terça-feira, maio 26, 2009

reign over it!


Parte I

Seu reino, qual formato tem?
É vertical? Sem gravidade?
Maior que um planeta? Preso em uma garrafa?
Como andam seus habitantes?
São eles só você? São povos sem fim?
Seu reino... Ele tem quantos nomes? Nenhum?

Como é seu reino?

Alguns chamam seus tijolos de versos. outros de dias vividos. outros de matemática pura.
Suas casas podem ser só de invenção, ou sem forma.. Ou são concretas, vivas na Terra.
As vezes, suas ruas são de gente, são de foguetes, de cometas, de fantasmas, de balas de canhão, de dias seguintes, íngremes.....

Mas eles reinam. Todos têm reino. Todos.
Quer queiram, quer não.

Como são as relações internacionais de seu reino?

...
Parte II

Meu reino possui um tempo rebelde sem-causa.

Meu reino possui 4 minutos de idade. E mais de 400 reinados e regências corridos.

Você vê aquele casal, se segurando passionais e contra a ventania, enquanto amanhã nunca se conheceram. Ontem eram avó e neto? ou seriam marido e mulher? ou irmão e irmã?

Os velhos na praça comentando entre si sobre a pelada, as jogadas, os montinhos que fizeram qd muito crianças, completamente esquecidos do que conta os jornais do dia.

Sinais dos fins dos tempos aparecem de uma hora pra outra, repentinos, assustadores nos céus, cada um apontando diferentes acontecimentos, cada um levando a diferentes conclusões.

As antenas televisões, rádios e internets recebem informações do passado, presente e futuro. Estão em estática. Principalmente aos domingos. Os mais atentos são os que têm memória mais fraca.

Meu reino não tem mar. No entanto, todo ser vivo, desde os vírus e células até os sábios e os estrangeiros de outros reinos, sonham com o mar. E todos acordam desejando, ardentemente, estarem em um cais, em um navio, pronto pra partir.

Meu reino tem o tamanho do mundo.
E suas ruas estão mapeadas nas digitais da palma da minha mão.

...
Parte III

Como termina o tempo alinear? Basta desinventá-lo.

Assim como nos sonhos: contos, obras de arte, histórias, crenças, crimes, amores, talentos, ciências, maravilhas... Tantos, todos os dias são criados, e todos os dias se esfarelam e são jogados ao vento durante o despertar.
E terminamos não nos incomodando muito com isso para não enlouquecermos.

Tudo é desinventado.

Em meu reino, os velórios são em maternidades. Pois, como dito, o tempo é feito ondas à beira-mar, que podem ou não trazer-nos de volta o que se perdeu.

A morte é filha do tempo, e fruto da desinvenção.

Enquanto me for permitido, quando meu reino estiver ruído, comido pelas traças, enterrado na areia, fossilizado e esquecido, renascerá de volta o casal que primeiro viveu nestas terras, sem lembrar de nada, e levantarão o primero tijolo. Tudo terá outra forma, outra física, outra gente.

Mas de alguma maneira tudo está sendo guardado em um imenso pretérito, fazendo tudo, até minha diplomacia, fazer sentido.

...

music of the day: Milton Nascimento & Lô Borges - Clube da Esquina n. 2


"Time is just something that we assign. You know, past, present, it's just all arbitrary. Most Native Americans, they don't think of time as linear; in time, out of time, I never have enough time, circular time, the Stevens wheel. All moments are happening all the time."
Robin Green and Mitchell Burgess

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quarta-feira, março 28, 2007

word it!

Pensamento é uma coisa perigosa. Palavra faz do pensamento uma coisa mortal. Ação faz da palavra movimento, e todo movimento produz uma permutação de energias levando a algum caos. Um movimento de uma asa de borboleta na china pode criar um tufão na Inglaterra. Mas e se ela estivesse na africa? A tormenta que faria na groelândia seria menor ou pior? E como saber que tais perturbações foram produzidas por causa dessa borboleta safada?

A ação de palavrear seus pensamentos (seja lingüisticamente ou não) provocam uma reação chamada crítica. Por mais agitados que sejam os movimentos de tal ação, ás vezes ela não consegue causar a reação que deseja. E no outro extremo, tudo o que vc é, é um galho de árvore preso a um gatilho de um revolver apontado para um coração.

Por medo do que esses pensamentos possam se tornar, eles se transformam em segredos. Segredos são coisas mais perigosas ainda: os pensamentos ficam armazenados numa dispensa e ocasionalmente, a gt espera, ficam no fundo do sótão e nunca mais são encontrados. Mas as outras elas se tornam inquietas pelo calor, cozidas, beliscam o juízo em momentos tranqüilos e te deixam confusos nos momentos críticos. O não-palavreamento provoca ação da mesma maneira e vc não pode se espantar se ocorrer uma tormenta na frente da tua casa.

E tem os segredos que a gente mesmo produz e não contamos e então, sem motivo algum elas te machucam e machucam os outros.

Pessoas que produzem muitos segredos pra si são pessoas que não produzem ação.

Pensamento é uma coisa perigosa, mas as pessoas que não se deixam se guardar são mais felizes, pois suas ações não são como batidas de borboleta, e sim como secas no nordeste ou correntes marítimas. Machucam mais intensamente, mas por um breve período, e os outros sabem que causam as tormentas e sabem e sabem que as coisas boas acontecem por causa deles. São maiores eles, e eles não têm medo do que fazem, e eu os admiro muito.

...

E tem tb o silêncio, aquele que onde o não-palavreamento não se transforma em segredo, mas em ação......

depois!

music of the day: ( Amy Winehouse - You know I'm no good )

"Lutar pela paz é como roubar pela honestidade"
Millôr Fernandes - A Bíblia do Caos

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