mas iluminando somente perto dele.

Nada, absolutamente nada era visto na minha frente, e eu, sabendo q o caminho pra lá era de pedra, pus as mãos no chão e o q senti foi grama!

Desesperador.

Mas eu n caí em lago nenhum, e botando um passo após o outro, eu encontrei as tais pedras, e fui apalpando o caminho até vislumbrar algum rastro de luz pela frente!

Eu nunca vi um breu maior ao ar livre do que naquela noite, mas foi nela que eu percebi uma força minha, a do enfrentamento do medo, e nela eu tenho me abraçado ultimamente.

Este ano foi uma noite como aquela, em q me diverti à beça com o fato de a noite ter sido um breu perfeito. Ontem foi o dia em q tive q achar as pedras.

Depois daquela noite, as estrelas tomaram um sentido muito maior, se tornaram maiores em minha visão, a lua se tornou mais mística, e as escuridões não se tornaram tão escuras e, melhor, passei a andar pra frente, mesmo não enxergando nada.

Claro que não me tornei menos destrambelhado. Mas ainda não derrubei nada quebrável.

Amanhã talvez eu me perca de novo, talvez eu sinta grama e não sinta mais nada em volta e me perca com força. Mas neste momento, eu não toco nas pedras.

Estou muito ocupado em dar o passo à frente.

...

music of the day: Creedance Clearwater Revival - I Heard It Throught The Grapevine

"Amor...
Vc já amou?
(Desejo responde: Pode-se dizer que sim)
Horrível não?
(Desejo pergunta: De que maneira?)
Você fica tão vulnerável. O peito se abre e o coração tb. Desse jeito qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo.
Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, pra que nada possa causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outra, entra em sua vida idiota.
Você dá a essa pessoa um pedaço seu. E ela nem pediu. Um dia, faz uma coisa boba como beijar vc ou sorrir e, de repente, sua vida não lhe pertence mais.
O amor faz reféns. Ele entra em vc. Devora tudo q é seu e te deixa chorando no escuro. Por isso, uma simples frase como "talvez a gente devesse ser apenas amigos" ou "muito perspicaz" vira estilhaços de vidro rasgando seu coração.
(Desejo comenta: Que pitoresco!)
Dói. Não só na imaginação ou na mente. É uma dor na alma, no corpo, uma verdadeira dor do tipo entra-em-vc-e-destroça-por-dentro.
Nada deveria ser assim. Principalmente o amor.
Odeio o amor."

Neil Gaiman - Sandman #65

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

get the taste of it!

No momento me sinto leve. Leve e definido. Tenho poder sobre mim, finalmente. Não sei quanto vai durar essa porção de vida, mas é preciso agarrar-me firmemente...

A momentos atrás eu estava calmo, e depois envergonhado, logo em seguida confuso, então fiquei feliz, e logo em seguida frustrado. Depois me ansiei um pouquinho e de repente fiquei triste. Aí eu me mantive impassível, depois arrependido, e depois arrependido de me arepender. Logo em seguida fiquei curioso, entusiasmado, perplexo, emocionado, e por fim feliz (ou qq outra coisa q n seja tristeza o que pode ser muita coisa).

Neste momento as coisas que ficam na nossa cara ficam evidentes pela nª vez (com n um inteiro de valor enorme) mas eu agora tento pegá-las no ar.

Olhando pra cima, a vida é um mar. E o que se encontra na esfera dos sentidos é a superfície. Eu tenho um mar bravio em maremoto em minha vida. Toda espécie de comparação perpassa minha mente, mas só isto basta. Eu preciso me agarrar às ondas, de minha vida.

Prossiga.


.... É preciso que eu me agarre firmemente à prancha de surf. Eu não sei surfar como... como todos ao meu redor.

Eu sorrio como de costume, e tudo volta a ser como antes. Amanhã será hoje. Mas pode ser que não seja, não tem porque ser. Nem porque não ser. Não há como ser igual de qualquer maneira. Não há caminho a ser trilhado instantaneamente.

O que eu gosto? Eis a minha prancha. Aprendo a surfar, ao som de um tema musical que me comove.

Mas eu não sou fácil.

music of the day: Muse - Micro Cuts

"Pela primeira vez examinei a mim mesmo com o propósito seriamente prático. E
ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxúrias, um hospício de
ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados."
C. S. Lewis

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

drink with it!

Eu começei a pouco (não muito pouco) tempo meu 2o caderno, verde feito... Não me recordo de nada tão simplesmente verde. O 1o tem o guga na capa sorrindo e segurando seu troféu de vencedor.

Dentro não se vê esporte, nem um vencedor. Mas ao contrário do que se pensa, não há lamentos. Bem... há. Mas mt menos. O que há é o que a tia mostra qd corta a semente para os alunos empolgados da pré-escola. É o blues, para o rock. É um blog meu para mim mesmo. Há nele a poesia que o mundo não se interessa. Há a palavra, e aquela frasezinha que se faz quase exatamente na hora em que mergulho (ou seria salto?) para o Sonhar. Aquilo que na lucidez do dia seguinte fico tentando me achar e não encontro.

Apesar de ter começado em agosto do ano anterior, eu considero este caderno meu olá a 2005, esse ano estranho e denso e que tenho começado a dizer "bom... a hora tá chegando..." e ele me diz "espere aí... toma mais uma!".

Eu tomo. Tem tempo. Olho sorrindo pra ele, com olhar lento e começo a conversar... vc sabe... lembrar... é o assunto predileto dos sóbrios. A bebida jamais vai nos deixar bêbados. É o que todo sóbrio pensa, antes de o ano se levantar, abrir a geladeira e tirar dela uma smirnoff........ "me conte alguma coisa sobre antes de me conhecer."

.....

16/ago/2004

E onde está a resposta? Numa caverna? Num castelo?
Qual foi a primeira pergunta já feita por um ser humano?
Os anjos existem e estão aqui?
Os computadores podem trabalhar com outras bases além do Sim e do Não?
Há uma memória fora do físico?
Há magia dentro do real?
Pode o amor inteligentizar?

01/set/2004

E se fizessem uma cidade cujas ruas estejam escritas nas impressões digitais de suas mãos?

13/dez/2004

Então me conta, passarinho
Devo fingir que és real?
Ouço em alto e belo som
Murmurar-me sobre as paixões
E as cantigas e histórias
De maravilhosos povos.
Sei que devo tocar os pés na Terra
E andar olhando o caminho...
Não fique me lembrando! Já sei!
Me diga, ao menos, que isto,
Esta coisa de realidade
Não se distingue com fantasia
Exceto o lado de quem olha.
Diga-me sem rodeios que és verdade.
Pois seria triste ser realista
E espantar um beija-flor
Beijando a flor de minha pele.

28/dez/2004

Apareça

Seu Nome é o mesmo que Deus tanto sussurra.
Seu Nome ecoa inonimável por dentro dos ouvidos
De homens loucos ou de razão enfraquecida

Apareça

Escreva Seu Nome na palma de minha mão

29/set/2004

ESTAMOS PRESTES A DEVOLVER NOSSO DIREITO DE VIVER. NÃO POR DESPREZÁ-LOS, MAS POR... NÃO SEI... CONVENIÊNCIA?

29/ago/2004

Sejamos bonitos.

05/set/2004

Não sei bem o que sentir
Se devo condenar, se devo cossentir (SIC)

Sinto que calado sou mais humano.
Maldita seja minha boca, Maldito seja meu coração!
Preciso, Pai, amaldiçoá-los, enquanto eu me amaldiçoo com eles.

04/nov/2004

E vocês têm idéia do que é viver assim, apenas com letras dos outros? Sem vida Real?
Estou aqui preso por letras! Entendam, pelo amor de Deus! Não tenho face! Não compreendem? Então vou dizer-lhes (não escrever! Não para mim!) minha história. E sem rasuras, para mostrar-lhes!

09/nov/2004

O óculo converge os raios do Sol
Eu vôo em volta dele, frágil
Queimo minha derme
Faço chamas em meus cabelos
Mas eu quero ver o Sol
Ou morrerei de tristeza
E transbordante de nada

..

music of the day: Beto Guedes - A Página do Relâmpago Elétrico

"Sim, inverno, estamos vivos."
Paulo Leminski

Domingo, Novembro 27, 2005

sorry it!

Preciso dizer, senhores leitores deste solitário blog, que ele não deveria servir somente para momentos de melancolia, mas para os momentos diversos na vida. Hoje eu me vi num esforço inimaginável para falar. Eu falei. Consegui. Mas não o bastante.

E hj eu me vi em falta com todos ao redor. Todos!, sem tirar ninguém. Provavelmente não deveria sofrer com isso, e não sofro, mas tenho a ligeira impressão que se não o fizer, vai continuar tudo na mesma. Devo pedir desculpa a todos por essas coisas minhas.

Minhas só e que não conseguem ser transferidas para mais ninguém pela minha necessidade abusiva de se comunicar mais do que minha inteligência permite. Não tenho sido correto com as pessoas, não consigo prestar a atenção que lhes cabe, eu fico até tentando me esconder atrás das praticidades das imprensas digitais e me fazendo passar por alguém seguro de si, quando eu não passo de um adulto que não soube crescer direito.

Ás vezes eu até ouso ver que a culpa de algumas coisas não é minha. Mesmo que não seja, de que adianta isso? A gente tem dois olhos pra frente. A culpa sempre é minha, de alguma forma. É assim que quero acreditar.

Se eu falto com vocês, a culpa será minha, e eu devo pedir perdão por isso.

O ponto da minha ferida onde eu devo encontrar a farpa e tirá-la dói na minha memória feito tumor. É muito egoísmo, mas eu queria secretamente que vocês me ajudassem nisso. Cultivar amizades, colorir telhados, enlaçar os laços... Se eu não querer isso, quem eu seria a não ser este blog onde se desabilitaria com meu atestado de óbito?

Não demora nadinha para eu me fartar siples e definitivamente de tudo isso.

...

