terça-feira, novembro 28, 2006

hush it again!

Desolação

Ah, o silêncio, sereno, tranqüilo, perverso
Este ar parado, esta luz intermitente
Ah, como minha cabeça é barulhenta
Tudo o que penso é estática, zoada
Zumbidos das moscas entrevoando o juízo
Ah, o silêncio. Mortal.
Mortal como a vida é mortal.
A cada dia nascem sementes
A cada dia elas brotam semeadores
Ah, silêncio, separador dos joios e trigos,
Como somos ratos! vejam o silêncio!
Que alienígena poderia sucumbir a sua raça
Ante a face aterradora deste espelho?
Quem semeou este mundo? Quem mudou a Terra?
Ah, silêncio fecundo, guarda tuas raízes
Arranca tuas ervas daninhas, guarda a esperança
Onde houverem cupins a procura do amor
Não os alimentemos com o ódio! Não vos perpetueis!
Oh silêncio do Deus mais forte
Entrega teu ramo e tua espada
Não terás diamantes nem velas
Tua casa se encheu de ódio
Mas as casas em que moram o silêncio musical
Derrubarão torres de aço com os sopros dos bem-te-vis
Ah, silêncio, onde tu moras?
Quero te mostrar quanta sede a alma humana tem
Entre seus dentes carnívoros de orgulho
Eles se rasgam, música do tempo,
E tragados se afogam na corrente do próprio mar
RCL, 2002


music of the day: Tool - Vicarious



André Dahmer, o segundo mais miserável quadrinista brasileiro em atividade (o primeiro é Allan Sieber)

1 Comments:

Anonymous ana said...

=D

5:40 PM  

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