sábado, abril 02, 2011

be over it's wings!

é um pássaro negro passando pelo sol. Brilhando. Paradoxos fazem poesias baratas e toscas, mas são reais, infinitamente mais reais que fundamentações acadêmicas. Enfim, é um assum preto brilhando feito um sol em eclipse, e por suas asas o vento voa. O velho vento, o vento que move tsunamis. Cuide de sua cidade.

Quem move essa gigantesca onda? No meu caso, o passado. O passado era uma montanha. De repente descobri que era um vulcão. Agora era uma ilha. Hoje eu preciso esperar que seja passado pra descobrir de novo o que era. Meu passado deixa de ser e começa a ser muitas coisas, e esse movimento provoca vento. Passarim preto, sorte é o que trazes no seu bico? Desculpe, achei que era.

Era o futuro que ele trazia no bico. Ou era o olho dele. Os corvos gostam de olhos. Normalmente são a parte que eles gostam mais. Agora à diácope e ao plágio:

  • Meu futuro jaz em uma câmara de gás, onde meus prisioneiros todos me puxam pelo braço e pela perna, tiram minha roupa e esperam que eu grite para eles por perdão. Não sei dizer se eles terão sucesso.

  • Meu futuro jaz em uma viagem espacial, minha nave seguindo um rumo pelas gravidades alheias, e até chegar, assim como tudo nesse universo, ser sugado pelo buraco negro. Mas ainda assim esperando pelo depois, pelo que está mais ao sul do que o pólo sul.

  • Meu futuro jaz em uma lápide que, para contrariar os escritores de qualquer história, não possui epígrafes.

  • Meu futuro jaz em uma lâmpada acesa, e que jamais se apagará.

  • Meu futuro jaz na fidelidade que só não morreu porque não foram extintos os cães.

  • Meu presente jaz num passado que virou futuro. Vive na asa de um urubu escrevendo na areia do céu que a liberdade é uma prisão. Areia que vem a onda de vento e faz sumir essa caligrafia. Efêmera, como tudo na liberdade.


Querido é o periquito que não pude domesticar, o cão que fugiu de casa, a música que fugiu de meu controle, a vida que morreu nas minhas mãos. Eles não gritam para mim. Ela não me chama de assassino.

É o silêncio do futuro que eu profundamente respeito. O passado, minha infância, as poesias que ninguém tem interesse, minha vida já sem mim, estes posts sem início meio fim concisão "fundamento", este pássaro que gera os ventos. Eles dançam respeitosos ao redor do que eu ainda serei, e mais nada posso falar a respeito deles. Não em palavras, nem em silêncio.

music of the day: (Traditional) - O Death!


"Os amores são como impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem junto com ela."
Milan Kundera

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