Por falar em blogs, eu acho incrível as coincidências de vários citarem ao mesmo tempo independentemente sobre uma coisa só. Blogs e orkuts e flogs e essas coisas que faz a pessoa ficar presa à excessiva liberdade que ela mesma se impõe foram discutidos em vários momentos nessa semana. Muitas vezes a motivação é a vaidade. Muitas muitas vezes é a necessidade de atenção. Muitas vezes a pessoa se acha, como se visse em um espelho que reflete ela mas sem acompanhar os movimentos, ou pior, encontrando posições nunca vistas de si mesma, ou pior, reflexos com vida própria.

Eu olho para este blog, e para meu orkut, e para meu antigo flog, e vejo tudo isso mais ou menos. Este blog não me reflete muita vaidade. O orkut não me serve para chamar atenção. Eu perdi o flog por justa causa, mas me era querido e me fazia alimentar essa coisa da criação.

Então é tudo isso, certo, mas mais do que tudo isso, eu tenho esse meu auto-flagelo para minha privacidade para...

... Para dizer o que não é dito. Para mostrar o que não sei mostrar. É um espaço livre. Um aquário de sua casa, com peixes muito diferentes e vivos. Um jardim com o portão aberto e balança banco mesa e chá das 5 para os transeuntes. Intimidade com o social. Diálogo Novo.

Eu vou vendo o que mostro e o que não. Alguns não se controlam, outros fazem vista grossa. Todos se enchem de letras e cores efêmeras que não têm garantias que vão se prolongar, e todos se olham, uns aos outros. O mundo mudou, com a internet, de uma maneira que ninguém percebe. O que é bom e o que é ruim, como sempre só vai se distinguir no futuro.

Mas muitos não precisam disso, e muitos até deveriam parar. Mas eu estou acomodado com meu jardim aberto. Ladrões entram para me enrolar e roubar minhas plantas. Eles são malandros e se confundem entre os amigos. Eu sou desleixado em identificá-los.

...

Eu sou meu jardineiro, tentando cultivar minhas plantas, dar atenção aos visitantes, espantar as saúvas e cuidar de minha casa.

Todos são.

Acho que brasileiro gosta de visitas em seu jardim. É por isso que acho tão normal essas coisas acontecerem e fazerem tão mais sucesso aqui que fora do país de minha língua.

.

music of the day: Muse - Endlessly

"Uma definição define apenas os definidores."
Mário Quintana

Terça-feira, Novembro 15, 2005

give it ideas!

Nas engrenagens de dentro do Relógio, o do tempo - este relógio em que se pára, tudo o mais pára e ninguém conseguirá ver nada - mora um senhor que não tem idade. Pelo rosto não dá pra dizer se tem 15 ou 80 anos, mesmo com a altura. E é desengonçado mesmo.

Ele anda com cuidado duvidoso entre as delicadas sutiliezas desta... em linguagem comum, algo parecido com tecnologia. Não há janelas dentro do relógio. Não há sequer mostradores. Somente ele vê as horas e checa se elas estão atrasando ou adiantando. (Daí há dias curtos e dias longos). É cochichado que ele conhece Deus pessoalmente. Só Ele sabe seu nome.

A verdade é que ele tem uma rixa muito grande com ele. Deus o colocou no início do universo pq um dia, em um desses bares onde os Deuses se encontram e ficam discutindo seus parnasianismos sem fim (esses vaidosos!), Deus e esse relojoeiro estavam já um pouco melados e discutiam (traduzindo):

Deus: Você não sabe fazer um relógio que preste.
Relojoeiro: Como é???
Deus: Você não sabe.
Relojoeiro: Você é que pensa que não sei!
Deus: Eu aposto 3 universos que você não sabe.
Relojoeiro: Você aposta??
Deus: Aposto!
Relojoeiro: Então pronto! Eu digo que vc não sabe fazer uma Existência direito!
Deus: Hahaha! Ingênuo!
Relojoeiro: Dizem que vc ainda não conseguiu produzir vida própria.
Deus: ...
Relojoeiro: Há!!! Sabia!!! Até o filho daquele Deus ali... aquele ali, babando e roncando, sabe fazer!
Deus: Seu ridículo! Você não consegue fazer uma eternidade que presta! Eu vi você em um tempo ontem! Quase caí de rir quando vc fez aquele bicho andar pra trás!
Relojoeiro: ... E daí? Merdas acontecem...
Deus: hahaha!
Relojoeiro: Tá legal! Tá apostado!
Deus: hehehe... quê?
Relojoeiro: Tá apostado!
Deus: o quê que está ap...
Relojoeiro: Tá apostado! Eu faço a eternidade para a sua existência! Vc faz a existência para sua eternidade!
Deus: ...
Relojoeiro: Tá medrando é?
Deus: Pra que vou fazer uma existência se...
Relojoeiro: Tá medrando!
Deus: Eu não estou...
Relojoeiro: É pra você fazer uma que tenha vida! Vida que tenha idéia!
Deus: ...
Relojoeiro: Como é?
Deus: ok... Se algum perder?
Relojoeiro: Vai ser humilhado por todos.

E era verdade. Um Deus adulto e um Relojoeiro adulto que não soubessem fazer aquilo que eles deveriam saber como fazer é condená-lo gravemente para o esquecimento.

Deus é também um desajeitado. Mas conseguiu criar vida. E conseguiu criar vida com idéias, depois de muitas tentativas, conseguiu. Várias vezes, talvez. Mas agora é a vez do relojoeiro tentar fazer o seu trabalho prestando. É sempre bom que as existências tenham histórias.

Claro que para os parnasianos tudo não passa de uma feiura só! Cada vida tendo idéias diferentes! Até mesmo idealizando o criador, dando a ele... números! Absurdo! Mas jovens Deuses têm olhado para essa existência com um interessante interesse. Posso até imaginar o que pode ocorrer quando isso tudo aqui acabar.

Mas o relojeito É desengonçado. E Deus É desajeitado. Talvez isso, ou talvez sejam grandes artistas. O Relojoeiro anda pelo relógio e espera paciente que Deus fique cansado de tudo. Deus também espera. É uma batalha de Titãs.

...

music of the day: Nação Zumbi - Na Orla dos Velhos Tempos

"Nós vivemos a temer o futuro; mas é o passado quem nos atropela e mata."
Quintana - in Concert

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

wake it up!

Hoje, qd abria a porta, todos já estavam dormindo. Égui!

Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo! Nunca é tarde para acordar cedo!

Acordar em um outro mundo... e se descobrir que está no mesmo. Têm razão, budistas, têm razão. Mas eu devo ficar me perguntando: será que o que me falta é o que fazer? Será que conversar, pensar, correr, ouvir e entender como uma pessoa crescida é tão difícil assim?

Devo não. Perguntar não resolve. O que resolve é a convicção da resposta.
(Er.... tou certo? ¬¬)

Vocês que têm paixão pela vida! Façam de mim um novo homem.

...

Tsc! É a porra da solidão fazendo eco de novo dos meus resmungos.

music of the day: Paralamas do Sucesso - Esta Tarde

"Os homens se diferenciam pelo que demonstram e se assemelham pelo que são."
Paul Valery, poeta francês

Domingo, Novembro 06, 2005

music for it!

Faz um 1 ano e 1 dia que eu postei o post de láaaaaaaaa de baixo. Nada de importante no fato, mas acho adequado uma música para começar a celebração... e uns versos.

...

Salmo

De repente é dada a partida
Num toque fino e parasita
O botão de play do cd ou da fita
Descreve suavemente o percurso da vida

E ritma
em ritmo
de ritmia
de íntima
com clima
Que pinta
De tinta
A finta
Da minha
Alegria
E ia

O pombo alegre aceso
Adentro do ato de atar
A nota à clave e soar
Num pio booooooooobo
A corda que envoca
A hora de avoar...
e foi

à mata das praias do mar que arqueia as areias feias das telhas na infinita ilha que habita os homens que se põem no sul da cruz que puz na luz dourada, iluminada e enfeitada com gás lacrimogênio.

E louca letra que caminha
Dócil na sua retina
As vezes te ilumina
Uma certa trilha
Que te guias, sem saber
Se vais nascer ou perecer
No fim.

Mas enfim,
A música não é a água da alma,
É aguardente.
Te assiste ou te assusta.
Te embebeda ou te ebula.
Te enrouquece ou te ensurda.
Te insipira ou te emburra.
Reclame ou vá pra luta
é a música que pra tudo
Atrai e eluda
A tua escuta.
E escuta...

Os solos, arranjos, notas, acentos
Ritmos, danças, frases e heranças,
Olha a música e se apresente
Ela não é arte, mas aderente.
Nos cemitérios há as trilhas,
Nas rodovias, ultrapassagens,
Nas embalagens, há os brilhos,
E os esquisitos, suas miragens.

Não entenda, se empreenda.
Que a música te entenda.
Um dia gostarás ou odiarás,
E ela, ali, sem se importar,
Viverá e alimentará
O mundo que um dia
Tornaria a vida
Um tanto surda.

Há o hino
iniciando
a ilíada
do homem
e a ida
de sua
incrível
cantoria

...

Eu? Uma mistura de angústia com despreocupação. Nada que se faça perguntas sobre.

music of the day: Louis Armstrong & Ella Fitzgerald - Cheek to Cheek

"Quando toco uma nota - se o fizer corretamente - sou tão importante quanto Hendrix, Clapton ou outro músico, porque atinjo a alma da pessoa que está ouvindo. As pessoas costuma perguntar: 'que tipo de guitarra é essa? que tipo de alto falante é esse?' Não é nada disso, é a nota. Quando você explica isto, os garotos perguntam: 'também posso fazê-lo?'. Claro, podemos ensinar como colocar cinco idéias em apenas uma nota: alma, coração, mente, corpo e 'cojones'. Uma nota."
Carlos Santana

Domingo, Outubro 30, 2005

attention for it!

n



a



d



a







E tudo. A diferença entre ambos é uma expressão booleana... "Aqui em tal momento reside uma partícula. Verdadeiro ou Falso?". Mas aqui onde e quando? O sim e o não estão tão juntos que a diferença entre elas é uma mudança de lugar de onde se olha, mesmo que não se tenha nada a ver com a história. E eu nem vou citar o algo fora do material.

