terça-feira, outubro 24, 2006

let them wait for it!

Donde o homem fez-se do barro e do osso fez-se a mulher, as mãos foram de um braço que foram de um corpo que foram de uma alma que se iluminou. Humanos espantam e se espantam, velhas palavras dão vida nova, a morte traz vida, a história reina soberano, mas quem governa, Rainha, é Freud.

Pois os sonhos calçam chinelos surrados, sobem à Serra Pelada, escrevem cartas suicidas aos pais antes de voarem (Lembre-se que um dia um homem teceu sua asa quebrada e despencou dos céus para poder voar), e quem nada pôde fazer, pode dançar... A ironia, a dormência e o filho: são eles que constroem o século.

Digo isso, pois sou teu pai. Você nunca me conheceu, nem produzi tua metade, mas saiba, filho, que novamente o mundo gira, as crateras da lua se espalham e você só tem a certeza de que estará cá comigo um dia, mesmo que não saiba.

Onde estão os tijolos que ergui para contruir seu berço?
Nâo permita que os monte para fundar sua cripta!

Nós que aqui estamos, embaixo da Terra, acima dos Céus, não mais olhamos as letras de nossa história que vocês continuam... Olhamos estrelas, fitando, estudando, mergulhando, invadindo, penetrando o espaço deste universo, como se não mais existíssemos.

Por vós esperamos, meus filhos. Para os mortos, nada mais nos resta, a não ser a espera.

music of the day: Glenn Miller - Moonlight Serenade

"Nunca dominaremos completamente a natureza, e o nosso organismo corporal, ele mesmo parte desta natureza, permanescerá sempre como uma estrutura passageira, com limitada capacidade de realização e adaptação"
Freud

1 Comments:

Anonymous Ana Luiza said...

belo!


verdadeiramente, compreenda.... belo!

1:12 PM  

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