Isso é tudo muito óbvio, pq as histórias sempre são mais complexas do que quando contadas. Mas essa é a minha opinião mal-formada do porquê que os robôs nunca substituirão os naturais seja-lá-o-que-forem-naturais. Não há caos dentro de um circuito, por mais inderteminístico ou sofisticado que seja. E quando houver caos, haja paz entre caos e ordem ou não, ele deixará de ser robô.

(E eu nunca entendi a gravidade que as pessoas recebem com os problemas dos clones. Pra mim, eles são os injustiçados nessa história toda. Ninguém pede para nascer, eu acho.)

Talvez já tenham dito muito a muito tempo que o mundo está mudando demais. Eu olho pro que me disseram e ouço o que vejo e não tem jeito: tenho que ficar repetindo esse lugar-comum. Quase sei que isso se repetirá nas bocas dos outros num futuro muito distante. Mas é tudo estranho: MTV, deliberação de coisas que eram somente ditas isoladamente, Terrorismo & Violência, vulgarização ou pior, normalização dos mesmos, religião = torcida de time de futebol, conhecer o outro é perguntar coisas polêmicas, mundo de regras, massificação do ridículo, auto-ajuda, auto-privação de privacidade, vingança como esporte radical... Provavelmente coisas normais hj eram definitivos escândalos para antigamente. Mas é tudo assaz denso e deveras concentrado.

O mundo se transforma aos olhos, a natureza se contorce, o homem faz que entende e o caos tem sobrepujado a ordem.

Vem coisa nova aí.

...

!!!em-ieziD !aditelfeR arreT ad sotirípsE

,otsor uem me azelatrof ierartnocne ednO

rev em a siam revitse oãn odnauQ

?sassov salenaj sa etnareP


...

music of the day: Jimmy Cliff - Sitting in Limbo

"A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos."
Ricardo Reis, [Sem Título]

Domingo, Outubro 23, 2005

refresh it!

Eu quero ser outra pessoa, senão eu vou explodir!

...

Agora que tou pegando várias manhas dos browsers dessa vida, eu acho que esse blog merece uma modificada. É preciso dar um sentido a ele.

Eita! ele vai fazer um ano mês que vem? =O

E amanhã é dia de justificar voto. Os que vão votar sim, eu lhes dou meu boa sorte. Os que vão votar pra não o meu "oooommi...."!

...

Quer rabiscar? Veja como!

Xaxim vota sim... Afinal, traficante tb é cidadão!

music of the day Shades of Blue - Sad Day

"Se o homem pudesse cruzar com o gato, isso melhoraria o homem, mas corromperia o gato!"
Mark Twain

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

sail it!

Precisamente no momento que penso que não escutarei mais nada novo, a música me mostra mais um tipo de onda preu surfar.

O mundo é grande mesmo, como dizem? Eu quero ser um explorador, mas eu me sinto de alguma forma preso. Isso é muito estranho. Eu não me considero um medrosão. Seria isso medo? Ou seria um tipo de conservadorismo que eu mesmo plantei na minha esquisita infância? Porque eu não tenho ninguém para culpar. Talvez seja.

Mas eu acho que o mundo hoje exige muito da pessoa. Admiro muito aqueles que conseguem se dar bem nas coisas, pintar sua arte no quadro da vida, e ainda viajar a pé, tudo ao mesmo tempo. Mais ainda os que fazem elas mixadamente. Eu não consigo, ou me falta confiança. Ou até mesmo inteligência.

Mas eu não desistirei. Faço até mesmo sozinho e às cegas, mas eu conseguirei. Tudo a seu tempo. É verdade que os experientes se lamentarem, mas acho que a culpa é deles de não manterem o espírito infantil intacto. Até mesmo porque os que mantém e que eu conheço não se lamentam nem um pouco.

...

Os ventos sopram para estibordo. O capitão está sentado, tranquilo. Ele sonha com mares no céu. O destino deveria ser a bombordo.

music of the day: Bate Tambor! (o 3o bloco é muito bacana!)

"Mentira de água é matar a sede."
Vital Farias - Sete Cantigas para Voar

Sábado, Outubro 01, 2005

fix it on your floor!

Quando eu crescer
E papai me comprar um avião...
... Eu vou voar direto para uma nuvem com castelo
E colocarei feijões mágicos na panela de pressão.

E parece que, sem querer, talvez,
não estive errado!
Existe macarrão feito em panela de pressão!
E Fred garante que é o bicho!

...

Adeus mar, adeus céu, ficarei no chão mesmo...
É maravilhoso ter onde fincar o pé! Liberdade é isso mesmo.
É delicioso saber que haverá um céu e um mar e uma nova terra à disposição.

...

Qual é o problema com esses roteiristas japoneses? Final Fantasy: advent children é tão clicheroso que me faz querer (outra vez) terminar de uma vez por todas FF VII, pra ver se acho algo mais surpreendente no filme. Pelo menos vi só. :D


Music of the day: Madredeus - O Pastor

"Eu não estou sozinho."
Um dos tais clichês mais utilizados pelos japas, depois de TODOS os personagens fazerem um tradicional "Hai" com a cabeça uns pros outros. Ótimo para caricaturas.

Quarta-feira, Setembro 28, 2005

let it!

Um estágio! Será que eu consegui?

No primeiro dia que eu fui, não pensei que conseguiria ouvir que seri o estágiário no lugar de silvio na Justiça Federal. Eu não tenho certeza e serei. Odeio com todas as forças cantar qualquer tipo de já-ganhou, até mesmo os mais óbvios.

No segundo dia que eu fui, fiquei bem menos tempo, por causa da aula. Mas a euforia desaparece. E sobra o sentimento que não prevaleceu antes, mas está incrustrado desde que os quases tomaram conta da minha vida: Medo. Será que eu não corresponderei expectativas?

Qualquer resposta para isso é "relaxe"! Eu sei, e eu estou tentando. Mas não é medo de "OhmeuDeuseuvoulascarcomforça!" mas um medo feito pela auto-afirmação. Será que serei aceito na segunda, quando entregar meu sofrível histórico escolar?

Ansiedade que só fez tremer meu humor hoje. Mas nada infundado, pois eu sei o quanto sou pouco comunicativo, e sou muito suscetível a fazer com que muitas folhas da árvore me impeçam de ver a árvore em si.

...

Besteira. Este bost é um suspiro do meu momento. Tenho muito mais com o que me preocupar.

...

Mas ainda tenho uma bolsa eminente também.

Será que eu fiz besteira? Colocar muita coisa?

...

Parei de ver tv. Me esqueci em que mundo vivo.
Tenho ouvido menos música. Preciso ouvir a minha própria.
Eu vi 3 carros de som ao mesmo tempo.

Sim, Silêncio, sinta-se à vontade. Desculpa não deixá-lo entrar na minha casa quando estou acordado. Gostaria de um dia ir morar contigo por uns tempos.

...

Acho que meu bom humor não pode ser muito colocado em palavras de um blog, ou um diário. Ou isso ou é porque nao consigo, mas de qualquer maneira eu só sei postar nesta bixiga quando não estou alegre.

Djabéissom!

Mas não quer dizer que eu tento... Queria tanto que o bacanal sobrevivesse...

music of the day: Música Indiana, ontem à noite, deitado, quando achava que não conseguia me deitar.

"Eu fico com essa dor
Ou essa dor tem que morrer
A dor que nos ensina
E a vontade de não ter
Sofrer do mais-que-fruto
Nós precisamos aprender
Eu grito e me solto
Eu preciso aprender
Curo esse rasgo ou ignoro qualquer ser
Sigo enganado ou enganando meu viver
Pois quando estou amando é parecido com sofrer
Eu morro de amores, eu preciso aprender"
Luiz Melodia - Dores de Amores

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

3 da manhã



olá, lua,
Estou vazio, estás cheia
E há uma vaga distância entre teu corpo móvel e meu olho fixo.

olá, lua,
Estou teu hoje, e chove...
E tua luz atravessa a noite como se fosses dona desta rua

Mas, lua,
Tua beleza hipnotiza.
Tua redoma se faz branca (o mar que te prateia), por quê?

és crua.
Por que és bonita, ã?
Ficas andando pela noite, enquanto eu fico sob tua asa...

Ao menos
Sejas discreta, por Deus...
Não zombes de minha vida que entardece em tua face escura

És uma lua,
Teu branco é do Sol
Tua beleza é da luz. eu ao menos consegui emitir alguma coisa.

E, lua, tu?
Deixa desta bobagem
Encha esta noite com esta luz emprestada e me dê sono profundo.

Quarta-feira, Setembro 07, 2005

chat while it!

Ciceronear.. Imo.. Marneis.. Prurido.. Olor.. Ater.. Aguisar.. Egesto.. Natatil...

Internamente, acho isso uma diversão!

...

Você tem um disco que não ouve a muito tempo? Você tem músicas gravadas que vc conheceu, mas não gostou?

Pois pegue elas pra ouvir agora! Pode ser que você seja surpreendido gostando delas a valer.

...

Meu orkut, meu blogger e meu gmail estão em francês neste computador.

E tome classe!

...

Estatisticamente, as coisas boas são tortuosas para serem alcançadas. "Dããã! jura??"

Mas isso vai se encaixando em tudo, que dá numa agonia...

...

- Como vc vai?
- Marromenu... Me sinto como se estivesse varrendo areia de duna que invade uma casa... Uma duna grande e imponente feito uma preguiça. Mas to eu varrendo e fazendo com que os ventos mudem de direção, ou pelo menos torcendo que mudem.
- Nossa! Mas isso exige muiiita força!
- muita! Qs acho que n vou conseguir..
- Conseegue!
- Tomara que sim!!

=]

...

Zouk é repetitivo, mas é legal! E tem uma dança bastante sensual!

...


...

Arroz não é fácil de fazer. Arroz bom? Não mesmo! Mas parece que estou ganhando um pouco de prática! Mas seeeeempre me esqueço do sal.

...

Fazer da vida filme de arte exige um talento danado.

...

E se eu pudesse dizer em palavras minha relação com a música... Será que um dia eu consigo? Tomara que sim... Espero que não...

...

Diarizai vossas viagens!

...

KANPAI!

.

music of the day: Blind Melon - *

"Um passo a frente, e você não estará mais no mesmo lugar!"
Numa música de Chico Science. Pode ser que seja dele.

Sexta-feira, Agosto 26, 2005

walk into yourself and find it!

Eu tenho um orgulho (eu esqueci de por essa palavra! Eu penso nas palavras-chave e penso que coloco elas! Isto é engraçado.) muito besta e egoísta. Talvez seja perfeitamente compreensível, dada minha necessidade de balancear com minha capacidade de me desgraçar. Não me detenho com pensamentos, não deixo rastros, e todas as pegadas somem até da minha memória. Não há tempo de cuspí-las e deixá-las pregadas em folhas de guardanapos: elas saem aguadas e ridículas.

Eu discuti com Ana ontem sobre minhas goipadas, e ela se impacientou, como se estivesse discutindo com uma criança, e dizer que o cuspe de todo mundo sai aguado. Ela tem razão, e eu sei disso. Mas sei também que não há ninguém que possa ser outra pessoa, e ela não sabe de minha atmosfera onírica (casa de nuvem é a única expressão parecida q encontrei, mas ela explica menos) na qual vivo, onde tudo se passa como sonho e todas as obrigações se tornam apenas personagens cujos rostos se volatilizarão ou mudarão para outros, e as necessidades reais são coisas ridículas como este post.

Ela não sabe o quão aguado sai, e toda essa confusão de letras que o mundo recai sobre meu guarda-chuva me faz preferir a sequidão de meu lar, o quentinho confortável e sedentário do silêncio.

E por sedentário estar, eu me percebo como um grande fresco para sair nesta chuva como se de açucar eu fosse, e me desmanchasse de inveja e cairia nos bueiros do esquecimentos. As vezes até imagino que eu esteja dentro destes bueiros, e não saiba.

Desculpe. Este post é uma lamúria só. Mas será pq eu q mando neste blog. É preciso que eu escreva para ver se consigo fazer pegadas em cimento e esperar que ele seque. E quando eu for puxar a barra de rolagem pra baixo ler esta porcaria e rir dela. Assim como qualquer coisa na vida.

E por falar em vida, eu fugi do assunto do espaço onírico. É verdade: olhar para as coisas, escutá-las, sentí-las, saber para onde vou, tudo isso não me entra fácil. Destreinado! Mas eu passo por cima disso. Que bom que escrevi isto! Nenhuma palavra à frente da outra sai de minha cabeça. É tudo muito olhos - dedos - dor. Eu me divirto pensando em tomografias e imaginando os doutores dizerem: "Mas não há nada aqui! Como vc anda???" e eu de repente sou a prova viva e científica do espiritismo.

"Life is but a dream, you know, and it's never ending" a música diz, e fico concluindo então se isto acontece com outras pessoas. Talvez sim, mas acho que isso não me conforta. Aliás, Ana se engana muito em achar que é consolador dizer "todo mundo é assim" e a seguir próximo episódio da novela Vida Normal. É enojante! Eu vejo tanta gente sóbria, que consegue viver de maneira alegre e leve e perfeitamente anormal, e eu não consigo pq uma bixiga de um sonho não termina! Quero estudar, pitomba, e não consigo me concentrar!

É óbvio que isto tudo é muito ridículo, eu tb acho e me envergonho muito disto. Mas como disse, é preciso que eu deixe pegadas no cimento seco, e molhar meu lar de chuva e me expor dessa forma para que alguém fale grosso comigo pra parar de criançice e começar a viver. Este post assim já serve.

Porque... comunicação é muito de muita coisa. Me falam que eu quero muita coisa. É pior que isso: eu não sei o que quero. Essencial é a comunicação nestas horas, essencial é deixar meu cérebro cristalino para que eu possar romper minha pele, fazer parte do ser de outros e assim escolher meu caminho. Afinal, ninguém escolhe os caminhos por mero acaso, nem mesmo os que se perdem. Viver é se surpreender. Como me supreenderei?

music of the day: Alanis Morrisette - The Couch

"As pessoas se dividem em duas categorias: uns buscam e não encontram, outros encontram e não estão satisfeitos."
Mihail Eminescu (1850-1889), Poeta Romeno

Quarta-feira, Agosto 17, 2005

love through it!

O amor é pitoresco.
É um relevo de um centímetro.
É uma colher de lata
Pra colher as mulheres e amá-las.
Nada de mais eu vejo;
Digo, é divertido...
É um lago de peixes demasiado.

O amor é egoísta,
Pequeno e desprezível...
Veja só o que me fez?
Levou até as minhas fitas...
Me sobrou só uma gaita
Que sopro para o nada
E pra este amor ladrão.

O amor é sábio
meu amigo foi salvo
meu pai foi amado
Meu casamento abençoado.
Meu filho é crescido
Meu alento é merecido
Minha vida pelo amor foi realizada.

music of the day: The Flaming Lips - Yoshimi Battles The Pink Robots

"Tenha uma boca afiada como uma adaga e um coração macio como um tofu."
Provérbio Chinês, até onde eu me lembro.

Quinta-feira, Agosto 04, 2005

wind it!

Você imagina que o mundo inteiro é um vento. Você mora no vento, e é levado, e é chocado por outras pessoas, as vezes suavemente, as vezes violentamente. Ás vezes elas vão embora, o vento os carrega para muito longe, e um esforço enorme de sua parte é exigido para que não solte o cordão que liga vc a ela. Ás vezes o vento deixa uma pessoa insuportável sempre a sua vista, e vc nada (aliás, é só o que vc pode fazer) para longe e o vento não a afasta. Algumas vezes o vento não consegue te carregar, algumas outras vc simplesmente não tem controle algum.

O vento, depois do mar, é a fonte maior de simbolismos que consigo absorver. Eu imagino todos os homens morando em Júpiter, todos os países ilhas flutuantes... O homem não sabe voar? Ora! É só o que ele faz! Ele é como o peixe, que acha que o mar não é a água, mas o ar.

O vento, que nas literaturas representam mudança sempre, me faz concordar ainda mais com os físicos de hoje em dia e não achar as aulas de Física Moderna uma complicação sem fim... Na verdade é tudo um pouco simples: O tempo e o espaço não são duas coisas separadas, mas quase como uma só. Como cara e coroa da realidade. Com o vento vc nasce, como ele vc cresce, nele você vive, por causa dele vc morre.

Eu tenho uma espécie de ímpeto de tratar os objetos como vivos. Doidice, talvez, mas não me importo (doidice é um vislumbre do que há por trás do vento), o fato é que se devo dizer algo, digo a ele o que quero, e o que eu queria é que ele me soprasse mais forte. Eu tenho muito a impressão de que quanto mais forte ele sopra, maior é o crescimento, muito mais longe ele me leva, e muito mais digna minha morte fica.

Deus é quem sopra? A morte é o fim do vento? Ou é o começo da Tempestade? Não tenho como não me importar, mas eu vou me importando calado, ou no máximo prestando a atenção às doidices dos outros. O que eu mesmo é voar com esse vento. Preciso saber que ele existe, preciso que ele me sopre mais forte. Eu tenho a impressão que ele não o faz, então vou e nado desesperadamente. Como uma folha seca tentando encontrar um galho ou um lugar bom para pousar. Crescerei assim? Talvez, espero que sim. Se eu me deixar levar, não fico forte... Se nadar demais, não chego a lugar algum.

music of the day: Beto Guedes - Luz e Mistério

"Tua felicidade é minha inveja."
Escrito na porta de uma casa no caminho do 555

Quarta-feira, Julho 27, 2005

Mensagem Na Areia

Eu olho a calma como quem sente o vento no ar
Como um pássaro livre no alto, quieto a contemplar
Um mundo de espaços transformados em tempo
que vai correndo, sem pro passado olhar

Eu sinto a calma como quem sente o barulho do mar
Como uma jangada tão leve nas ondas a levar
Tudo o que o pescador sentiu na tez da saudade
Tudo o que um peixe a ele pode se tornar

Eu quis a calma como quis o filho as chagas do mamar
Como a boca sedenta quer a água, Como o sono quer o sonhar
Simplesmente quis a calma como quem suplica a vida
Quando a vida fugiu sem que pudesse amar

1999 eu acho

Quinta-feira, Julho 21, 2005

tell Yes and No to it!

Como de qualquer maneira não consigo escrever uma coisa que eu realmente sei o que vai ser, este é um post qualquer, de um dia qualquer, de um mundo qualquer, num blog qualquer e de uma pessoa qualquer.

E por ser qualquer, não entenda que seja igual a todos os outros. Tudo é igual a tudo, ao mesmo tempo que nada é igual a nada.

É tão legal isso... Paradoxar... Dá uma sensação de que é isso que falta na lógica para que ela realize seu sonho de ser ferramenta para ser criação de algum muito mais único que um robô. É muito estranho que o homem pense q o absudo matemático seja um absurdo e que o i seja apenas um artifício. Ele é o número complexo, tanto com a parte real quanto com a imaginária, e ambas se anulando ou não, dependendo espaço euclidiano.

A pessoa gosta de sorvete de creme, MAS não gosta de creme com passas, MAS come passas in natura, mas prefere que a granola venha sem passas... O exemplo não é dos melhores :(

Eu digo isso parcialmente consciente do meu eu computacional. A gente entende que no nível de Hardware, TUDO se reduz a portas lógicas, fios que conduzem 2 tipos de sinais, ou mesmo só 1, flip-flops e um relógio. É esmagador olhar para um gráfico de circuito elétrico de um transistor e saber que a Intel vai fabricar o Itanium (que n tem nem 7 cm de diâmentro) com 420.000.000 DELES TODOS AMONTOADOS NESSA CAIXINHA DE NADA!!!!!!!!!!!!!!!

Os átomos não se mexem, não, quando fazem calor??????????????

Enfim, o fato é que os próprios idealizadores dessas coisas sabem que o que basta pra fazer as coisas realmente realistas não é o espaço, eles disseram que ainda podem colocar muito mais (????????????). Talvez queiram muita velocidade, mas sabemos que por mais que as coisas fiquem mais apressadas, mais elas ficam viciadas por mais: A gt vê games altamente complexos, uma festa da realidade virtual que só tende a aumentar, Mas mesmo que o tempo entre uma mudança de estado do clock (é o q faz o pc fazer 1 cálculo) e outra alcançe a instantâneabilidade, só vai ser capaz de simular a realidade!

Talvez com a computação Quântica tudo mude, talvez consigam fazer uma tautologica em que V ^ V => F, eu ficaria fascinadíssimo se conseguissem.

Há! Eu sempre me esqueço de perguntar pra pai se a complexidade já ponderou sobre isso. Eu tenho certeza que sim.

Só mais uma coisa: Dia do Amigo devia ser feriado, que nem dia das mães. Tenho dito.

music of the day: Scissor Sisters - Take Your Mama Out

Terça-feira, Julho 05, 2005

water down it!

Poisé, parece que o fotolog me chutou. Então foi desativado meu flog? Parece...

Mas ainda não soltei nenhum palavrão por causa disso. Muito estranho...

Quer dizer, eu o tratava como algo muito diferente, do que geralmente eu já fiz, e adorei selecionar aquelas imagens e combiná-las com poemas que já tem um bocado de tempo meu. Um tipo de exposição, já que eu não tenho webcam nem vaidade o bastante pra me fotografar, nem habilidade e sorte pra fotografar outras coisas. Eu gostava desta vaidade, mas mais que isso, gostava de ter esperança de que alguém comentasse pra dizer o que achou (não "nossa! q coisa linda!" e tal, mas o que achou), e tinha esperança de que alguém fizesse crítica construtiva.

Podia ter escolhido alvos melhores. Mas é que não mostrei muito eles ainda aos amigos.

Triste? Estou. Mas só um pequeno remorso. Foi justo. Gostaria de ter continuado, inda tinha bastante coisa, e a mágoa que eu tenho é a de eles não terem salvo nada.

Mas foi o tipo da coisa que me fez nascer várias idéias. Agüêmo-las!

music of the day: The Mars Volta - Cassandra Gemini

"I want somenthing good to die for...
To make it beautiful to live.."
Queens Of The Stone Age - Go With The Flow

Quinta-feira, Junho 30, 2005

change the word for it!

Eu acho que a arma que eu quero ser não é a palavra. Todos querem ser a palavra.

Quero ser algo que as vezes é menos poderoso mas muito mais agressivo.........

... Acho que quero ser o silêncio...

pronto!

Mudei o post.

Agora o que falta é sê-lo.

music of the day: ..

"- Óia o Zé veno tv...
E aí, Zé, firme?
- Não, futebor!"
piadinha mineira

Domingo, Junho 26, 2005

diary it!

Faz frio aqui. BH é elegante, e desejaria ter morado aqui. Tenho saudade de casa.

Diarizo minha viagem. Mas n tenho notebook.

E neste momento, desejaria tê-lo, pra que significasse meu status financeiro.

Mas sou o que sou.

Já não tenho vontade de prometer mais quase nada... e quase que chegarei ao não-mais-quase.

music of the day: Queens Of The Stone Age - A Song For The Deaf

"Ai, o amor
Jamais foi um sonho
O amor, eu bem sei
Já provei
E é um veneno medonho

É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário"
Chico Buarque - Viver do Amor (1a versao)

Terça-feira, Junho 21, 2005

get on the plane and go to it!

Sem músicas e sem frases de efeito hoje!

É necessário mijar no coqueiro ao invés de no penico, as vezes!

O que quer que aconteça, eu posso fazer coisas boas e coisas que não fariam a menor diferença pra mim mesmo, neste momento! Nem eu posso prever isso!

Eu estou em MG...

... e, como de hábito, quase que me sinto em casa!

O que fazer, oh meu Deus?...

o que fazer?

Quarta-feira, Junho 15, 2005

answer it!

Eu tenho a impressão que eu já respondi este questionario, mas como estou acordado, e não me ocorre nada, lá vou eu, no desrespeito à regra 17 das férias ("Não responder questionários nem provas de nenhum tipo (...)"), mas... bom... que mais eu faria? Além disso, é de momento.......

UMA PERGUNTA o que fazer, oh meu Deus?
UMA BANDA bem de grupo, tipo Radiohead ou Dream Theater...
UMA MÚSICA nova e bem envolvente.
UM ADJETIVO novo
UMA BEBIDA cerveja MUITO gelada
UMA PALAVRA palavra
UM SENTIMENTO Alegremente confortável
UMA ARMA o silêncio
UM LUGAR normalmente seria minha cama, mas agora? um que eu nunca tenha visto..
UM LIVRO sandman
UM OBJETO celular.... ou pager... Um leitor de sonhos... Ou um desses rastreadores para encontrar objetos perdidos... ou até mesmo um repositório de memórias...
UM HORÁRIO 1 segundo qualquer
UMA ESTAÇÃO as de trem das músicas de Milton Nascimento
UMA FRUTA maçã
UM AMIGO gostaria de ser, sim :)
UM AMBIENTE onde todos estão de férias
UMA FLOR jasmim, ou outra em q vc nota sua presença sem nem mesmo olhar
UM ANO 1960
UM DIA o qual em que a Terra parou
UMA HISTORINHA um sonho, ou um de um diário... ou de sandman
UMA PESSOA eu mesmo, mas muuuuuuito diferente de mim mesmo
UM SITE http://www.neilgaiman.com/journal/journal.asp
UMA DROGA maconha... ah! e uma contra a calvice :)
UMA ROUPA calça comprida
UMA LOJA comic shop
UM FINAL que produz uma continuação, como todo final.

music of the day: Dream Theater - The Glass House

"É preciso caminhar com leveza sobre a terra."
A. Naess

Sábado, Junho 11, 2005

Rest for it!

E, finalmente, férias!!!

...
...
...

- Não é maravilhosa?
- O quê?
- Maçãs... não acha maravilhosas, as maçãs?
- Nem tanto...
- Acho que é a maneira como ela faz Crunch! na boca...
- Mas são só maçãs! O que há demais nelas? ox...
- Exatamente! E por só serem isso e já serem maravilhosas assim, imagina como são as outras coisas!

..
..

Vamos agora aos pequenos problemas! =]

music of the day: The Mars Volta - Son Et Lumiere / Inertiatic Esp

"Cantar é mais do que lembrar
É mais do que ter tido aquilo então.
Mais do que viver e do que sonhar
É ter o coração daquilo."
Caetano Veloso - Genipapo Absoluto. Essa é a parte mais fácil da letra. :P

Terça-feira, Maio 31, 2005

Wave to it, Slowly, a Sad Goodbye!

Não dói. Mas incomoda. Você passa sua cabeça no travesseiro, e não sente prazer em sentir o tecido passando suavemente sobre seus cabelos. É como se o couro reclamasse, mandasse parar com isso, chato e solitário.

Mas isso é o de menos. A dor é cotidiana, de uma maneira ou de outra.

É o de menos também vc sentir desprazer ao se pentear, ou colocar um remédio fedorento, ou ter de passar o shampoo e não sentir cafuné nenhum.

É muito ruim quando vc brinca com uma criança e ela puxa seu cabelo, e vc sente dor e medo que o cabelo de repente seja arrancado feito grama do cocuruto. Mas tb não é o pior.

Ruim tb é quando vc tem 22 anos, só, e vc vai perdendo uma coisa que lhe dava até um certo orgulho, e nunca mais conseguir tê-lo novamente. É como envelhecer muito cedo. Você olha pro espelho e vê um vão, indubitável, sem nenhuma necessidade de ouvir os amigos lhe dizer: "ná! não tá tando assim!"

Mas não é o pior.

O pior é a sensação de perda. Não sou vaidoso nem nada, mas o cabelo, quando bem arrumado (qd ele precisa ser) te faz se sentir bem, bonito. Mas não é isso tb...

É mais como vc perder uma coisa que vc tem desde que se entende por gente, e gosta dele, e tem um detalhe que te dá um certo orgulho. E vai e ele se vai. Não é perder a mão, mas ainda assim, é parte de você.

Mas suponho que viver seja isso, perder as coisas. É perdendo elas que vc vai se tornando mais forte, né? Ganhar é maravilhoso, manter é recompensador, perder te faz aprender. Eu me seguro por isso.

Mas é tão ruim vc se despedir deles ao acordar e ver, muitos deles, ali, na cama, como folhas caídas no outono.

music of the day: Audioslave - Like a Stone

""verdadeira audácia foi a de quem comeu a primeira ostra"
Jonathan Swift (Brigado Ianniu!)

Quarta-feira, Maio 18, 2005

Dream With It!

Eu adoro sonhar, e odeio dormir em ônibus... (seria muito prazeroso dormir neles se vc pudesse ficar deitado, ou coisa assim, não sentado com o pescoço a doer e a ser acordado sempre que vc alcança o sono REM.)

E eu amaria ter um gravador de sonhos. Eu sonho com muitas coisas. Sei que sonho! Mas nunca consigo me lembrar deles. Seria maravilhoso se tal objeto existisse.

...

A última vez que dormi em um ônibus, eu sonhei, e o sonho era muito vívido - pois eu me lembro dele (agora só tem uns cacos grandes, eu gostaria de saber por que os sonhos são tão voláteis) - e muito pertubador - pois tinha um significado...

Eu sonhei com um bebê, um pouco gordinho, feliz. O pano de fundo era branco e sempre fica branco. Há um detalhe q eu n me lembro muito bem do sonho, em que ele de repente conhece algo ou alguém, e sua felicidade se desvanece, e chora, como se precisasse de algo...

Então ele se divide formando duas criança mais velhas, que encontram com outras que ao que parecem se dividiram por fora de minha visão (acho! esta é mais um vão entre um caco e outro) que aí vão se dividindo e se encontrando e, sempre aos pares, formando quatro pessoas cada vez mais velhas e menores e sem personalidade numa mistura que só os sonhos nos dão de caleidoscópio com processos de divisão celular semelhantes aos dos paramécios (se eu bem me lembro de biologia, o q n quer dizer naaaada!)...

... daí, aparece uma cara feia no meio, como se fosse um gollum, só que com dentes afiados, e as pessoas muito pequenas para poder ver suas personalidades e muito multiplicadas e muito velhas. E aí eu acordo, com o significado inteiro na cabeça como se ela tb tivesse feito parte do sonho e portanto começando a sumir.

E aí eu acordo com uma rara hora de sol do meio da viagem, muito perturbado.

O significado que fazia parte do sonho eu tentei anotar na hora, mas ficou muito aquém do que eu realmente havia entendido. Acho que ele foi mais uma daquelas coisas que se absorveram na minha mente e não consegue sair por palavras, simplesmente.

Além disso, dizer o que os sonhos significam caiu de moda. É muito mais divertido pensar neles e entender o que eles tão dizendo por si mesmo. Não pense vc que eu tenho pensamentos sarcásticos sobre a cara de diabinho sem chifre. Mas tb não pense que estou aterrorizado com ele.

Mas ele assusta, como um vírus da AIDS que vc pega, e não pode mais largar dele.

music of the day: Estava eu vendo o SoundTrack Channell qd eu vi um clip muito bom e criativo e engraçado, e era um tema do filme Les Triplettes de Belleville ou Belleville Rendez-Vous, enfim, procurei no emule com esse nome e achei e curti muito e to querendo ver esse filme.

"Eu gostaria de criar Home Pages, mas não sei o que elas comem"
Frase infame para celebrar as perspectivas deste final de período.

Segunda-feira, Maio 09, 2005

Jornada de um Barco em Queda Livre - Capítulo 1

Você está num carro em direção a um foguete espacial, e estão dentro dele pilotos, engenheiros, cientistas, e o ambiente é de excitação e, mesmo você não entendendo nada do que dissessem, sabia do que estavam falando.

A plataforma é tão imensa, e os espíritos de vc e dos pilotos, engenheiros, cientistas, tão sólidos, sentem-se esticando esticando, presos entre o carro e a estação. E que quando chegassem na plataforma se arrebentassem em uma inexplicável sensação. Dentro, o foguete espacial, mesmo com tantos detalhes, não conseguem fazer vc absorver nenhum deles: seus olhos, nas mãos, estão no cinto de segurança e na janela que lhe aponta o destino.

Instruções brotam do nada e vc não as entende, mas os pilotos, engenheiros, cientistas, ao que parecia, sim, pois obedeciam e respondiam sem desentendimentos.

Daí o nada começa a contagem...

10...
9... (Em 4 de junho de 1996, menos de um minuto após o lançamento, o foguete francês Ariane 501 se autodestruiu. A conclusão, segundo investigações de uma comissão presidida pelo matemático francês Jacques-Louis Lions, do Colégio de França, foi a de que a destruição foi causada por uma falha provocada por uma anomalia na execução do software: uma conversão de dados de um número de 64 bits em ponto flutuante para um inteiro de 16 bits com sinal. O valor do número em ponto flutuante era maior do que poderia ser representado pelo inteiro de 16 bits com sinal. O resultado foi um operando inválido. Problema este que poderia ter sido resolvido por um graduando em ciências da Computação capaz)*
8...
7...
6... (Einstein e Hilbert desenvolveram uma nova teoria da gravidade chamada relatividade geral, publicada em 1915. Esta teoria prediz que a presença de matéria (gravidade) "distorce" o ambiente de espaço-tempo local, fazendo com que linhas aparentemente "rectas" no espaço e no tempo tenham características que são normalmente associadas a linha "curvas". Embora a relatividade geral seja, enquanto teoria, mais precisa que a lei de Newton, requer também um formalismo matemático significativamente mais complexo. Em vez de descrever o efeito de gravitação como uma "força", Einstein introduziu o conceito de espaço-tempo curvo, onde os corpos se movem ao longo de trajetórias curvas.)**
5...
4...
3... (No século IV a.C., Parmênides de Eléia concebia o universo como "a massa de uma esfera arredondada que se equilibra em si mesma, em todos os seus pontos". Heráclito de Éfeso via o mundo como contínuo movimento e constante vir-a-ser. Dois mil e quinhentos anos mais tarde, como se prolongasse e desenvolvesse essas intuições originais, Albert Einstein, que também concebeu o universo como uma esfera, falou "da razão poderosa e suprema que se revela no incompreensível universo".)***
2...
1...("Ground control to Major Tom / Ground control to Major Tom / Take your protein pills / And put your helmet on / (10) Ground control to Major Tom / (9 - 8 - 7 - 6) Commencing countdown, engines on (5 - 4 - 3 - 2) Check ignition / (1) And may God's love be with you /)
Liftoff!"****

E vc não sabe se foi pela agitação provocada pelas turbinas, ou se pela pressão da física sobre seu corpo ou se pela grande agitação de seus sentido que fez vc perder os mesmos por uns momentos. Mas, logo acordando, vê: vc, o foguete, os pilotos, engenheiros, cientistas, todos sobem, não como num avião onde os comissários pedem para não fumar, mas como um raio em uma velocidade que de tão lenta vc poderia enxergar os elétrons se comportando como partícula e energia para que, ao correr pelos céus, fosse encontrar um equilíbrio para o potencial da qual vc faz parte.

E pela janela vc consegue ver se aproximar o teto do mundo, e este, se escurecendo, lhe faz pensar que estivesse anoitecendo rápido demais. Estrelas vão surgindo e embaixo vc vê o céu e finalmente percebe que todo o tempo em que vc viveu, vc esteve de cabeça para baixo.

As estrelas são seu chão. O mar é que é o céu. E a Terra uma espécie de paraíso em que vc volta quando fosse morrer. Com este pensamento, vc sorri, e todo o medo não mais lhe aterroriza. A saudade será seu alimento e voltar será inevitável destino.

Feliz e triste, você volta seus olhos para o seu chão e começa a lutar para cair... Cair! Pisar os seus pés em degraus desconhecidos, conhecer seus transeuntes, e descer...

Os pilotos, engenheiros, cientistas trabalham para chegarem à estação espacial e vc, ao conhecê-la, entende sua arquitetura maravilhosa de abrigo seguro em uma ilha impossível de chegar. E vc vê que um dos experimentos que habita aquela casa é a de um pequeno barco espacial de fácil navegação, infinita oxigenação, malas para guardar tempo (memórias e provisões), asas para voar turbulentos céus, calefação para mergulhar, velas para navegar pelos ventos solares, uma pequena foto da Terra sua casa seu céu seu paraíso, uma bússola estranha, armas para que não te dêem para-quedas, para-quedas, música, uma caixinha de música com uma bailarina dançando e um toque suave e sutilmente protetor, uma casca de banana, chocolates, uma pequena lanterna, um pequeno espelho...

... e vc não pára para imaginar porque você tem ao seu alcançe este barco sem guarda. Você não olha para os pilotos, engenheiros, cientistas ocupados. Você toma o barco como seu durante o sono deles, aciona seus remos, olha para sua casa e a beija.

Então você olha para o chão e cai.

Salvo algumas liberdades:
* - http://www.ime.uerj.br/~demoura/FAPERJ-SBM/ariane/
** - http://pt.wikipedia.org/wiki/Gravidade
*** - http://www.geocities.com/ceifadordasalmas/fabulas/universo
**** - David Bowie - Space Oddity

Terça-feira, Maio 03, 2005

Post it for pleasure!

Vou postar pelo prazer de postar. Me sinto um pouco febril hj, com péssimas disposições e muito para o que fazer. Meu humor não muda, mesmo que eu fique mais agitado ou mais concentrado. Não sei por que diabos a porcaria do linux acha q meu pendrive tá sem espaço. Mas ainda assim, estou de bom humor.

Estou em fase de mudanças. De novo? Bom, essas coisas costumavam acontecer demoradamente entre um vento e outro. Acho q isso faz parte da mudança... mudar com mais frequência... ou chegar a outro estágio. Sei lá, Só sei que estou gostando de separar-me de mim mesmo, neste momento. Preciso aproveitar. Mas ainda preciso saber até que ponto preciso me mover para mudar, e, pela frente, só vejo brumas...

... E por falar em brumas, de repente o caminho do fotolog se tornou esfumaçado também. É como se eu tivesse uma faca e um queijo e um pão e manteiga e fome na mão e não soubesse o que fazer. Um pão com queijo? Poderia... mas não quero. Gosto de pratos exóticos, e se ele não for bom, vou para outro. A vida...? "é siiimpleesss"! Exatamente, exatamente!

Bom, o que dizer mais? Ah, sim, ultimamente eu ouvi falarem muito sobre o tempo... Ninguém me perguntou, mas eis o que acho do tempo:

Inexprimível, o tempo não pode ser lutado contra. Talvez uma corrida, vc leva seu cavalo o mais rápido que pode até a linha de chegada antes dele. Alguém viu Seabiscuit? Sempre se deixa o cavalo correr pouco até chegar na reta final, depois, quando se chega nela, vc precisa olhar nos olhos do tempo e desafiá-lo. Aí vc corre. Vc perde, ou vc ganha. Ao perdedor, o ódio contra ele, ou a compaixão. Ao vencedor, a medalha.

Inexprimível, ele é nosso chão, assim como a Terra também o é. Ninguém pode contra a Terra. pode-se ameaçá-la com poluições e destruições, mas não se pode pará-la, a não ser por uma quantidade de energia impossível de conseguir. Mas a Terra nos prende, contra sua gravidade, nos impedindo de voar e de chegar em lugares incríveis (As naves te deixam voar um pouco, mas vc continua dependente de sua casa). Nem os pássaros podem voar tanto, e mesmo nos provocando inveja, não podem seguir para a infinitude do espaço.

O tempo é nossa Terra. Estamos limitados dentro de nosso próprio tempo. temos 100 anos ou menos para poder aproveitar a vida, assim como temos a Terra em sua maioria para aproveitar a vida. É preciso amar o Tempo, como se deve amar a Terra. Os velhos podem dizer melhor que eu, mas acho que se acharmos que os efeitos do tempo são coisas para ser desviadas, bem, elas não podem. Se nós maquiamos a Terra, também podemos maquiar o Tempo. Existem viajantes do Infinito? Talvez... Existem imortais? Talvez... O Tempo é inexprimível, e somos muito pequenos para ele se importar se devemos odiá-lo ou não. Respeitar é melhor, da mesma maneira que a morte... eu acho.

...

A mãe de um amigo faleceu por erros médicos. A mãe de outro amigo está extremamente doente. Gostaria de saber o que dizer a eles... Nada, talvez? Acho que não.

music of the day: Beatles - All You Need is Love.

"Lenda é toda narração em prosa de um tema confuso."
Anônimo, em uma questão do ENEM. Acredito q há bem mais de onde esta veio.

Segunda-feira, Abril 25, 2005

Desorder it!

Eis uma série de coisas que acabei percebendo este fim de semana:

# A desordem cria! A ordem destrói!

# A beira-mar (margem, de qualquer coisa) não é só um não-lugar como uma possibilidade de surgimento de muitos lugares.

# celulares não são tão ruins assim como eu pensava antigamente.

# Tenho uma prova quinta

# Despertadores exigem muito mais atenção do que se pensa.

# É muito melhor resolver seu próprio problema do que ir atrás dos dos outros.

# O tempo (ou Deus, dependendo do PV adotado) tem um senso humor sarcástico, e tem particular sabor para ironias.

# A lua extremamente cheia sobre um mar raso produz caminhos de prata mais definidos.

# Existe tanta gente talentosa que chega dá uma alegria e uma dó.

# Ás vezes a poesia e a mensagem (divina, por assim dizer) existem quando vc sacraliza o profano e quando vc profana o sagrado.

# Quarup, no final das contas, deve ser um livro bom........

# Em encontros da FTL e em companhia de amigos artistas, me sinto bem mais inspirado.

# Em recitais de poesia, escolha poemas que sejam mais feitos para serem ditos do que os que são para serem lidos.

# tenho miniprova sexta de manhã

# Quando os cães latirem pra vc, e disserem que vc está errado, sorria-lhes: Se estiverem certos, vc só precisa se arrepender, ou não. Se não estiverem, é só seguir em frente.

# etc, etc, etc...

music of the day: Elomar - Cantiga do Estradar

"As teorias que explicam o universo / Os versos que vasculham o coração / Os garis, estivadores e arquitetos / A fé manipulada dos cristãos / As alegrias, alergias, os afetos / Os fatos, frases, a simulação / O país ajoelhado, a morte, o sexo / A culpa e o olhar de acusação /(...) Os dias, datas de aniversário / Os quartos de hotel, o avião / Os livros, discos, dicionários / A madrugada e o olhar sem direção / Os velhos, as crianças e os parques / Os templos, tumbas e memoriais / A nova velha forma do desastre / Bandeiras, panos, lenços, aventais...

O que é tudo isso diante da pólvora?
(Dessa paixão que se renova)"
Paralamas do Suscesso - A Pólvora

Domingo, Abril 17, 2005

Whisper it!

Nada a conseguir dizer, a não ser que estou bem feliz hj...

...

E um pouco raivoso por não ter conseguido mandar esse post no domingo. Paciência. SO! SO! REDES! AAAAHHHH!!!!

music of the day: tuiiiiiiiiiinnnnnnnnn nos ouvidos... mas eu ouço ainda, lá no fundo, Placebo - Without you, I'm nothing.

"Há um cio vegetal na voz do artista.
Ele vai ter que envesgar seu idioma ao ponto de alcançar o murmúrui das águas nas folhas das árvores.
Não terá mais o condão de refletir sobre as coisas.
Mas terá o condão de sê-las.
(...)
Ver sambixuga entorpecida gorda pregada na barriga do cavalo -
Vai o menino e fura de canivete a sambixuga:
Escorre sangue escuro do cavalo.
Palavra de um artista tem que escorrer substantivo escuro dele.
Tem que chegar enferma [a palavra] de suas dores, de seus limites, de suas derrotas.
Ele terá que envesgar seu idioma ao ponto de enxergar no olho de uma garça os perfumes do sol."
Manoel de Barros - Retrato do Artista Quando Coisa

Segunda-feira, Abril 04, 2005

Talk About it!

consto que, por esses 20 dias q n posto, uns 2 ou 3 posts morreram antes de terminar a 1a fase de formação do feto... bah! n tenho um livro de biologia pra me lembrar do nome, mas seja lá como for eles foram-se para o mundo das idéias, a biblioteca dos sonhos...

Gostaria de ter falado sobre mulheres (ou para elas, talvez, ou escrito mais 3 estrofes sobre o amor, ou etc.), sobre um possível projeto que talvez eu entre e talvez eu fique doido de vez, sobre como odeio provas nas sextas às tardes, sobre a filosofia de vida de um amigo meu em que diz: "O mundo é gay, e a vida é simples: O homem é que complica." (ele n é gay),sobre como o sistema operacional trata um page fault ou como ele faz uma paginação em múltiplas camadas, quando a memória virtual pode ser maior que a real, sobre meu fotolog ou sobre qualquer coisa.

Quero só deixar registrado que eu gostaria de ter escrito tudo isso e muito mais, mas é horrível, simplesmente frustrante não escrever sobre elas no tempo certo. Me deixa vazio de palavras. Estou começando a ficar muito ocupado. Perdi o costume, desde o vestibular, de ficar ocupado. Gostaria de ter pensado em jornalismo. Gostaria de saber escrever.

Só me resta programar hj...

music of the day: Ney Matogrosso e Pedro Luís & a Parede - Finalmente



"Gandalf: Não se esqueça de que afinal de contas você é mais uma criaturinha a mais neste vasto mundo!
Bilbo: Ainda bem!!
J.R.R.Tolkien - O Hobbit

Sábado, Março 19, 2005

Do Not Flee From It!

Então!

Percebi que eu tenho mania de fugir. De tudo, não me peça para explicar.

Fuga é a rota da encruzilhada da estrada da vida mais fácil... porém ela é apenas um retorno: pode te deixar no mesmo lugar mais tarde, no mesmo cruzamento. Bem, nem sempre, as brumas que cobrem os jardins do Destino são imprevisíveis (daí que penso que predestinação, se existe ou não, é mais complexo e ainda inatingível ao homem, a não ser em algumas "falhas da Matrix". Ainda assim ainda inatingível). Mentir, fugir dos compromissos, evitar os momentos angulares, não olhar pros olhos, além das fatais: matar, roubar, prender alguém em sua prisão e não deixá-lo/a sair, etc etc etc... Tudo isso é fácil, vc consegue fugir, beleza, não tenho que decidir pelo mais difícil. Evitei a parte difícil e vocês, certinhos, ha ha ha!, se lascaram...

... E aí volto para encruzilhada mais tarde. E fugirei de novo. E não me despedirei de mim novamente, nem perderei um pedaço de mim. Serei eu mesmo novamente, confortavelmente chapado, indo pelo mato. E chegará uma vez que notarei que estarei velho e que não cresci. O Tick-Tack Crocodile arrancará meu braço direito, e terei um gancho que quer arrancar, invejoso, a juventude do coração do pequeno peter pan, pois tenho medo de nascer um novo eu mesmo novo, além de ser tarde demais, de todo jeito.

E de todo jeito irei me consolar com qualquer desculpa no fim da vida, agora, na qual mal chego na fase adulta. Não precisei me machucar para crescer.

Mas não cresci. Apenas envelheci. Não me pari nunca...

E engraçado que quando olho para pessoas jovens, mesmo mais velhas que eu, eu invejo elas pensando "puxa, quem dera ser como elas" quando, no fundo no fundo, apenas implanto um gancho mais polido no meu braço direito.

music of the day: George Harrison - Wah-Wah

"Percorra qualquer caminho no jardim de Destino e você terá de escolher, não uma, mas muitas vezes. As trilhas se bifurcam e se dividem. A cada passo que você dá no jardim do destino, você faz uma escolha; e cada escolha determina caminhos futuros. Entratanto, mesmo se passasse toda uma vida caminhando, você poderia olhar para trás e ver apenas um caminho estendendo-se atrás de você... ou olhar adiante, e ver somente a escuridão.
Às vezes, você sonha com os caminhos de Destino e especula, sem propósito algum. Sonha com os caminhos que pegou e com os que não pegou...
Os caminhos divergem, se cruzam e se reconectam. Alguns dizem que nem mesmo o próprio Destino sabe realmente aonde cada caminho o levará, aonde cada curva irá dar.
Mas mesmo se Destino pudesse te contar, ele não o faria. Destino mantém seus segredos.
O jardim de Destino... você o reconheceria se o visse. Afinal, você irá percorrê-lo até morrer. Ou além. Pois os caminhos são longos, e mesmo na morte, não há fim para eles.
Destino, dos perpétuos, é o único que compreende a geografia peculiar do jardim, distinta do tempo e espaço, onde o potencial se torna real. Destino sabe. O livro que carrega é um guia tanto para o jardim quanto para as minúncias do futuro passado.
Destino não possui um rumo próprio, não toma decisões, não muda de direção. Seu caminho está traçado e definido, do princípio do tempo ao fim de tudo."
Neil Gaiman - Sandman #21

Terça-feira, Março 08, 2005

Love it again!

O amor é um inferno!
Uma rotina desgastante!
O diabo mora neste instante
No bolso do meu terno!
Minha mulher o lava
Minha amante o suja
O amor me faz o que quer.

O amor é uma ilusão
Você já amou? coitado,
Sua vida se tornou recado
Que as nuvens ao vento dão.
Eu já tentei, nunca achei,
Meu olhos compreendem o real:
O amor é só uma combustão.

O amor é um paraíso
Que espero na sacada.
A poltrona se esquece
Do meu peso e da morada.
A vida foi meu trem
A hora é esta estação!
Lá vou eu, amor, para tua casa!

music of the day: Echo and The Bunnymen - The Killing Moon

" Linus:
Acho que é errado sempre se preocupar com o amanhã.
Talvez devêssemos pensar somente sobre o hoje.
Charlie Brown:
Não, isto é desistir.
Eu ainda estou esperando que o ontem melhore."
Charles Schultz

Quarta-feira, Março 02, 2005

Damn it!

O Malandro
Kurt Weill - Bertolt Brecht -
versão livre de Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque


O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita (ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arreglo/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçon

O garçon vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação.

...

music of the day: Essa daí, cantada pelo mpb-4, provavelmente. E "Deus Lhe Pague" do Chico... por ele mesmo ou pelo Oswaldo Montenegro... E um bom texto de Machado de Assis...

"O Cadáver / Do Indigente
É evidente / Que morreu.
E no entanto/ Ele se move
Como prova / O Galileu"

O malandro n. 2, da mesma Ópera.

Sábado, Fevereiro 26, 2005

Simplify it!

Então para prosseguir a vida quando vc pensa que atolou no caminho, isto é, quando todas as coisas que estão iminentes e você precisa tomar as medidas que vc n gosta, é só empurrar e continuar com o que gosta...

Então para ser amigo, basta você não ser mais nada além do que aquele que seus pais te criaram antes...

Então para crescer é preciso diminuir...

Então a vida é simples, as pessoas que gostam de complicar... Ou será que a vida é tão simples quanto a pessoa que vive ela?

Então...

Então o quê? Eu gosto de complicar... Tem que complicar... Mundos são complicados, os homens são complicados (e as mulheres, então? ixx!), Computação é complicada, O amor! O amor é complicado... Até o que é simples é complicado.

A vida é simples para os jovens. É preciso estar no fim da vida pra dizer como ela é.

Então simplifique o futuro...

music of the day: O disco Animals do Pink Floy de cabo a rabo.

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

Sod It!

Encruzilhada
Na Alvorada
Um homem cruza a estrada
E despede-se de si mesmo

Divórcio
Teu sexo
Meu amor
Ambos fazemos

Mendigo
Há quem gorjeia
A luz nascente do dia
Que Delira
Que eu vá atrás
De um bonde andando
Já antes de acordar.
Sod it!
Estou dormindo é na estação
Durmo sobre as trágicas notícias,
Como o egoísmo de desconhecidos,
E espero um trem de carga parar
Para eu invadir.

music of the day: Programas de rádio como as da Rádio USP, tipo Blues Power ou a Rádio Matraca...

"Ao vencido, ódio ou compaixão; Ao vencedor, as batatas."
Quincas Borba, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Sábado, Janeiro 29, 2005

Protect It!

Minha tristeza não consegue se definir com arte. Ela vai e e se faz presente nos músculos como uma tautologia se comprovando ou um calculo numérico em números complexos.

Não há nela uma gota de verso ou sequer uma rima. Minha tristeza está na ata da história de um edifício, como um problema ao qual vai sendo escondido com remendos e acoxambramentos e fingí-la como um problema comum. Mas está na ata. E ninguém denuncia. E o edifício está desde sempre ameaçado a cair.

Não há vento nela. Somente um frio metálico, escuro como um buraco negro, ou como uma solitária em que encarcero meu coração, e o alimento com pão e água ocasionalmente. Não há romantismo nele. E se existe amor, ele apenas consegue acariciar os cabelos do coração nas horas de pânico, dizendo-o palavras de sabedoria e protegendo-o de mim e de meu orgulho estúpido...

Minha tristeza é uma dissertação científica sobre a estupidez e suas propriedades construtivas na palavra, e destrutivas no significado.

music of the day: o som que se ouve no silêncio da noite dentro de uma piscina, e vc, boiando, olhando pras estrelas.

"Nunca tantos souberam tão pouco sobre tanta coisa"
Não lembro de quem é

Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Love It!

O amor é odioso
E eu o desprezo!
Este é meu espaço,
Este é meu relento!
Vá embora, amor!
Você me desarruma
Com seu mesquinho vento...

O amor é congelante
E eu me enfraqueço!
Estou de cama, febrento...
Que arma desconsertante!
A mulher que o lança
Com os olhos da ignorância
Mata muito mais que a vingança!

O amor é abrigo
Da tempestade de lá fora.
Onde chovem olhares
Na ventania que o ódio sopra.
Mas meus pés são firmes,
Minha paixão é certa
E o amor me aquece na contaminação.

music of the day: Placebo - Bitter End

"O melhor dia para se plantar uma árvore é a 20 anos
O segundo melhor é agora."

Provébio Chinês

Domingo, Janeiro 23, 2005

Go For It!

Surtos de imensa solidariedade não preenchem o vazio do coração
Hipermetropizam o país, e distorcem o significado da bondade
Pois é como se conhecesses um senhor de imensa enfermidade
E se importasse com sua pessoa assim como todos de sua cidade
Enquanto teu irmão, na sua casa, grita-te por teu socorro.

Prefiro ser a viúva que oferece 2 moedas que, além de nada mais, possui
Que o fariseu que dá um pouco do que tem, a frente de todos.

music of the day: Jerry Goldsmith - Chinatown Main Theme

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
José Saramago - O Conto da Ilha Desconhecida

Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

Change It!



O vento de mudanças atravessa o mundo inteiro. Ninguém sabe suas correntes. Ninguém duvida de sua fúria.

Oh, vento! Santo seja o teu sopro! Derrube minha casa (mas permita-me tirar algumas coisas dela! Não posso, e não vou abandonar meu passado!) e que seja feita tua vontade!

Atravesse esses postes, arranque esses fios! Leve esses terríveis seres, que aterrorizam e impedem tua ação, para a mais populosa das ilhas, para que aprendam, de uma vez por todas, a sagrada lição!

Preciso de forças! Preciso de tuas palavras! Ensina-me, oh vento, e liberta-me! Estou morrendo em uma prisão que eu mesmo fiz!

...

Hoje estou de The Doors!!!

music of the day: The Doors - Spanish Caravan


"You're lost little girl
You're lost
Tell me who
Are you?
I think that you know what to do
Impossible? Yes, but it's true
I think that you know what to do, yeah"

Jim Morrison, in "The Doors - You're lost little girl"

Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

travel to it!

ou

O Astronauta

Sem juros, com descontos
A prazo de até 3 milhões de anos
Em parcelas para cada respiração minha
Vendo-me às estrelas.
Alugo-me por um ano galático à Lua
E então aceitarei pagamentos
Em magníficos brilhantes elementares
E uma recordação vaga e preciosa
De ter olhado pra trás e visto a Terra um dia
E ter entendido, assustado, terno e ingênuo,
O significado de um número astronômico.

---

music of the day: Radiohead - Million Dollar Question

"4) Se eu fosse Deus, eu aboliria _____________ .
Complete com pelo menos 250 palavras. A praticidade do materialismo e a natureza humana devem ser respeitadas. As leis da Conservação da Felicidade não podem ser violadas.
(Corresponde a 50% da nota final)"
Neil Gaiman, em "15 Retratos de Desespero"


Sexta-feira, Novembro 19, 2004

insist on it!

Acho que a sorte que pensei que tinha tido esses dias perdi a pouco, pois me dei mal nas coisas que pensei que tinha me dado bem. Nas coisas que fui mal, nem fui tão mal assim, mas me dar bem é bom e tenho saudades disso. Que falta faz um quociente de concentração e inteligência.

Mas o mais legal é que dezembro chega e chega de saber que me dou mal. Até janeiro coçando o saco e inventar algo legal com esse blog.

como faz tempo que não posto, vou por 2

musics of the day: "Djavan - A Ladeirinha" e "Manu Chao - Pinochio/Cahi en La Trampa"

"De todos os estratagemas, saber quando cair fora é a melhor de todas."
Provébio Chinês

Terça-feira, Novembro 09, 2004

learn it!

Percebi que os comments são feitos pra quem tem senha. A senha é de graça, mas como sei que as pessoas têm tendências preguiçosas, então não vou esquentar muito com isso.

Ainda estou aprendendo a mexer nisso, e percebi que não dá MESMO pra colocar fotos legais, eu tenho que linkar elas de algum lugar sempre. oh,well... aí está uma, só pra teste, pois acho que vou deixar por aqui pela conta da universidade. Nunca pensei que blogs eram mais difíceis de fazer que os flogs.

a figura é de uma pessoa chamada Jill Thompson e peguei desta nesta página.

Há! legal! um link! estou aprendendo. preciso saber como fazer pra ele abrir uma nova janela, não usar a mesma. depois eu faço isso.

ah, o que é blockquote? vamos ver...

Nem um oceano inteiro pode encher um balde furado
Provébio Chinês

(Só me pergunto então o que acontece se a gente jogar o balde no oceano.)

ah, entendi... mmm... fascinante.

ok, próximo passo é... ah! tenho que estudar! acho que contei 3 provas semana que vem e 2 provas e 1 projeto essa. blah!

A música que estou gostando de escutar no momento é...

music of the day: Norah Jones - I've Got to See you Again


e confio que esteja aqui no restante das mensagens.

mmm... té!

Sábado, Novembro 06, 2004

feel it!

ou
Celebração

A Deus,
O meu elemento
O meu excremento
O meu alento
O meu castelo e meu receio
Eu ofereço.
Mas vida
Que é mais carecida
Eu dou ao mundo.

Começe outra vez a andar
Em volta desta casa
Começe a voar em torno do sol
Começe a galopar no carrossel
Começe a flutuar nesta piscina
Com estes barcos que navegam
Na tinta do seu edredom

O vento se abre pra não tocar nas mangueiras
O mar se abre pra deixar passar os perdidos
O céu se abre pra mostrar as estrelas
A terra se abriu pra formar meus continentes

Não chore pelo corrupto na própria alma que venceu
Nem chore pelos que sofrerão suas consequências
Chore antes pela humanidade
Que ainda não está pronta para a democracia
E que não tem nem estômago pra se preparar

Isto queima como o sol
Fazendo em chamas o seco
Que são as plantas de uma vegetação
Que me sustenta e são medicinas
Dos índios e sábios das vilas
Aos quais meu povo as chama de favelas.

Tá na hora de você olhar em volta
E ver o que enfim te vale a pena
Pois quando a morte te chegar
Você sentirá que ela terá menos graça.

Subirei numa árvore cuja copa não termina, não começa
E cujos frutos alimentarão todo o povo da Terra
E cujo orvalho saciará a sede dos seus descendentes.

A Deus
O meu pior escarro
O meu melhor carneiro
O meu devaneio
Nos momentos e desgraças do tempo da vida
E o meu fim
Eu ofereço.
O meu sorriso, no entanto
só este,
Eu entregarei a satanás.

Sexta-feira, Novembro 05, 2004

taste it!

Começo numa sexta-feira cedo um blog. Um interessante começo de fim de semana. Não sei o que postar, mas e daí? A única coisa de que preciso é de um começo.